1 Coríntios 11:2 – 9

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                                                                      Para que você entenda tudo o que escrevemos abaixo, faça antes uma leitura dos versículos 2 a 9 de 1 Coríntios 11.

Comentário Bíblico – Novo Testamento – 1 Coríntios 11: 2-9.

 
  1Co 11:2 E louvo-vos, irmãos, porque em tudo vos lembrais de mim, e retendes os preceitos como vo-los entreguei.
  1Co 11:3 Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo.
  1Co 11:4 Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.
  1Co 11:5 Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.
  1Co 11:6 Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.
  1Co 11:7 O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.
  1Co 11:8 Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem.
  1Co 11:9 Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.

 

Observação: Não começamos pelo versículo 1 deste capítulo 11, por que ele faz parte do comentário do capítulo 10, uma vez que, mesmo quando da separação de capítulos e versículos ele tenha sido contado como o primeiro versículo da capítulo 11, na verdade ele é o último versículo da capítulo 10.

COMENTÁRIO:

– Seria este, um texto pretensioso?

– Não é, porventura, esse, um dos textos que pode ter sido acrescentado por copistas ao longo dos séculos, quem sabe por ordem de um papa machista?

– Seria um texto doutrinário, no sentido de que deve ser aplicado à Igreja Universal de Cristo ou, apenas à igreja em Corinto e na época de Paulo?

Estou me referindo ao conjunto de versículos que vai do 2 ao 9 de 1 Coríntios 11.

Deus interfere na cultura do homem? Deus aceita que o sirvamos em qualquer cultura? A Igreja de Cristo tem uma cultura exclusiva?

Paulo começa o capítulo 11 fazendo referência aos preceitos que ele havia deixado à igreja e que estavam sendo observados, à exceção de um, o que dizia respeito à evidência física de que a ordem das funções entre os sexos opostos estava ou não sendo observada.

Em um tribunal, aqui no Brasil, quando entramos numa sala de audiências e nos deparamos com um homem, ou uma mulher, vestidos com uma beca, sabemos que trata-se da pessoa de um(a) juiz(a). Independente da idade, da cor, da estatura, se é juiz(a) será tratado como tal e honrosamente respeitado(a). Certo? – Isto é cultura.

Em qualquer lugar onde existem atividades humanas, as posições e as funções serão distinguidas umas das outras por algum detalhe externo, seja na roupa em si, seja num distintivo que a pessoa use, seja um crachá ou qualquer outro adereço.

Na igreja Assembléia de Deus, por exemplo, é bastante desconfortável assistir a uma pregação feita por alguém que não esteja portando terno e gravata. Em nossa cultura, o pastor ou o pregador, deve usar terno e gravata. Isto pode um dia deixar de ser assim, mas até à presente data faz parte da nossa cultura.

Vem aqui uma pergunta: Cabe ao Ministério da Igreja(corpo de obreiros), legislar sobre questões relacionadas a usos e costumes? – Paulo começa dizendo que havia deixado preceitos e louva aos crentes em Corinto por havê-los observados – 1Co 11:2 . O único preceito que não estava sendo observado, agora recebe uma espécie de regulamentação.

Então, Paulo, para fazer-se entender sobre a razão pela qual havia deixado o preceito de o homem orar com a cabeça descoberta e de a mulher orar com uma cobertura sobre a cabeça, começa a descrever a ordem das funções, dentro do Reino de Deus:

Deus Pai – Cristo – homem – mulher – 1Co 11:3 .

Mas, não é machismo colocar a mulher na ponta de baixo da escada, abaixo do homem? – Não. Paulo não estava falando por si. Começou por falar o que ele sabia e como ele interpretava a Palavra de Deus.

O que Paulo fala neste versículo 3 é que existe uma hierarquia divinamente instituída, onde cada um dos três primeiros é cabeça do seguinte. Cabeça, aqui, como em aos Efésios 5, não fala de superioridade, mas de fonte de derivação de autoridade. Ou seja, Cristo provém de Deus – Jo 5:37 . O homem provém de Cristo – 1Co 11:3 . E a mulher provém do homem – 1Co 11:8 .

Nesta mesma linha de raciocínio, vemos, na Bíblia que o fato de Deus ser chamado de Pai e Cristo de Filho não faz de um maior ou superior que o outro a não ser por que um, ao outro exalta – Jo 10:30 ; Jo 17:1 .

Desta forma, ao dizer que o homem é a cabeça da mulher – Ef 5:23 , a Bíblia não a coloca em posição de inferioridade – 1Co 11:11 . Quando o homem e a mulher exercem, cada um sua função e seu papel em consideração ao do outro, ninguém é superior, mas apenas que um, perante Deus, tem responsabilidade maior como quem tem que prestar contas por ambos. Assim como é o Juiz quem responde pelo jurisdicionado, mesmo tendo ele competentes assessores que lhe ajudam a tomar decisões.

Isto posto, de acordo a cultura da época, tanto no judaísmo, quanto para contrastar com a idolátrica e promíscua prática de culto conhecida em Corinto, Paulo adverte que na liturgia do culto cristão não era conveniente ao homem ter sua cabeça coberta – 1Co 11:4 .

Quando observamos o Velho Testamento, encontramos em Levítico 19:27 o Senhor proibindo aos seus servos que cortassem os cabelos de suas cabeças de forma arredondada. É que no Egito, de onde vinham, os sacerdotes pagãos assim o faziam e Deus não queria que o seu povo estivesse associado, em nenhum aspecto, à idolatria.

Vimos aí que Deus interfere, sim, na cultura do seu povo, fazendo concessões e proibições, uma vez que Ele tem o trabalho de formar um povo oriundo de outros povos, em geral, com culturas idolátricas – Lv 20:23 .

Por isso, ao homem de Deus, não era conveniente orar com a cabeça coberta, uma vez que na época em que este texto foi escrito, a cultura deles fazia entender que quem estava com a cabeça coberta por alguma coisa, fosse homem ou fosse mulher, estava em submissão a outrem. Como o homem/macho, era o representante direto de Cristo, deveria demonstrar sua posição de liderança e supremacia, representado pela cabeça descoberta.

A partir do século XIX os judeus adotaram o uso do kipá, aquela espécie de boné, pequeno, de forma arredondada, usado pelos homens como forma de demosntrar sua submissão a D’us, Baruch HaShem, como sinal de constante aprendizado e humildade diante do Eterno, Rei do Universo. É, também, sinal da igualdade entre todos os irmãos homens. Tem servido ao longo dos séculos como educação e formação do caráter do povo de HaShem, e aos mais jovens faz lembrar a presença do Eterno. Ao utilizá-lo na Sinagoga eles estão manifestando o respeito aos Mandamentos do Eterno, principalmente, no que respeita à Vayicrá (Levítico) 19:30. (este parágrafo foi copiado do site http://ocaminho.tripod.com/VeuKipa.htm)

Ora, se esse fosse o costume na época de Paulo, ele teria dito que era desonroso ao homem orar sem o kipá.

Para nós que não somos judeus, em nossos dias, o que importa é compreendermos que Deus se agrada em que O adoremos com um postura correta(e isso é relativo à época em que vivemos) e que não imitemos às religiões pagãs em suas liturgias de culto.

Se em minha igreja o homem que ministra deve apresentar-se com terno e gravata e isto lhe é honroso e o coloca em posição de liderança, aplica-se a mim o que Paulo disse em 1 Coríntios 11:4. Não devo me sentir mais importante que minha denominação  nem à cultura que desenvolvemos. Assim,  chegar na igreja com uma roupa esporte e exigir que me ouçam com a mesma atenção como se estivesse com traje a rigor, seria desonroso.

Não obstante, por não achar que não estou preso a nenhum costume inventado pelo homem, não devo chegar na igreja com uma bata,  típica dos pais de santos da umbanda e achar que a igreja tem a obrigação de me aceitar assim, em face da minha pretensa liberdade.

Isto aplica-se, igualmente, de acordo o entendimento da época, em relação à mulher. Se para o homem ter a cabeça coberta era desonroso no sentido de que ele não estava representando bem a posição que lhe fora conferida por Deus, para a mulher ter a cabeça descoberta era também desonroso. Assim como nos países muçulmanos nos dias de hoje, as mulheres devem usar as burcas, sob pena de serem consideradas irreverentes.

Eu não vejo Paulo criando um preceito, vejo-o apenas lembrando a eles que, de acordo com o costume que eles mesmos tinham, a mulher não devia apresentar-se no culto com a cabeça descoberta para que não parecesse que ela estava desconsiderando a hierarquia divinamente instituída. Além do que, já se sabe que em Corinto haviam as prostituas cultuais que eram conhecidas exatamente pelo fato de terem suas cabeças tosquiadas.

Já que tosquiar era desonroso a uma mulher cristã em face da cultura pagã da cidade de Corinto, deixar de observar o uso do véu, seria igualmente desonroso em face do judaísmo-cristão.

Ao longo de noventa anos, aqui no Brasil, as mulheres evangélicas observaram o uso de vestidos longos e não cortavam seus cabelos por entenderem que assim elas se distinguiriam das mulheres não evangélicas. Quantas vezes o Senhor exigiu das mulheres, de algumas em particular mais que de outras, que observassem essa prática como demonstração de santidade. O Senhor sabe que esses usos um dia deixam de ser observados – Cl 2:22 , mas, enquanto prevalecer a cultura, Ele orienta seu povo a se comportar de tal maneira que, em seus dias, sejam considerados “Povo seu, especial, zeloso e de boas obras” – Tt 2:14 .

Este comentário engloba os versículos 2 ao 9.

Brevemente estarei publicando o comentário dos versículos 10 a 16 que complementa o presente comentário .

Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 14.04.2010.

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