Pentecostalismo Clássico X Neopentecostalismo

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          A expressão “Movimento Pentecostal” é uma expressão que nos remete ao mover do Espírito ocorrido no dia de Pentecostes, em Jerusalém, conforme narrado em Atos, capítulo dois e nos dias da igreja primitiva.
         Nos dias de hoje, ouve-se muito falar em pentecostalismo. O pentecostalismo ou movimento pentecostal, está dividido em dois grupos distintos: O pentecostalismo clássico e o neopentecostalismo.
          O pentecostalismo  clássico é aquele registrado, especialmente, pela história da Igreja Assembléia de Deus no Brasil, ao longo dos seus 100 anos de existência. E eu estou citando a Igreja Assembléia de Deus porque não conheço a história do movimento pentecostal de outras igrejas históricas no Brasil.
          O neopentecostalismo, muito mais recente, cerca de 25 anos de existência, é o movimento que tem acontecido em algumas novas denominações que imitam o verdadeiro movimento pentecostal.
 
Quais são as principais diferenças entre um e outro?
 
1ª diferença. O pentecostalismo clássico é o movimento pentecostal baseado no mover do Espírito como fruto da oração, do estudo da Bíblia e da pregação do Evangelho, e tem como objetivo a salvação de almas.
1.1. O movimento neopentecostal não é resultado de trabalhos de oração, muito menos de estudo sistemático da Palavra de Deus. Você nunca vê os líderes das igrejas neopentecostais convocando o povo para o círculo de oração, para um culto de oração, para uma vigília de oração, para a escola dominical nem para um culto de ensinamento e doutrina.
 
2ª diferença. O movimento pentecostal vivido pela Igreja Assembléia de Deus, ao longo deste primeiro século de existência, assemelhou-se, em muito, com o movimento espiritual ocorrido na igreja primitiva, na época dos apóstolos, no quesito “dons espirituais”. Era muito comum, em nossos cultos, ocorrerem diversas manifestações de dons espirituais, especialmente nas reuniões de oração.
2.2. Nas igrejas neopentecostais, além da manifestação de curas, não se vê nenhum outro dom em evidência.
 
3ª diferença. No movimento pentecostal genuíno, os dízimos e as ofertas não são os objetivos das reuniões. É comum, em um culto onde o Espírito de Deus está atuando, o pastor esquecer-se de mandar recolherem os dízimos e as ofertas.
3.3. Os eventos realizados pelas igrejas neopentecostais, em sua grandíssima maioria, têm como objetivo maior, a arrecadação de dinheiro.
 
4ª diferença. O movimento pentecostal genuíno, tem como característica fundamental a santificação. O Espírito Santo não opera onde o pecado está operando. Já houve vezes em que o Espírito Santo levantou um profeta no meio da igreja e disse: “Enquanto não houver arrependimento e confissão, eu não vou operar”. Em seguida, algumas pessoas vinham ao altar, com lágrimas nos olhos e faziam confissão e pediam perdão. Como resultado, pessoas eram batizadas com o Espírito Santo, outras falavam línguas, outras interpretavam, outras profetizavam e ocorriam muitas conversões.
4.4. Nos eventos neopentecostais, pouco importa o que as pessoas andam fazendo. Procura-se criar na igreja, um ambiente espiritual aconchegante, onde, mesmo quem esteja vivendo em pecado, não se sinta, de modo algum, desconfortável.
 
5ª diferença. Durante este primeiro século do movimento pentecostal no Brasil, as músicas preferidas do povo de Deus, tinham como conteúdo a adoração, a evangelização e a doutrinação. Ou seja, os cantores evangélicos eram grandes parceiros dos pastores, porque através de seus hinos doutrinavam, ensinavam e evangelizavam. As letras tinham conteúdo bíblico. Quem não se lembra dos cantores:
Ozéias de Paula – com os hinos “Eram Cem Ovelhas”, “Entrei no Templo”, “A Melhor Coisa Que Eu Já Fiz” e “Viva com Deus”
Otoniel e Oziel – com os hinos “Trinta Peças de Prata” e “Desejo Missionário”
Luiz de Carvalho – com os hinos “Tocou-me” e “Divino Companheiro”
Edson e Telma – com os hinos “Eu Prefiro Ficar com Jesus” e “Vale à Pena Ser Crente”
Jair e Hozana – Com o hino “Alma Cansada”
 
          É lógico que o estilo musical deles já não é mais bem-vindo para a juventude de nossos dias, mas eu não estou dando ênfase ao estilo musical, estou me referindo à diferença que há no conteúdo das letras que eram cantadas há algumas décadas atrás e as que são cantadas hoje, especialmente nas igrejas neopentecostais.
 
CONCLUINDO
 
          O que eu tenho presenciado nesta última década é a decadência do pentecostalismo clássico com a absorção pela Igreja Assembléia de Deus dos artifícios baratos e adaptação dos modismos e inovações do neopentecostalismo. Trabalhos tradicionais como Círculo de Oração, semana de oração, vigílias de oração, dia com Deus, manhã com Deus… tudo isto já não é mais conhecido da maioria dos membros que têm cerca de cinco anos de crente, na maioria de nossas igrejas.
          Os cultos de doutrina, hoje, em muitos lugares, viraram cultos proféticos, verdadeiros movimentões, onde os temas mais comuns são os temas relacionados ao sucesso.
          A Santa Ceia já não tem mais o seu dia específico; já não se dá mais a atenção que este ato solene merece.
         É hora de refletirmos sobre nossa atual condição espiritual e o que esperamos que aconteça nas próximas décadas com o genuíno movimento pentecostal. Ou será que o verdadeiro movimento pentecostal está migrando do Brasil para alguns países africanos, como temos tido notícia?
                                            
Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano – 14.11.2010

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