Lição 8 – Quais São os Ídolos do Coração?

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Na aula que tivemos hoje(dia 24.05.2009), na Escola dominical em nossa igreja, o irmão Jefferson Pereira que ministrou o ensinamento, suscitou um  questionamento ao 3º subponto do II Ponto, o que trata da “idolatria do coração”. Ele observou que os cinco itens que são citados pelo Pr. Antonio Gilberto, denominado por ele de “deuses modernos”, na verdade não são deuses, sob qualquer hipótese. Deuses, ou ídolos são elementos externos e constituem-se de um objeto de culto com uma imagem, um ente espiritual que recebe um nome e do qual se diz que tem características específicas, que se destina a um determinado propósito e que cerca-se de sacerdotes, sacrifícios e rituais.

Dos textos bíblicos citados para fundamentar o argumento do comentarista da lição, um deles é o do Ezequiel 14.3. Apesar de aparecer claramente a expressão “ídolos do coração”, todavia refere-se a ídolos mesmos, deuses de outras nações, que não eram apenas amados, mas cultuados por aquelas pessoas citadas por Deus ao profeta. Provavelmente eles haviam adotados esses ídolos omo seus padroeiros.

O segundo texto que não pode servir de base para fundamentar a tese do comentarista é o de 1Jo 5.21. Como foi observado pelo nosso professor acima citado, absolutamente, com todo o respeito, o apóstolo João não está fazendo referência nenhuma a ídolos do coração. A idolatria combatida por João em sua epístola é a que diz respeito ao anti-cristo, que será um personagem a quem os homens adorarão e cultuarão, sob pena de serem mortos. Aqueles que não observam a recomendação do versículo 21 do capítulo 5, terão facilidade para aceitarem a imposição de se encurvar perante a imagem do anti-cristo, como descrita em Apocalipse 13.

Portanto, apesar de sabermos que existem pessoas que idolatram coisas ou pessoas que na verdade não são deuses e nem são objetos de cultos; apesar de existirem “ídolos do coração”, não podemos defender uma tese forçando a Bíblia a dizer o que queremos que ela diga, como fez o comentarista da lição neste ponto específico. As regras da Hermenêutica são bem claras a respeito disto e uma delas diz que na interpretação bíblica, o texto deve ser explicado pelo contexto próximo ou geral. Uma segunda regra diz que a palavra não pode ter o seu sentido divorciado da frase a que ela pertence. No caso deste texto bíblico não há qualquer menção a “ídolos do coração”, nem na frase nem no contexto. Neste caso a palavra “ídolos” tem que ser entendida apenas como “ídolos” mesmo.

Sabemos que o apego exarcebado ao dinheiro, sucesso, poder, trabalho e prazer – é pecado. Porém, é um pecado que faz parte de uma outra categoria de pecado que não a idolatria. Pode-se observar que todos os cinco itens estão relacionados aos “sete pecados capitais”, mas nenhum se torna objeto de culto com regras e liturgias, nem são regidos por uma entidade específica que requer sacrificio e adoração.

Por fim, há um outro aspecto que deve ser levado em conta: Sabemos que alguns deuses da mitologia grega ou egípcia exigiam em seus cultos a orgia coletiva. Existiam em seus templos as prostitutas sagradas, como era o caso em Corinto. Isto não significa que toda pessoa que pratica a orgia coletiva esteja cultuando ou seja devota daquele deus ou deusa.

Espero que, ainda que tardio, este comentário sirva para ajudar àqueles que estudaram a lição e que perceberam esse equívoco no comentário do Pr. Antonio Gilberto. Equívoco esse que se evidenciou por fundamentar uma tese com texto bíblico que não diz o que ele queria que dissesse. Fora esse ponto, concordamos em gênero, número e grau com o nobre e douto comentarista da Revista Lições Bíblicas, que também é o Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD e CGADB.

Agradeço ao irmão Jefferson Pereira, que foi nosso professor na Escola Dominical em nossa igreja no dia de hoje e que esclareceu mui sabiamente esse ponto.

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano.

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