Divórcio e Recasamento

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Um irmão, que acessa no site frequentemente, postou a seguinte carta: 

Se uma pessoa se casar e se separar por algum motivo que não seja por adultério, ela poderá casar-se novamente?
Exemplo Real: Uma pessoa que nasceu em uma família evangélica, conhecedora da palavra de Deus, casou-se e se separou por outro motivo sem ser adultério, foi excluído(a) da igreja e fora do ambiente cristão formou outra família, após algum tempo reconciliou-se e juntamente com ele(a) veio também o conjugue, ambos são crentes, batizados com o Espírito Santo, tomam santa ceia e ocupam cargos na igreja onde congregam.
“Este novo casamento é reconhecido por Deus? Este casal está em adultério? Podem perder a salvação por este motivo?”

Citação: Mt 19:9 .

RESPOSTA

Para falarmos sobre o mandamento bíblico acerca do divórcio, entendo que precisamos começar por dois pontos que julgo importantes:

1º. Qual ou, quais os propósitos dos mandamentos do Senhor?
2º. O descumprimento dos mandamentos do Senhor implica em perda de salvação?

Respondendo à 1ª pergunta – Diríamos que um dos propósitos dos mandamentos do Senhor é o do garantir e assegurar os direitos dos mais fracos. Quando o Senhor recomendou, ou ordenou que o homem não abandone sua esposa, a não ser em caso de infidelidade conjugal, e excepcionalmente nos casos em que não há como reconciliar, o Senhor estava resguardando a mulher, principalmente, uma vez que a mulher sempre foi a parte mais fraca no relacionamento conjugal; uma vez que a mulher sempre sofreu preconceito, e isto, praticamente em todas as culturas e, uma vez que, na maioria das culturas, a mulher sempre foi dependente financeiramente do homem.
É do conhecimento de todos que em algumas nações, uma mulher divorciada era discriminada, e sofria imensa rejeição da sociedade. Sem dizer que até hoje, isto é uma realidade em muitos países.
Sabendo disto, o Senhor estabeleceu como norma que o homem não desse carta de divórcio para sua esposa, a menos que ela se fizesse indigna de permanecer como esposa.
Este é o primeiro aspecto do mandamento do Senhor.

Respondendo à 2ª pergunta – Observemos que o Senhor deu ao seu povo, especialmente através de Moisés, centenas de mandamentos. Será que o descumprimento dos mandamentos do Senhor, ou de um dos mandamentos, implica em perda de salvação por parte do seu povo?
Se quisermos ser radicais na interpretação das doutrinas bíblicas, certamente afirmaremos que sim. É por isso que é comum ouvirmos alguém pregando que, por você ter desobedecido este ou aquele mandamento, se o Senhor voltar e você não tiver se concertado, vai ficar, vai perder a salvação.
Se formos, sinceros cristãos e tivermos bom senso, veremos que o Senhor não deu ao seu povo mandamentos com o propósito de com eles aferir santidade.
Os mandamentos do Senhor são para nosso bem. A obediência aos mandamentos do Senhor proporciona bênçãos físicas, materiais e espirituais, mas não determinam nossa posição como salvos. Ou seja, ninguém pode achar que é salvo pelo fato de ser um exímio cumpridor dos mandamentos do Senhor. Em Romanos 8. 3 e 4 diz que os homens, “não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer sua própria justiça, não se sujeitaram a justiça de Deus, ignorando que a justiça nos é conferida pela fé…” No versículo 10 diz que “com o coração se crê para justiça…”
Em resumo, ninguém será salvo por seus próprios méritos, por ser fiel cumpridor de todos os mandamentos do Senhor. Logo, ninguém também será condenado por desobediência aos mandamentos do Senhor uma vez que não foi com esse propósito que o Senhor os estabeleceu.
Se a obediência nos proporciona bênçãos, a desobediência nos traz complicações, das quais o Senhor quer nos esguardar…

          Pois bem, entendendo assim, veremos que todos os pecados praticados por servos de Deus e que foram relatados na Bíblia Sagrada, tiveram consequências, às vezes desastrosas. Não obstante, não foram fatores determinantes na condenação de qualquer um deles. Os que se perderam, perderam-se por terem rejeitado as oportunidades que tiveram ou por terem ultrajado a graça de Deus, e jamais saberemos dizer se este ou se aquele se perdeu.

          No caso do divórcio é preciso entender que, uma vez resguardados os direitos fundamentais do menor, do mais fraco, não há porque se falar em condenação da parte de Deus.

          É bom que lembremo-nos que aqueles que casam-se no Senhor, certamente, nunca chegarão ao divórcio, por que o Senhor os guardará do mal. Repousa sobre o casamento, a bênção do Senhor, e em muitos casos, nem a morte os separam.

          Outro detalhe a observarmos é que o Senhor muitas vezes permite determinadas situações, quando, entre os homens aquela situação não é considerada desvio de conduta ou maldade. É lógico, desde que aquela conduta não afronte diretamente os princípios divinos e não se trate de um caso de rebelião contra sua soberana vontade.

          Cito o caso do patriarca Abraão que foi casado com sua própria irmã. Cito o rei Davi que tinha 10 mulheres e o Senhor não o repreendeu nem o rejeitou por isto. Antes, ele foi chamado de “homem segundo o coração de Deus”. Já a maldade que ele praticou contra Urias, o Senhor o repreendeu e o castigou, sem contudo o condenar ao inferno. Até mesmo porque, quando foi repreendido se arrependeu.

          No caso em que o divórcio se torna um mal necessário, eu creio que o Senhor o homologa. Não porque Ele queira que seja assim, mas por “permissão”, “por causa da dureza do vosso coração” disse o Senhor Jesus. Lembrando-nos que “no princípio não foi assim“. Ou seja, não foi o que Deus planejou…

          Essa é a minha opinião. Espero que obreiros, teólogos e mesmo quem não tenha alguma formação teológica, registrem sua opinião aqui para enriquecer nosso debate.

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano.

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