Gênesis 26: 34 e 35

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Comentário Bíblico – Antigo Testamento – Gênesis 26: 34 e 35

  Gn 26:34 Ora, sendo Esaú da idade de quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, heteu.
  Gn 26:35 E estas foram para Isaque e Rebeca uma amargura de espírito.

          Há poucas informações sobre Esaú, o irmão gêmeo de Jacó. Não obstante, as poucas informações são suficientes para mostrar-lhe o perfil. Um filho de um homem de Deus, neto de ninguém menos que Abraão, porém decidido a não herdar as promessas que poderiam facilmente terem sido estendidas a ele, também.

          Dentre a poucas informações, temos essa de que casou-se com duas mulheres hetéias, por cujos comportamentos se tornaram para Isaque e para Rebeca uma “amargura de espírito”.

          O que pode ter contribuído para que aquelas noras se tornassem um problema e não uma bênção na família de Isaque?

          Nesta suscinta informação que colhemos em apenas dois versículos há muito mais coisas que uma simples leitura pode revelar. Há que se considerar alguns aspectos contidos nesses dados:

1º. Elas eram mulheres hetéias – Mas, quem eram os heteus? O simples fato de serem hetéias pode, de alguma forma, ter contribuído para que elas viessem a ter esse comportamento tão desagradável aos seus sogros? Não seria preconceito contra um povo, como há preconceitos regionais e culturais aqui no Brasil?

          Os heteus eram descendentes de Hete, segundo filho de Canaã, filho de Cão, terceiro filho de Noé. Canaã deu nome a todas as terras que futuramente foram conquistadas pelos descendentes de Abraão, as terras da Palestina. Nestas terras e nos seus arredores habitavam, antes de Abraão, os amorreus, heveus, jebuseus, perizeus, girgazeus, amalequitas, cananeus e também os heteus. Todos estes povos se tornaram abomináveis aos olhos do Senhor, especialmente pelas suas práticas idolátricas. Alguns desses povos tinham como forma de culto o sacrifíco de suas crianças vivas. Os heteus, em particular,  tinham como divindade principal o culto à Terra, Astarote – a “Grande Mãe”. Por 47 vezes a Bíblia faz menção da existência deste povo entre os povos contemporâneos de Abraão.

          Nas descobertas arqueológicas, sabe-se que esse povo era um povo feio, de pele amarelada, baixos e fortes com feições mongólicas, conforme eles mesmos reproduziam suas figuras nos seus próprios monumentos e nos do Egito. A palavra heteu significa “que causa terror”. Todavia, em hipótese alguma poderíamos dizer que foi por esta ou qualquer outra razão semelhante que Deus os tenha rejeitado e acerca deles tenha recomendado que os filhos de Israel não se casassem com as filhas dos heteus e vice-versa. A razão dessa recomendação divina baseava-se exlclusivamente na questão da idolatria e de muitas práticas pecaminosas que constituíam uma afronta ao Criador.

       Certamente, as noras de Rebeca trouxeram para sua casa o culto, as oferendas e muitas outras práticas e comportamentos que causaram em Rebeca todo aquele descontentamento. Quem conhece a vontade de Deus jamais se sente bem ao lado de quem pratica abominações, por mais que tente.

       Como Esaú era um homem com o coração fechado para Deus, e em face de ser preterido pela sua mãe em favor de seu irmão Jacó, e especialmente depois daquele duro golpe onde seu irmão lhe toma a bênção sob a instrução e proteção de sua mãe, então Esaú decide provocar e contrair casamento com as famílias das quais ele sabia que sua mãe e seu pai não gostavam.

2º. Esaú desonrou seus pais – Não apenas neste, mas em outro texto encontramos Esaú desonrando seus pais, quando, propositalmente contraiu matrimônio com mulheres cujas famílias não eram recomendadas pelo Deus de seus pais.

Vendo, pois, Esaú que Isaque abençoara a Jacó, e o enviara a Padã-Arã, para tomar mulher dali para si, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher das filhas de Canaã – Gn 28.6.

Vendo também Esaú que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Isaque seu pai – Gn 28.8.

Foi Esaú a Ismael, e tomou para si por mulher, além das suas mulheres, a Maalate filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote – Gn 28.9.

3º. Esaú desprezou o princípio divino da monogamia – Ele casou-se com três mulheres(Judite, Basemate e Maalate). A poligamia, no Antigo Testamento, era tolerada mas não recomendada nem instituída por Deus. Deus não condena a quem quer que seja por desobedecer aos seus princípios, mas sua bênção, promessa e proteção não se estende a quem não os observa. O princípio da monogamia foi estabelecido por Deus ao criar a Adão uma mulher e proferir a máxima que diz: “Por isso, deixará o homem seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher e serão ambos uma só carne”. Não havia espaço, neste mandamento para uma segunda mulher.

          Todo aquele que deixa de atender aos princípios divinos, quaisquer que sejam eles, torna-se sujeito a contrair problemas para os quais Deus não tem solução.

          Esses três fatores, certamente, foram os elementos que contribuíram para que as esposas de Esaú se tornassem “amargura de espírito” para Isaque e para Rebeca.

Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 22.02.2010

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