Marido ou alheio?

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 “… por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher, e serão ambos uma só carne”.

          Até que ponto o casamento torna duas pessoas “uma só carne”? Melhor seria responder primeiro sobre o que é ser “uma só carne”. Ou quem sabe seria ainda melhor começar falando se realmente é interessante se tornar uma só carne com outra pessoa… Deixemos as indagações prá depois.

          Imaginemos um homem que se casa com uma mulher… Imagine ainda que a mesma não consegue enxergar naquele homem alguém que passou a fazer parte, com exclusividade total, de sua vida! Ele compartilha com ela todos os seus segredos, todos os seus problemas, todas as suas decisões, tudo – sem reservas – e começa a perceber que ela, indiretamente, trata-o como se ele fosse alguém que precisa dela, como um paciente de um psicólogo, como um confessionário de um padre.
          Isto não significa que ele não é bem tratado por esta mulher, pelo contrário, carinhosamente bem. O que leva este homem a perceber isto é exatamente o fato de ela o estar tratando bem, só que, com reservas. É como se a mulher não admitisse a idéia de que o seu marido é um membro de sua família; é como se ele fosse o seu motorista, seu colega de serviço, seu pajem de armas, seu amigo de infância ou até mesmo seu patrão, mas nunca seu parente bem próximo. Afinal, com algumas exceções, ele não tem  o mesmo  sangue dela.
          Imagine agora, que isto esteja acontecendo com um homem que você conhece, aliás, que você conhece muito bem. Eu não diria que este é o seu caso, pouco provável, não é mesmo? – Mas, e se esse for o seu caso, como você se sente?  – Como marido ou como um alheio? – Por uma forte razão você tem sua esposa como sua mãe, sua irmã, sua parente bem próxima, tão próxima que se tornou contigo “uma só carne”. Você se identifica com ela, você se entrega, você deixa, inclusive, várias preferências para agradá-la; você é ela, pensa tanto nela que até se esquece de pensar em si mesmo, almas gêmeas… e não é poesia.
          Mas ela, sua esposa, será que sente o mesmo? – Ela considera você como um pai, um irmão ou como alguém que foi convidado a participar em um mesmo espírito de todos os acontecimentos a partir do casamento? – Já aconteceu, ou acontece sempre de você ser o último a saber que os pais dela virão almoçar na sua casa? – Em pleno fim de semana, você a vê se arrumando sem saber para onde vai e só no momento de sair é que você descobre que ela está indo para uma festa de aniversário de algum parente e você é o único que não sabia? – O dinheiro que ela ganha, para onde vai? – Só dá para comprar presentes para os sobrinhos e irmãos dela, aliás, para pagar as dívidas deles também. E o pior é que você só descobre isto porque ouviu algum cochicho a respeito, ela mesma, nunca te falou  nem te deu satisfação alguma… Elogios sobre sua pessoa na presença dos parentes dela ou dos amigos? – Não, nunca? – Pelo menos ela não fala mal de você, não que você saiba!
          Com um quadro desse é possível alguém pensar que você é um traste, um marido indesejável, um intruso, um beberrão. Mas não é nada disto. Vocês se dão bem, ela está sempre sorridente com você e sempre lhe é bastante cordial na presença de outras pessoas. Sem dizer também que ela não tem vergonha nenhuma de te apresentar como seu esposo. Nada mais que isso.
          E o mais chato em tudo isto é que quando você vai questionar com ela sobre isto ela sempre diz que é coisa da sua cabeça, que você é quem não gosta dos parentes dela e fica inventando isto, que você é tudo na vida dela, você é quem não a entende corretamente.
          É comum ouvirmos falar que o inverso é que acontece, que as mulheres amam e que os homens procuram não manter muita aproximação no relacionamento, vivem sempre desconfiados. Porém, as coisas se inverteram: São elas quem não se envolvem muito, ficam sempre com um pé atrás, e eles, morrendo de amor. Podem até não estar “morrendo de amor”, não vou exagerar tanto, mas os homens, quando gostam mesmo de uma mulher, a têm como sua. Elas passam a fazer parte da vida deles como se fossem do mesmo sangue. Enquanto elas, estão cada vez mais frias e sempre pensando que não vale  à pena se envolverem a tal ponto, ou seja, a ponto de considerá-lo como “uma só carne”. Parece até que as mulheres estão pegando ao pé da letra o texto que diz que é o homem quem deixará seu pai e sua mãe e, não a mulher.
          Se, tornar-se uma só carne é muito arriscado e muito complicado caso seja preciso desmembrar-se, em caso de uma separação, então por que não fazer como elas: casar e ficar cada um na sua – juntos, construindo uma família, trabalhando por um mesmo objetivo, mas sem se entregarem totalmente?
          Tornar-se uma só carne é estar amalgamado, é não ter ninguém mais como tão importante quanto o cônjuge, é “deixar pai e mãe e unir-se à sua mulher”, é se tornarem almas gêmeas ou quase (…).
         Os valores da família estão invertidos, o casamento se tornou apenas um contrato entre duas pessoas, a preciosidade do relacionamento conjugal é simplesmente desconhecida de forma que hoje você não se casa mais para ser marido/esposo, mas para ser companheiro, alheio. Peçamos ao Pai que conceda aos seus filhos o sentimento correto, regido pela Palavra de Deus e que sem dúvida, ainda apresenta o melhor e mais duradouro conceito de casamento: “deixar seu pai e sua mãe” e tornar-se “uma só carne”.

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano

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