Hebreus 1:1

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Comentário Bíblico do Novo Testamento – Hebreus 1:1  

                                                

                                      “HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho…” – Hb 1:1 .

A riqueza da revelação contida neste primeiro versículo da Epístola aos Hebreus é imensurável. A respeito de Deus, não de seus já conhecidos atributos, nem de sua divindade, mas de sua maneira de comunicar-se com os homens, alvos do seu amor. A base da comunicação entre Deus e os homens é a Bíblia Sagrada. Deus é um Deus que se revela e a revelação que obtemos de Deus não está solta, nem é aleatória. Deus teve o cuidado de entregar aos homens um manual e Ele mesmo confere a esse manual a inspiração e a autoridade que o torna norteador de toda a revelação que Ele faz de si mesmo.

QUAL A REVELAÇÃO QUE ENCONTRAMOS A RESPEITO DE DEUS EM HEBREUS 1:1?

I. QUE DEUS É O MESMO

O mesmo Deus de Gênesis 1:1; o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó; o Deus que deu a Lei a Moisés no Monte Sinai; o Deus cuja Glória Shekinah descia no tabernáculo; o Deus que enviou seus anjos a Hagar, no deserto, a Abraão no Moriá, a Jacó, no vau de Jaboque, a Josué, nas campinas do Jordão, a Gideão, na caverna, a Balaão quando cavalgava sobre sua jumenta, a Manoá quando anunciou o nascimento de Sansão, a Elias quando levou a este pão e água e a Daniel na cova dos leões; o Deus que estabeleceu juízes sobre a nação de Israel; o Deus de Elias, de Eliseu, de Isaías, Jeremias, Ezequiel e de todos os demais profetas do Antigo Testamento…

O Deus exaltado nos Salmos de Davi é o mesmo Deus que deu o seu filho unigênito para que todo aquele que nEle crer não pereça mas tenha a vida eterna; é o mesmo Deus invocado na cruz quando Jesus exclamou: Eli, Eli, lama sabactani; é o Deus que ao terceiro dia ressuscitou a Cristo dentre os mortos; é o mesmo Deus que abriu as portas da prisão a Pedro; é o mesmo Deus que veio ao encontro de Saulo, na estrada para Damasco e que o transformou no apóstolo dos gentios; é o Deus da Igreja primitiva, o Deus que operava milagres através dos apóstolos, o Deus dos evangélicos.

Este é o Deus que falou antigamente, aquele a quem os judeus, os hebreus conheciam pela Lei, pelos Salmos e pelos Profetas e que a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho…

“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” – Hb 13:8 .

II. QUE A REVELAÇÃO QUE DEUS FAZ DE SEU FILHO É PROGRESSIVA

Críticos das Escrituras têm afirmado que Jeová, o Deus apresentado no Antigo Testamento e Jesus, são tão diferentes que é preciso renunciar inteiramente ao bom senso para imaginar que possam ser a mesma divindade.

Hebreus 1:1 mostra que não há conflito na revelação que a Bíblia faz entre o Deus do Antigo Testamento e o Deus do Novo Testamento. Também não se trata da “evolução” do Deus do Antigo Testamento, que era juiz, severo, exigente quanto ao cumprimento de inúmeras leis e regras, para o Deus do Novo Testamento que é mais flexível, perdoador e bondoso.

O que este texto nos mostra é que a revelação feita por Deus no Antigo Testamento não estava completa e que agora, na pessoa de seu Filho, ela estaria pronta e acabada. “As muitas vezes e muitas maneiras pelas quais Deus se revelou aos profetas e por intermédio deles são, aqui, sintetizadas como preparatórias para a revelação perfeita no Evangelho(¹)”.

As Escrituras se preocuparam em revelar a necessidade da interferência divina na história da humanidade – “O verbo se fez carne e habitou entre nós…” – Jo 1:14 . Fez-se necessário Deus tornar-se homem, para que com isso pudesse salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus… – Hb 7:25 , uma vez que todos os recursos humanos tornaram-se ineficazes para efeitos de salvação.

(²)As verdades do Novo Testamento têm suas raízes no Antigo e não podem ser compreendidas sem ele. Assim como a disciplina deve sempre preceder a liberdade, o arrependimento o perdão, o Antigo Testamento foi um instrumento preparatório e disciplinar para a plenitude dos tempos; foi um mestre-escola, um preceptor para levar-nos a Cristo – Gl 3:24 .

III. QUE O QUE DEUS FALOU E O QUE ELE QUER QUE SAIBAMOS ESTÁ REGISTRADO NAS ESCRITURAS

A inspiração divina nas Escrituras é claramente afirmada neste versículo inicial da Epístola aos Hebreus. A pretensão do escritor é reivindicá-la, bem como declarar sua crença na infalibilidade das Escrituras. Ele está afirmando que foi Deus quem falou aos homens pelos profetas e, da mesma maneira como Deus falou aos nossos pais pelos profetas, a nós falou-nos pelo Filho. Tanto os escritos antigos, quanto os neo testamentários são inspirados pelo Espírito Santo e contém a revelação da vontade de Deus. Neste versículo, o autor está fazendo um reconhecimento da autoridade divina dos textos do Antigo Testamento.

Havendo Deus, antigamente falado…” – faz referência aos textos que eles chamavam de Escrituras e que nós conhecemos hoje como Antigo Testamento.

Devemos atentar para esta verdade central do Cristianismo. Deixar de crer na Bíblia como a infalível Palavra de Deus joga por terra toda crença, toda doutrina e toda a Revelação. Aquele que assim o faz está fadado ao fracasso em todas as áreas na sua vida: Na vida espiritual, no ministério que recebeu do Senhor, no casamento, na criação dos filhos e nos negócios. O escritor da Epístola aos Hebreus pergunta no capítulo 2: “Como escaparemos nós se não atentarmos para esta tão grande salvação?

Tudo o que precisamos saber a respeito de Deus, de Sua vontade e de como devemos realizar Sua obra está contido nas Escrituras Sagradas. Qualquer revelação, profecia, sonho, interpretação ou seja lá o que for, que vá além do que a Bíblia diz deve ser considerado anátema. O Espírito Santo não traz nenhuma nova revelação, nenhuma nova visão, nenhum novo plano. Para a Igreja e para a família, basta o que a Bíblia diz.

Eu tenho presenciado pessoas que desprezam esta verdade e até ridicularizam os que a seguem, mas, todos quantos têm feito isto, tem sucumbido, têm sido abandonados por Deus e vivem desorientados e fracassados. Pastores que têm entrado por este caminho, o do desprezo pelas verdades bíblicas, têm perdido suas famílias, tornam-se pastores com ministerio frustrado, sem pasto verde para oferecer para suas ovelhas.

Se, por alguma razão você tem deixado de acreditar na Bíblia Sagrada como a santa, bendita e gloriosa Palavra de Deus, faça como fez o autor do Salmo 119, no versículo 59: “Considerei os meus caminhos, e voltei os meus pés para os teus testemunhos”.                   

Em Cristo, Sandoval Juliano – O Presbítero – 05.02.2012.

 

(¹), (²) Estes parágrafos são cópias de parte do texto do livro Comentário Exaustivo da Carta aos Hebreus, de Orton H. Willey, publicado na língua portuguesa pela editora Central Gospel, pgs. 45 e 53.

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