Lucas 15: 1 – 7

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Comentário Bíblico do Novo testamento – Lucas 15:1-7

 
  Lc 15:1 E CHEGAVAM-SE a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
  Lc 15:2 E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.
  Lc 15:3 E ele lhes propôs esta parábola, dizendo:
  Lc 15:4 Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?
  Lc 15:5 E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso;
  Lc 15:6 E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
  Lc 15:7 Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

 

Esta parábola engloba dois sujeitos. Primeiro, a ovelha, depois o pastor. A ovelha perdida refere-se àquela pessoa que estava aos cuidados de um pastor, era membro de uma igreja, estava ligada a um rebanho do Senhor e em determinado momento desgarrou-se. Não se trata daquela pessoa que vai para longe do redil, como o filho pródigo. É alguém que está por perto.

O pastor, refere-se ao ministério que Deus confiou a alguns homens, cuja responsabilidade é de apresentar ao “dono da obra” – ao Senhor, o Sumo Pastor, tanto as ovelhas que lhe foram confiadas, quanto aquelas que porventura venham nascer como produto do seu trabalho.

Os publicanos e pecadores, citados no versículo um que íam ao encontro de Jesus e que no versículo dois são alvo de discriminação dos fariseus e escribas, eram as ovelhas perdidas da casa de Israel. Na condição de condutores espirituais de seus dias, os fariseus tratavam as ovelhas que se desgarravam por algum motivo, como indignas de voltarem ao aprisco. Fechavam a elas as portas do Reino dos céus – Mt 23:13 . Naquele momento, estavam reunidos no mesmo lugar, as ovelhas perdidas e os pastores, mas eles não enxergavam-nas como ovelhas perdidas. A atenção deles havia se desviado para outras questões que julgavam mais interessante. As ovelhas estavam ansiosas para retornarem, desejosas de comerem em pastos verdejantes destinados ao rebanho do Senhor. Elas estavam sequiosas, cheias de carrapicho, atormentadas pelos insetos em suas narinas… Mas os “pastores” tinham questões mais urgentes para cuidarem. Eles havam alcançado um patamar no qual não lhes era mais conveniente tirar espinhos das patinhas de ovelhas desobedientes…

O olhar de Jesus ía além daqueles limites ali. Ele via os pastores de todas as épocas, representados nas figuras emblemáticas que estavam diante de si. Quando Jesus convoca a Pedro, depois da ressurreição, Ele disse, por três vezes e em tom bastante comprometedor: “Apascenta as minhas ovelhas”. Jesus sabe o quanto algumas ovelhas são problemáticas, mas Ele deseja, de coração, que suas ovelhas sejam apascentadas. No capítulo 10 de João Jesus havia dito que tinha outras ovelhas que não eram “deste aprisco”, mas que convinha agregá-las. Disse ainda que para elas haveria um redil e haveria um pastor.

Ser pastor é uma santa convocação. É uma sublime e importante tarefa dentro do Plano de Salvação elaborado por Deus, antes da fundação do mundo. Quem critica a figura do pastor, não compreende a obra de Deus. Jesus é pastor. Ser pastor é ser um representante dEle na execução de Seu projeto.

Vivemos em dias tão difícieis, em que por um lado algumas pessoas não querem ser ovelhas. Por outro lado, pastores fazem mal uso do cajado que lhes foi confiado. Tanto um como outro estão errados. Todo crente precisa ser ovelha e, portanto, precisa ser pastoreado. E, todo pastor precisa compreender a importância de seu serviço e fazê-lo com muito zelo, como quem haverá de prestar contas diante dAquele que deu a Sua vida pelas ovelhas.

Nesta parábola, o pastor não é um executivo da obra de Deus. Não é alguém que se ocupa em atividades paralelas e delega a outrem a sua responsabilidade. O pastor passa o dia com as ovelhas, ele mesmo as recolhe ao aprisco e, na eventual falta de alguma ovelha, ele sai, pessoalmente à procura dela. 

Um outro detalhe desta parábola que é muito importante de ser observado é o fato de cada rebanho ter cem ovelhas. Um pastor que tem mil ovelhas, certamente não terá como acompanhar o desempenho e a situação em que cada uma se encontra. Se cada grupo de cem tivesse um pastor e cada pastor fosse comprometido com o seu rebanho, o Reino de Deus seria muito maior e um número cada vez maior de ovelhas teria o cuidado que precisa ter. Sem contar que se assim fosse, os pastores não teriam a “posição” de destaque que alguns alcançam e em função disto se julgam os “donos” da obra. Cada um seria apenas um pastor e como o interesse seria apenas o Reino de Deus, não haveria alguns mais poderosos que outros… Então, cada pastor, ao recolher dos “buracos da vida” uma ovelha perdida, chamaria os outros para se alegrarem com ele. Hoje em dia, um pastor só chama o outro, para comemorar seu aniversário… As ovelhas que se cuidem, ou, que “cuidem de nós”!

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano – 08.10.2010

 

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