Já Receberam o Seu Galardão

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“Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam o seu galardão” – Mt 6.2.

Em busca de um galardão

            É muitíssimo comum, em nosso meio evangélico, ouvirmos alguém dizendo que quando chegarmos diante do Senhor, receberemos dEle o galardão correspondente a todo o serviço que prestamos ao Reino aqui nesta terra.

            É igualmente comum, dizermos que o Senhor registra tudo e que não se esquecerá até mesmo daquele copo d’água que demos um a pedinte que passou em nossa porta. Nós sabemos que “quanto mais almas ganharmos, mais pedrinhas teremos em nossa coroa”. 

           Essa preocupação já era presente até mesmo entre os discípulos, nos dias de Cristo.  “Senhor, nós abandonamos pai, mãe e filhos, para te seguir. O que ganharemos com isso?” 

         Na verdade, não deveríamos servir ao Senhor esperando qualquer galardão. Deveríamos servi-lo somente pelo fato de que O amamos. Mas, se pelo menos O servíssemos aguardando o galardão que nos está reservado nos céus, já teríamos respaldo bíblico: “E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível”. – 1 Co 9.25.

            É interessante notar que em todas as referências bíblicas que falam de galardão, nenhuma sugere um objeto que signifique “recompensa” pelo que fizermos no Reino de Deus. Veja os seguintes textos que falam de “coroa de glória” – 1Ts 2.19; “coroa de justiça” – 2Tm 4.8; “Coroa da vida” – Tg 1.12;

            Nenhuma dessas coroas representam “pagamento ou compensação” por serviço prestado.

             É do ser humano o querer um reconhecimento por tudo o que faz. Ninguém, principalmente em nosso mundo capitalista, quer prestar qualquer serviço se não for em troca de algum ganho. Seria tolice pensar o contrário. 

             Da mesma maneira como agimos na vida secular, queremos nos comportar no Reino de Deus. Por isso aceitamos com tanta facilidade que sejamos honrados publicamente e que nosso serviço ao Reino de Deus seja enaltecido. Que nossas qualidades sejam aplaudidas e que nosso nome ganhe destaque.

            Isso explica o porquê de nós, pastores, adorarmos a comemoração de nossos aniversários com imensa pompa. Como nos sentimos bem quando tantos companheiros de Ministério tecem honrosos elogios à nossa digníssima pessoa! 

            A comemoração do aniversário do pastor pela igreja, é plenamente aceitável e compreensível. É honroso a igreja prestigiar seu pastor, cultuar a Deus pela sua vida, pela sua saúde e pedir ao Senhor abundância de dias e bênçãos para o seu servo.           

   O que não é compreensível é, como um servo de Deus que “… de tudo se abstem, não por uma coroa corruptível, mas por uma coroa incorruptível”, aceite ser presenteado com altas somas e caríssimos presentes, além da festa pomposa que lhe fazem como se ele tivesse trabalhando no Reino de Deus para se fazer merecedor disto.

  Inclua-se neste rol aqueles que fazem do púlpito um lugar para ganhar dinheiro, cobrando elevados cachês para pregarem ou cantarem. Homens e mulheres que não vêem às nossas igrejas para servirem ao Senhor ou para trazerem uma mensagem de Deus aos nossos corações. Antes, são profissionais do evangelho. São técnicos, verdadeiros artistas em nossos púlpitos.

              Certamente estou mexendo em feridas que ninguém gostaria que fossem tocadas.

             Como é bom procurar na Bíblia textos que se respaldem esses comportamentos mercenários. Textos do tipo: “Honra a quem tem honra”; “Tenham em grande estima os que presidem sobre vós”; “Comereis do melhor desta terra”, etc

           E, como dói saber que a esse contexto se aplica, também, Mateus 6.2 – “ Já receberam o seu galardão”. 

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano

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