Lucas 11: 5 – 13

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Comentário Bíblico – Novo Testamento – Lucas 11:5-13.

 
  Lc 11:5 Disse-lhes também: Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,
  Lc 11:6

Pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe;

  Lc 11:7 Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar;
  Lc 11:8 Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.
  Lc 11:9 E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á;
  Lc 11:10 Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á.
  Lc 11:11 E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?
  Lc 11:12 Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
  Lc 11:13 Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?

Essa é a conhecida Parábola do Amigo Importuno

Uma das preocupações que Jesus teve, em relação ao seu povo, foi quanto à oração. As religiões pagãs em todo o mundo têm seus métodos próprios de fazer suas orações. Uma das principais características observadas em todas elas é o incentivo à persistência na oração e a repetição de frases decoradas. No Islamismo existe o Dhikr(… é uma prática islâmica, mais concretamente sufi, de oração repetitiva e ritmada). No Catolicismo existem as rezas (terços – é a chamada oração do santo rosário, onde várias orações são feitas de forma intercaladas e repetitivas até que se complete um círculo. Um rosário tem 15 dezenas de contos…). No Hinduísmo e no Budismo existe a Japamala que é uma espécie de rosário de orações com 108 contas.

No Reino dos Céus, uma das coisas que mais incomoda a Jesus – Aquele que ouve e responde as orações, e ao Espírito Santo – Aquele que nos auxilia em nossas orações, é quanto às formalidades, as frases repetitivas, a insistência e a falta de compromisso com o que se está pronunciando em oração.

Para Jesus, um gemido sincero, ou uma lágrima que escorre pela face, fala mais que uma hora de oração. Para começar, Deus é espírito e no mundo espiritual nossas palavras não têm o mesmo sentido que no mundo material. Deus não ouve palavras, apenas. Se as palavras não estiverem acompanhadas de devoção e sinceridade, e não estiverem em sintonia com Sua soberana vontade, elas evaporam e não alcançam os ouvidos do Pai. Porque “Deus é espírito e importa que os que O adorem O adorem em espírito e em verdade”.

Por isso Jesus propôs mais uma parábola com o propósito de nos ensinar pincípios absolutamente necessários a se observar sobre a oração. Nesta, em particular, Jesus ressalta o lado positivo e o lado negativo da oração.

O LADO POSITIVO DA ORAÇÃO – Deus ouve e responde nossas orações! – Essa é a grande verdade, da qual devemos nos apropriar sempre. E não apenas isso, mas, como o pai que não dá pedra ao filho que lhe pede pão, nem serpente ao que lhe pede peixe, nem escorpião ao que lhe pede ovo, assim Deus, nos dará as suas dádivas quando lhe pedirmos. Esse é o lado positivo da oração. Deus nos dá essa garantia, na pessoa bendita de Seu Filho Jesus Cristo.

O LADO NEGATIVO DA ORAÇÃO – Eu tenho observado, e poucos são os pregadores que pregam isto, que a oração tem seu lado negativo. Quando Jesus disse que o pai de família que já estava deitado, terminaria atendendo ao pedido do vizinho, não mais por sua amizade e consideração, mas por sua insistência, Jesus estava querendo dizer que vai ter pedido nosso que Deus vai terminar respondendo, mas contra a Sua vontade. Quando o Senhor responde alguém contra Sua vontade, essa resposta não vem acompanhada de Sua bênção. Eu tratei deste tema, muito recentemente, na coluna Cartas, quando respondi à pergunta de um internauta que perguntou se Deus responde a uma oração que Ele não queria responder.

Qual é a oração que agrada a Deus? – É a oração que é feita em sintonia com a Sua gloriosa vontade, que visa, primeiramente o Reino dos céus e o louvor de Sua glória. Orações egoístas, puramente interesseiras, orações que só atendem às nossas necessidades pessoais, em geral não estão em sintonia com a vontade divina. 
 
Há momentos que o Senhor nos fará sentir que a adversidade que estamos enfrentando será necessária e que no fim trará crescimento à nossa vida espiritual e à Sua obra. Neste caso, não deveremos orar para que o Senhor repreenda “àquele mal,” ou que nos livre “daquela tribulação” ou que nos “abra a porta” que está a se fechar – Jó 2:10 .
 
Se formos do tipo de crente que realmente tem compromisso com o Senhor e quer que sua vontade “seja feita aqui na terra como nos céus”, em determinados momentos deixaremos de pedir uma bênção que nos interessa e que além de tudo é um direito nosso. Nossa oração será mais ou menos assim: “… Passa de mim este cálice, senão, seja feita a tua vontade”.
 
Quando o rei Ezequias recebeu a mensagem de Deus através do profeta Isaías, mensagem esta que comunicava a vontade de Deus em relação ao seu tempo de vida aqui na terra, ele chorou copiosamente e clamou a Deus para que revogasse o seu decreto. O Senhor lhe ouviu e lhe atendeu – 2Rs 20:5 . – Você poderia me perguntar: Onde está o lado negativo desta história? – E eu lhe direi: Ezequias viveu mais quinze anos fora dos planos de Deus. A resposta de sua oração não veio acompanhada com as bênçãos de Deus. Em Salmos 106:15 diz assim: “Concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma”. 
 
Um pedido fora da vontade de Deus, geralmente resulta em calamidade.  Aquele pai de família, da parábola em questão, levantou e emprestou os pães que seu vizinho lhe solicitou, mas, com certeza, o relacionamento entre eles ficou arranhado.
 
Ao orarmos, devemos levar em consideração que nossa oração é o exercício de uma parceria entre nós e o Espírito Santo. Só que o Espírito Santo sabe, muito bem, o que nós realmente necessitamos. Deixemos que Ele nos oriente sobre o que devemos pedir e quando pedir.  Este é o princípio fundamental da oração bem sucedida!
 
Sendo assim, o que Jesus quis dizer com: E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á? – Lc 11:9 .
 
Acontece que mesmo quando oramos em sintonia com a vontade de Deus, existem obstáculos que se apresentam para que não desfrutemos da resposta de nossa oração. Ou porque Deus está trabalhando para nos dar o que pedimos no momento mais apropriado, ou porque o inimigo interferiu no processo. Basta lembrarmos do caso de Daniel, que permaneceu 21 dias em oração e jejum até obter a resposta a uma oração. Ao fim desse período o anjo lhe explicou o motivo da demora na chegada da resposta: “Desde o dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia“. Por isso, se faz necessário ser persistente e apenas nesses casos. Quando sabemos que o que pedimos interessa ao Reino de Deus e vai ser uma bênção para nossa vida; quando sentimos em nosso espírito que o que pedimos está em sintonia com a orientação do Espírito Santo e mesmo assim a resposta não veio, então o próximo passo é: Pedir, bater e buscar.
 
Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 01.09.2010.

 

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