Sobe, Calvo! Sobe, Calvo!

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A irmã Angélica Sakuma enviou um e-mail para o site perguntando sobre a razão porque Deus matou os 42 meninos que zombaram de Eliseu com as palavras: Sobe calvo, sobe! Ela quer saber se a maldição proferida pelo profeta não foi arbitrária demais uma vez que se tratava de garotos e por que Deus atendeu a palavra do profeta permitindo que os 42 garotos fossem despedaçados pelos dois ursos.
 
Minha resposta:
 
Bem o texto em questão se encontra registrado em 2 Reis 2:23-24. Vejamos:
 
Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! 
E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos. 
 
É certo que existem registros nas Escrituras Sagradas que nos deixam um tanto em dificuldade para explicar, uma vez que nosso ideal sobre a pessoa de Deus nos faz ter uma imagem sempre bondosa de Deus e nunca em nossa mente conseguimos imaginar um Deus irado, que mata, que manda matar e especialmente quando se trata de crianças.
 
Porém, à medida que conhecemos Deus, pela revelação que Ele mesmo faz através das Escrituras, vimos que Deus nem sempre é aquele que nosso ideal projeta. Sendo, apesar disso, um Deus de amor e de bondade. E, quanto mais O conhecemos, mais concluímos que sua bondade é imensurável!
 
De que forma podemos entender o que aconteceu neste drama envolvendo um profeta de Deus e garotos que por algum motivo zombaram dele!?
 
O contexto nos mostra que se trata de um acontecimento imediatamente posterior ao arrebatamento de Elias aos céus. Elias era o profeta de honra de Israel e era muito querido e respeitado pelos “filhos dos profetas”. Eliseu havia se tornado seu discípulo há pouco tempo e de repente chega na cidade dizendo que Deus havia trasladado o profeta Elias, levando-o vivo para o céu e que Deus o incumbira de dar continuidade ao seu ministério.
 
Os “filhos dos profetas” não acreditaram em Eliseu e formaram uma comitiva que saiu pelos montes e vales à procura de Elias.
 
Mesmo não tendo encontrado qualquer vestígio de Elias, eles ficaram inconformados e suspeitaram de Eliseu, como se o mesmo houvera matado o profeta e quisera tomar-lhe o lugar e o prestígio.
 
Nos primeiros dias Eliseu ficou em Jericó e ali ajudou na construção de um galpão onde os “filhos dos profetas” se reuniriam para orar e profetizar.
 
Após ter dado um substancial apoio àquele grupo em Jericó, Eliseu resolveu ir a Betel, onde também havia um grupo de “filhos dos profetas”. No entanto, esse grupo de Betel havia alimentado maiores suspeitas ainda sobre a versão de Eliseu acerca do arrebatamento de Elias. Eles estavam alimentando uma rejeição ao ministério profético de Eliseu, uma vez que nem pertencente ao grupo dos “filhos dos profetas” Eliseu havia sido antes de se tornar discípulo de Elias. Até mesmo seu chamado por Elias era de certa forma desconhecido deles.
 
Então, um bando de garotos, que diga-se de passagem, não eram crianças, apesar de na nossa tradução aparecer a palavra ‘menino’. A tradução mais correta seria “rapazes pequenos”, ou seja, adolescentes. Esse grupo formado por adolescentes, ao tomarem conhecimento da aproximação de Eliseu da cidade de Betel, saiu-lhe ao encontro zombando dele, demonstrando com isso que não aceitavam sua versão do sumisso de Elias e que não reconheciam seu ministério profético.
 
A expressão “Sobe, calvo! Sobe, calvo!  tem mais ou menos os seguintes significados nas bocas daqueles garotos: Elias não subiu? Sobe você também?
 
Com isso eles estavam ridicularizando o profeta Eliseu, insinuando que ele era um profeta de 2ª categoria, uma vez que não fora achado digno de ser arrebatado também e declaram que para eles Eliseu não tinha e jamais teria o reconhecimento como profeta de honra de Israel.
 
Só que eles não levaram em conta que Eliseu era de fato um escolhido de Deus e que sobre ele pairava a unção de profeta. Desrespeitar um profeta de Deus é desrespeitar o próprio Deus. 
 
Basta que nos lembremos de que Deus advertiu ao rei Abimeleque a que desse um tratamento diferenciado a Abraão porque ele era profeta. Gn 20:7 .
 
Em outros textos bíblicos encontramos recomendações a que não toquemos nem façamos mal a um ungido de Deus.
 
Ø 1 Crônicas 16:22  Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal. 
Ø 1 Samuel 24:6 – E disse aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, aoungido do SENHOR, estendendo eu a minha mão contra ele; pois é o ungido do SENHOR.
Ø 1 Samuel 24:10 – … porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a minha mão contra o meu senhor, pois é o ungido do SENHOR. 
Ø 2 Samuel 3:39 – Que eu hoje estou fraco, ainda que ungido rei; estes homens, filhos de Zeruia, são mais duros do que eu; o SENHOR pagará ao malfeitor, conforme a sua maldade.

É importante observarmos o fato de Eliseu os haver amaldiçoado em nome do Senhor. Eliseu foi revestido de autoridade divina para pronunciar as palavras de maldição, ou seja, aquele gesto de Eliseu não foi uma reação carnal, impensada, um ataque de cólera, de ira… Mas, uma ordem de Deus!

E o resultado foi que Deus honrou a palavra do profeta e se utilizou de duas ursas que estavam nos arredores e devorou 42 moleques do grupo bem maior que havia naquele local.

Não foram apenas os adolescentes que foram punidos pelo comportamento blasfemo, mas, principalmente seus pais, que não tiveram o cuidado de educá-los espiritualmente. Cumpriu-se na vida deles o que foi predito em Levítico 26:21,22.

Portanto, irmã Angélica, quando Deus entende ser necessário intervir com mais rigor para que Sua vontade seja respeitada, Ele o faz, ainda que aos nossos olhos pareça arbitrário. O profeta Elias havia sido “arbitrário” quando duas companhias de soldados vieram ao seu encontro, com um tom arrogante, desafiando sua autoridade espiritual, chamando-o de homem de Deus, não porque o reconhecessem como homem de Deus, mas com sarcasmo. Elias respondeu, então: Se sou homem de Deus, desça fogo do céu e consuma a ti a aos teus soldados…

 

Em cristo, Sandoval Juliano – 04 de julho de 2013. 

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