A Tolice da Nossa Fé

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                      Não estranhem esse tema, ele é puramente bíblico. Veja o que diz 1 Coríntios 1.18:Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus”.

                      A Igreja de Corinto era uma igreja dividida. Os crentes estavam tomando partido, identificando-se com Apolo, um alexandrino eloquente e culto, ou com Paulo, um judeu sincero que havia posto em risco sua própria vida por eles. A igreja estava dividida socialmente – a classe mais alta contra a classe mais baixa – e etnicamente – os gentios contra os judeus.

                      Em sua carta, Paulo tenta fazer com que os coríntios compreendam que a sabedoria de Cristo e de seu evangelho transcendem estas divisões. Eles os lembra que nem gentios nem judeus poderiam naturalmente aceitar a tolice do evangelho. Para os judeus, a mensagem do Salvador crucificado era nada mais que um escândalo, uma ofensa ou pedra de tropeço. Todo o bom judeu sabia que a Lei classificavam aqueles que morriam em um madeiro como sendo amaldiçoados por Deus( veja Dt 21:23 ). O Messias prometido não poderia ser crucificado e, desta forma, se tornar um  maldito por Deus; um Libertador preso numa cruz, não fazia sentido. Ao invés de esmagar os opressores, Jesus foi crucificado por eles.

                      Para os gentios, especialmente os gregos, a idéia de um Deus crucificado era pura loucura. Segundo a filosofia grega da época, um Deus infinito e poderoso nunca se submeteria à forma humana. Deus, que é puro espírito, nunca se confinaria a uma carne humana inerentemente má. Ele nunca viria a nós; ao invés disso, teríamos de desejar nos livrar de nossa carne e ir até onde Ele está, no mundo espiritual e puro. Além do mais, o sofrimento que Jesus experimentou na cruz era um sinal de fraqueza, não um sinal de alguém que afirmava ser Filho do Deus Todo-Poderoso.

                      Assim, o Evangelho, a mensagem de que o Filho de Deus voluntariamente se submeteu aos horrores da crucificação, era tolice – tanto para os judeus quanto para os gentios. Nem os gregos, com suas famosas escolas filosóficas, nem os judeus com sua histórica religião, podiam compreender ou aceitar tal concepção.

                      Mesmo assim, essa “tola” mensagem do Evangelho, é dita por Paulo, como sendo sabedoria de Deus. Sabedoria que transcende todo o nosso pensamento.

                      Em nossos dias, o Evangelho continua sendo loucura. E o pior – é que já não é loucura apenas para os que perecem. Tem sido loucura para nós, os salvos, para quem a mensagem da cruz deve ser – o poder de Deus. Temos a tendência de respeitar as conquistas terrenas. Amamos ser aplaudidos e nos cercamos de meios legais para desfrutarmos da prosperidade que o Evangelho proporciona. Livros são escritos para mostrar como alcançarmos sucesso, de acordo com as Escrituras; como ser uma pessoa influente; como impressionar as pessoas; como exercer poder sobre os outros; como sair na frente; como deixar de ser calda para ser cabeça.

                      O contraste da sabedoria de Deus é que ela humilha a sabedoria terrena, fazendo com que todo o conceito aparentemente correto, fique de pernas para o ar. Tão tolo quanto possa parecer, Jesus se humilha e aceita o escárnio, aceita sofrer. Ao invés de buscar o títulos Ministeriais ou seculares, Ele caminha para o Getsêmani, onde sabia que seria entregue nas mãos dos ímpios.

                      Por essência, a sabedoria de Deus é baseada no amor, no desapego às coisas materiais. Quem a possui caminha na contra-mão de qualquer conceito de sucesso, nos moldes como o vivemos e como tem sido pregado em nossos púlpitos.

                      E onde está o “poder” a que Paulo se refere? O poder do Evangelho se manifesta na capacidade que essa mensagem tem de reverter; de levantar alguém que nada prometia e coloc´-lo entre os prícncipes do Seu povo. Os grandes, ele permite cair e os humildes são “por Deus” exaltados.  Os pecadores são gratuitamente perdoados e tornam-se herdeiros de uma herança eterna, nos céus.

                      Sim, os cristãos adoram a um Deus que se revela no sofrimento e na fraqueza – tolice pura para uma geração de obreiros famintos por poder – mas uma mensagem poderosa de amor para aqueles que nEle crêem. 

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano.

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