Os Nomes Pelos Quais Deus é Conhecido

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Quando Moisés recebeu o chamado de Deus para liderar o êxodo, ele teve uma preocupação: saber dizer  às pessoas qual  o nome do Deus que o havia enviado. Afinal de contas, haviam vários deuses no Egito e todos eles eram conhecidos por seus nomes e características específicas.

No Oriente, especialmente nos tempos primitivos, o nome de alguém era dado de acordo com a função que a pessoa desempenharia no mundo ou em função de algum incidente ou acontecimento marcante na vida dos pais. Um chefe religioso, um patriarca experiente, em geral, tinha uma espécie de intuição sobre o que aquela criança representaria ou que papel desempenharia na família ou na sociedade. Daí, eles criavam um nome, caso já não existisse algum nome que representasse aquela função ou que pudesse traduzir o sentimento dos pais. Na China, por exemplo, ainda nos dias de hoje, de acordo com o incidente ou com a função que a criança venha desempenhar, busca-se um ideograma que melhor represente a função. Escolhido o ideograma, surge então o nome.

O nome, então, torna-se uma marca registrada daquela pessoa e às vezes daquela família.

Segundo o Pr. Severino Pedro da Silva, num prefácio que faz no livro “Os Nomes Bíblicos e Seus Significados“, do autor Evandro de Souza Lopes, para os judeus dos tempos do Antigo Testamento o nome fazia parte integral do indivíduo, e exercia influência sobre o caráter e até sobre o destino. Apegavam-se de tal fato a isto que um rabino chegou a dizer: “A condenação do céu pode ser modificada por uma mudança de nome”.

A Advogada Chris C. N. Mibielli, em seu site diz o seguinte: “O nome próprio é a primeira referência de um indivíduo, o que indica que ele é uma pessoa, o que o identifica, individualiza e o torna conhecido como “ser”. Quando a pessoa não se identifica com o nome que seus pais lhe deram, é comum querer mudá-lo, e pode.O nome é um direito garantido na nossa Constituição, que consagrou o princípio da dignidade da pessoa humana em seu texto, nenhuma pessoa está obrigada a carregar um nome, pelo resto de sua vida, se o nome não reflete a identidade daquela pessoa, pois a pessoa deve ser chamada pelo nome que a identifica, que a individualiza, vale dizer, pelo nome pelo qual ela é conhecida, seja no meio social, seja no meio familiar, seja no meio profissional”.

Quanto aos deuses, a mitologia mostra essa mesma preocupação,  na lenda egípcia de Ísis vemos a deusa milagrosa recusando-se a curar “Ra” da mordida de uma serpente enquanto não dissesse o seu nome, no qual residia o segredo do seu poder.

Moisés, então, diante da revelação da “sarça ardente”, pergunta ao Senhor o seu nome. Que deus haveria de constituir alguém para uma nobre missão e lhe negaria revelar o seu nome?

O que Moisés não sabia e nem imaginava é que o nome do Deus diante do qual ele encontrava-se não era um nome do qual se tinha conhecimento até então. Não era um nome daqueles que um pai põe em um filho e que lhe confere apenas uma identificação, uma marca ou um destino. Deus faria, naquele momento, uma revelação surpreendente, o que mostra o quanto o Senhor estava depositando em Moisés toda confiança. 

 

  Ex 3:14 E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.
  Ex 3:15 E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração.

Parecia muito mais uma impersonalização que uma revelação de um ser pessoal. No entanto, Deus estava revelando que seu nome não está “preso” a um significado específico. É um nome livre que pode formar um nome composto, de acordo com algum aspecto de sua personalidade.

Além do que, “EU SOU O QUE SOU”(Ego eimi ho ôn), como traduzido para o português, em algumas versões hebraicas aparece “EU SOU O QUE É”(Ehiéh ashér ehiéh). Ou seja, esta expressão indica que Ele era realmente o Deus que existia, o único que existe, em contraste com todos os deuses conhecidos pelos egípcios e outros povos que tinham um nome mas não “eram”, não existiam.

Como na China, que citamos acima, os judeus criavam seus tetragramas – palavra, nome ou símbolo formado por quatro letras(exemplo INRI) para poderem representar algum nome, frase, título, profissão ou sentimento. De acordo com a tradição judaica EU SOU O QUE SOU seria melhor representado pelas letras יהוה (YHMH).Trata-se da terceira pessoa do imperfeito no singular do verbo ser.

Os nomes Javé(YaHVeH) e Jeová(YeHoVaH), são transliterações possíveis nas línguas portuguesas e espanholas uma vez que esses idiomas tem como característica principal o uso de vogais.

YHWH aparece mais de  6.800 vezes na Bíblia, sozinho ou em conjunção com outro nome ou palavra. A riqueza e a singularidade do nome do Deus da Bíblia é exatamente esta possibilidade de o seu nome ser pronunciado e louvado de acordo com algum aspecto de sua personalidade, que é inigualável, incomparável.

Desta forma o nome do nosso Deus é mais do que um simples nome e pode ser expresso em conjunto com títulos honoríficos. Veja alguns dos títulos que o seu nome permite compor:

Avinu Malkenu – Pai Nosso, Rei Nosso

Jeová Boreh – O Criador

Elohei Avraham, Elohei Yitzchak ve Elohei Ya`aqov — “D-us de Abraão, D-us de Isaque e D-us de Jacó”

El ha-Gibbor — “D-us Forte”.

Jeová Emet — O Deus da Verdade.

E’in Sof — “Infinito”, nome cabalístico de D-us.

Ro’eh Yisrael — “Pastor de Israel”.

Ha-Kaddosh, Baruch Hu — “O Santo, Bendito Ele”.

Kaddosh Yisrael — “Santo de Isarell“.

Melech ha-Melachim — “O Rei dos Reis”.

Magen Avraham — “Escudo de Abraão”.

YHWH-Yireh (Jeová Jireh) — O Deus da provisão (Gênesis 22:13, 14).

YHWH-Rapha (Jeová Raphá) — O Senhor que te sara (Êxodo 15:26).

YHWH-Niss”i (Jeová-Nissi) — “O Senhor é nossa bandeira” (Êxodo 17:8-15).

YHWH-Shalom (Jeová-Shalom) — O Senhor é a nossa paz” (Juízes 6:24).

YHWH-Tzidkenu (Jeová-Tzdkenu) — O Senhor é nossa Justiça” (Jeremias 23:6).

YHWH-Shammah (Jeová-Shamah) — O Senhor está presente” (Ezequiel 48:35).

Tzur Israel — “Rocha de Israel”.

El-Elion – O mais elevado – o altíssimo

 

Por tudo o que vimos acima e por aquilo que não nos foi revelado ainda:

 

Seja bendito o nome do SENHOR, desde agora para sempre” – Salmos 113.2

 

Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano, 02 de novembro de 2009.

 

 

FONTES PESQUISADAS:

http://www.ebanataw.com.br/roberto/fengshui/fsr3.htm

http://www.mibielli.com.br/artigo_011.pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nomes_de_Deus_no_juda%C3%ADsmo

Livro: Os nomes Bíblicos e Seus Significados

 

 

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