Quem Era Simão, o Zelote?

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      E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão o Zelote” – Marcos 3.18

Em quatro textos bíblicos neo-testamentários aparecem a palavra ZELOTE, todas as vezes que refere-se a um certo discípulo chamado Simão, dentre os doze. Não se trata de Pedro que às vezes era chamado de Simão Pedro.

Ser Zelote era ser membro de um grupo religioso extremamente zeloso por duas instituições consideradas sagradas para os judeus: o templo e a Lei. O nome zelota vem de um termo hebraico – kanai que significa ser zeloso por, ou ser ciumento por Deus. Esse grupo surgiu por volta do ano 6 d.C. e foi liderado por Judas, o Galileu. Eles pretendiam, inicialmente, defender os bens dos judeus que estavam sendo confiscados injustamente por soldados romanos. Em seguida, acharam que haviam sido escolhidos por Deus para a importante missão de exterminar os ímpios.

Na verdade, sempre existiu em Israel pessoas extremamente zelosas pelas coisas de Deus. Quando digo extremamente zelosas estou falando de pessoas que são capazes de matar, de forma impiedosa, para defender os princípios nos quais creem, como os xiitas e outros grupos radicais do islamismo atual.

Na Bíblia, desde os primórdios da história dos judeus encontramos pessoas com esse perfil. Simeão e Levi, dois filhos de Jacó, mataram um povoado inteiro só porque um dos rapazes daquele povoado desonrou a sua irmã Diná. Durante o êxodo, Finéias, o neto de Aarão, atravessou um casal com uma lança e de um só golpe, apenas porque os considerou culpados de uma praga que se desencadeou no meio do povo.

Mais à frente encontramos a Jeú, um homem extremamente zeloso que fez cumprir todas as profecias dos servos do Senhor contra a família de Acabe e especialmente com a rainha Jezabel.

No tempo dos Macabeus, a história registra a existência de pessoas com esse comportamento, a exemplo de Matatias. Para essas pessoas, qualquer um que infringe as Leis de Moisés é merecedor de morte, sem julgamento com direito à ampla defesa. Na maioria das vezes eles exibiam a cabeça da pessoa executada para comprovar que foram eles mesmos quem executaram. Em outras palavras, em termos atuais, ser zelote é ser um terrorista.

Na época de Jesus os zelotas já não se ocupavam de punir seus próprios compatriotas, uma vez que havia um número mui grande de romanos, principalmente na cidade de Jerusalém e que cometiam sacrilégios constantes, desrespeitando ou profanando o templo e suas  adjacências. Os zelotas tinham como inimigos todos aqueles que “profanassem” o templo ou algum lugar considerado sagrado. Chegaram a ser chamados de “seita” devido a criação de doutrinas e princípios específicos para quem pretendesse fazer parte do grupo.

Como ele diziam-se defensores do sagrado, acreditavam piamente que eram instrumentos de justiça nas mãos de Deus e, além do mais, tinham a bênção dos sacerdotes para executarem linchamentos imediatos, como no caso de Estêvão, em Atos 6.

Flávio Josefo chama-os de “salteadores” e de “bandidos” em suas várias citações. Somente na insurreição judaica de 66 d.C. ele os chama pela primeira vez de “zelotas”.

Paulo, fazendo referência a si mesmo, diz ter sido um zelote religioso – Gálatas 1:14 . Mas, como diz a Bíblia que tudo o que o homem planta colhe, o apóstolo Paulo não foi assassinado por romanos. Sua decapitação ocorreu em Roma, porém foi executada por zelotes, na via Ostiense, porque desde que converteu-se, a caminho de Damasco, foi considerado pelos zelotes como traidor. Daí ter sido tão perseguido por seus compatriotas.

O seja, entre os doze discípulos de Jesus haviam dois pescadores, um alfandegário e um ex-terrorista, o Simão.

Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 21.11.2009.

 

 

Fontes de consulta:

Livro: A Palestina no Tempo de Jesus – Edições Paulinas,de Christiane Saulnier e Bernard Rolland;

Livro: A História dos Hebreus – de Flávio Josefo.

Site: http://g23hi.blogspot.com/2009/01/os-zelotas-quem-foram.html

Site: pt.wikipedia.org/wiki/Zelota

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