O menino que Jesus tomou em seus braços

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                                                                   E, lançando mão de um menino, pô-lo no meio deles e, tomando-o nos seus braços, disse-lhes: Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou.  

Marcos 9:36,37.

Na esperança de que Jesus faria uma revolução armada e, com imenso poder destronaria os romanos e seria, então, o Messias, o Rei prometido por Deus, os discípulos começaram a cogitar a possibilidade de se organizarem e cada um deles, por terem sido escolhido pelo Mestre, ocuparia uma posição de destaque no novo reino por Ele implantado. Como todos os seres humanos, eles também desejavam saber por quem Jesus tinha mais preferência e quem, dentre eles, seria o primeiro-ministro, o “maior”.

Essa discussão se deu à revelia de Jesus. Era apenas uma cogitação entre eles. No entanto, Jesus, Mestre por excelência, conhecendo a ansiedade que pairava no rosto de cada um, discerniu-lhes o espírito e em um momento oportuno, aproveitando a aproximação de um menino, o chamou para perto de si, pegou-o em seu colo e disse aos discípulos: “Qualquer que receber um destes meninos em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber, recebe, não a mim, mas ao que me enviou”. 

Na vida e no ministério do Mestre, nada acontecia por acaso. Todos quantos passavam por Ele, ou de alguma forma se envolviam com Ele, teriam uma consequência disto no futuro. Não foi diferente com aquele menino.

Mas, quem foi aquele menino e o que a história tem a dizer sobre o destino dele?

Inácio de Antioquia. O ancião que no ano 107 foi condenado à morte por causa do Evangelho e levado preso à Roma para servir de espetáculo no Coliseu. O Senhor não nos deixaria sem esta informação. A história registra que esse bispo se tornou a maior autoridade eclesiástica no início do século II, em função do testemunho que dava de ter conhecido o Mestre em sua infância. Os apóstolos, a essa altura, já haviam morrido, todos. Ficaram apenas discípulos deles. Inácio, então, era um dos últimos que podia dizer ter conhecido pessoalmente o Senhor Jesus.

Na viagem que fez de Antioquia até Roma, levado a morrer, o seu algoz lhe foi bastante benéfico e deixou que ele escrevesse cartas. Nas cidades onde parava, O Bispo Inácio encontrava-se com os crentes, especialmente com os pastores das congregações. Ali ele distribuía suas cartas epistolares, com instruções para as diversas Igrejas da Ásia Menor. E, mesmo tendo sido instado a fugir, não o fez. Quando os crentes de Roma lhe comunicaram que estavam trabalhando para conquistar sua absolvição, ele não admitiu. Disse que queria selar seu testemunho com seu sangue. São dele as palavras “Sou trigo de Deus e os dentes das feras hão de me moer, para que eu possa ser oferecido como pão limpo a Cristo”.

Foi de uma das sete cartas que escreveu durante a viagem que se depreende ter sido ele o menino que Jesus tomou no colo e o pôs por exemplo do que Jesus espera que sejamos em seu Reino. Ele foi apelidado “levado por Deus”, ou “aquele que Deus levou em seu colo”.

Sem aceitar qualquer impecilho, ele foi executado no Coliseu, devorado pelas feras, glorificando a Deus e apresentando-se como libação perante Seu altar. São atribuídos a Inácio de Antioquia o fundamento de muitos pontos doutrinários que hoje são conhecidos e ensinados pela Igreja.

Em Cristo, sandoval Juliano – O Presbítero, 27.09.2011.

 

Fonte de consulta: Livro: A Era dos Mártires – Autor: Justo L. González – Editora Vida Nova

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