João 3:13

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Comentário Bíblico – Novo Testamento – João 3:13
 
  Jo 3:13 Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.
Três verbos foram usados neste versículo: subir, descer e estar. O propósito de Jesus não era ensinar sobre sua onipresença, mas dar autenticidade ao que Ele estava ensinando. E isto se deveu ao fato de que Nicodemos estava nivelando Jesus a todos os outros profetas de honra de Israel e não esperava ouvir dele uma sentença que não fosse fruto, apenas, da inspiração divina.
Jesus queria que Nicodemos, os fariseus e todos os que o procuravam constantemente, entendessem que Ele não falava as palavras de Deus como por inspiração, da maneira como os profetas haviam falado. Ele era vindo de Deus e suas palavras eram resultado do conhecimento que Ele tinha de Deus e de Sua vontade, uma vez que Ele era o próprio Deus – Jo 1:14 .
Enquanto esteve na terra, Jesus não subiu ao céu, fisicamente, nenhuma vez. E, por ter se esvaziado de sua glória  e da posição privilegiada que desfrutava junto ao Pai, quando se tornou homem ( Fp 2:7 .), não podia estar na terra e no céu, naquele exato momento.
Bem, se Ele não “subiu” e também não “estava”, então dos três verbos só um, ao pé da letra, está correto, “desceu”.
Parece que estamos diante de uma flagrante discrepância textual e até doutrinária, a não ser que entendamos este texto sob um ou outro dos pontos de vista abaixo:
1º. A primeira hipótese é a de que a primeira parte do versículo, onde se encontra o primeiro verbo “subir” – “Ninguém subiu ao céu” – pode ter sido um comentário feito pelo próprio escritor do Evangelho, no caso João, semelhante ao comentário que ele fez no capítulo 1 e versículo 18 quando disse: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou”. Essa expressão: “que está no seio do pai” é um comentário do próprio escritor do livro, no caso João, uma vez que o esse livro foi escrito muitos anos depois da ascensão de Cristo.
2º. A segunda hipótese, é que a última parte do versículo – “que está no céu” – tem sido interpretada como sendo alguma provável nota de rodapé que foi inserida no texto por algum copista a partir do século V, já que os manuscritos anteriores a esta data não registram esta expressão. O Dr. Bart D. Ehrman, considerado a maior autoridade em Bíblia no mundo, trata com bastante detalhe, desta realidade já constatada pelos pesquisadores dos textos originais, em seu livro O Que Jesus Disse? O Que Jesus Não Disse? Quem Mudou a Bíblia e Por quê? Publicado no Brasil pela – Prestígio Editorial.
O teólogo Maurício Capellari, professor da Faculdade Teológica da Assembléia de Deus em Curitiba, em um artigo no jornal O Mensageiro da Paz, edição de julho de 2006, disse que neste caso, pode ter acontecido um anacronismo (texto fora da ordem cronológica), referindo-se à ascensão de Cristo.
Não dá para não acreditar nisto, uma vez que em nossos dias temos um número enorme de traduções da Bíblia que, quando colocadas lado a lado, apresentam diferenças que já começam a ficar gritantes. Cada vez que eu vou a uma livraria evangélica vejo uma nova Bíblia de Estudo prometendo ser mais fiel aos originais que as outras. Imagine isto nos primeiros séculos! No entanto, é apenas uma hipótese.
3º. A outra hipótese, que é a minha hipótese, é a de que Jesus utilizou-se de um recurso lingüístico onde, falar que Ele tinha subido ao céu e que também estava no céu, tinha o único objetivo de enfatizar o fato de Ele ter descido, ter vindo do céu e, por isso ter um conhecimento superior ao de qualquer profeta que eles admirassem. Jesus havia dito no versículo 11 que testificava das coisas celestiais, as quais Ele sabia e tinha visto e no versículo 13 o Mestre diz o porquê desta autoridade: Porque tinha descido do céu. Desta forma, Jesus estava dizendo a Nicodemos que Ele era capaz, adequado e estava completamente capacitado para revelar a vontade de Deus, devido a sua origem, ao lugar de onde tinha vindo.
O fato de Jesus Cristo ter se esvaziado de sua glória não significa que Ele deixou de ser Deus. Jesus era Deus conosco. Jo 14:9 ; Jo 14:11 . Ora, se Jesus era Deus, não ficou privado de sua onipresença. Ele apenas não fazia uso de seus atributos divinos para não tornar-se imune às provações e às tentações. Senão, Ele não teria pago o preço da redenção exigido pelo propósito divino estabelecido por Ele mesmo.
Portanto, se estava no Pai e o Pai nEle, não há contradição nenhuma nas expressões subiu e está. Não havia subido fisicamente, mas a conexão entre Ele e o céu, certamente estava estabelecida vinte e quatro horas por dia. Nenhuma decisão deve ter sido tomada, no céu, por Deus, sem a participação da segunda pessoa da Trindade, durante aqueles trinta e três anos e meio em que esteve aqui na terra. O céu, para nós, é um lugar fixo e distante, para a divindade, no entanto, qualquer lugar onde Deus esteja, esse lugar é ou se torna o céu.
O teólogo Matthew Henry disse que: “Em sua natureza divina, Cristo é aquele que DESCEU do céu. Em sua natureza humana, Ele é o Filho do Homem e, na união destas duas naturezas, Ele é aquele que ESTÁ no céu, mesmo quando está na terra”.
Essa união é tão sublime que em Atos 20.28 diz que “Deus resgatou a igreja com seu próprio sangue”. Deus tem sangue? Poderia Deus ter sido crucificado? – 1Co 2:8 . Todavia, em Cristo, no Filho do Homem, Deus estava presente no mundo habitável pelo homem.
Portanto, se houve qualquer inserção de alguma variante ao texto original, até nisto houve inspiração divina, sem que alguém tenha feito isto com esta intenção ou, presumindo estar inspirado para acrescentar qualquer coisa à Bíblia Sagrada.

Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 05.04.2010

Fontes consultadas:
Jornal Mensageiro da Paz – nº 1454 de julho de 2006 – Pág 17
Livro Comentário Bíblico do Novo Testamento – de Matthew Henry
Livro O Que Jesusu Disse? O Que Jesus Não Disse? Quem Mudou a Bíblia e por quê? de Bart D. Ehrman

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