Velhos Vitais

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Velho: que não é jovem, que tem muito tempo de vida

Iaci Malta

Parece já ser senso comum que as últimas décadas têm sido marcadas pela primazia do ser eternamente jovem. Surge assim a dificuldade do envelhecer que também marca nossos tempos.

Recursos no campo da cirurgia plástica, muita malhação e hormônios têm sido usados para manter a aparência do corpo jovem. Por outro lado, encontramos aqueles que clamam pela aceitação do envelhecimento natural do corpo, mas que resvalam na dificuldade do envelhecer quando afirmam que o importante é “permanecer jovem de espírito”.

Quero aqui propor um resgate do primeiro significado da palavra velho, que não é jovem, novo, que tem muito tempo de vida ou de existência, de forma que possamos ser velhos de corpo e espírito e que, incluídos, respeitados e admirados pela nossa experiência, possamos ser velhos vitais.

Digo incluídos, porque é a exclusão e a desistência de ser agente no mundo que desvitaliza os velhos. Os chamados jovens de espírito, que proponho chamar de velhos vitais, são os sobreviventes desse processo.  

Sabemos que a expectativa de vida cresce cada vez mais… o mundo está envelhecendo! Assim, devemos nos preparar para envelhecer permanecendo vitais e agentes na vida; isso é uma imposição do mundo atual. Ao invés de pensarmos “já tenho quase cinquenta anos’ temos que pensar que ainda viveremos, no mímino, mais 40 anos.

É um fato que o que chamamos de jovem também vem envelhecendo: 60 anos atrás uma mulher de 40 anos era velha – os mais antigos se lembrarão da balzaquiana que só tinha 30 aninhos. Mas, ver o alargamento do período de funcionalidade do ser humano apenas como uma prorrogação da juventude nos aprisiona, pois a obrigação de permanecer jovem se choca com a realidade e consome parte da energia disponível para nos manter vitais e funcionais.

Assim, precisamos poder ser e nos nomear velhos, que não são jovens, que têm muito tempo de vida, simplesmente porque esse é já um destino anunciado e, francamente, ser eternamente jovem além de uma quimera, é cansativo.

Iaci Malta é carioca, Doutora em Matemática, Psicóloga, Psicoterapeuta em Análise Bioenergética e proprietária da pousada Barongarden, no alto da glória, no rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de ficar hospedado durante cinco dias, na ocasião em que lá estive.

Em Cristo, Sandoval Juliano, O Presbítero – 14.11.2011

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