Por que foi necessário Deus tornar-se homem?

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Sabemos que o principal inimigo do Evangelho no final do primeiro século foi o gnosticismo. Os gnósticos se diziam detentores de segredos a respeito de Cristo e do Reino de Deus que, segundo eles, nem mesmo os discípulos dispunham. E entre os segredos que alegavam conhecer, havia um que girava em torno da não divindade de Cristo. Afirmavam que Ele havia sido apenas um iluminado, cuja missão foi libertar os homens da ignorância, mas que Ele não havia sido a encarnação de Deus e que isto em hipótese alguma poderia acontecer.

Bem, as três epístolas de João visam combater principalmente esta heresia. Os demais erros combatidos por João são consequências deste. Como precisaremos estar inteirados sobre esta questão, eu gostaria de chamar a atenção, sobre a importância de se entender a divindade de Cristo; de se entender a encarnação de Deus; de se entender que Cristo não se tornou Deus porque algum dia os líderes da Igreja sentiram a necessidade de terem um ícone, alguém que se tornasse o centro das atenções. Ou seja, não houve um momento a partir do qual Jesus passou a ser, para o cristianismo, o Filho de Deus. Jesus foi Deus na terra, assim como já era Deus antes da encarnação. Jesus é a segunda pessoa da Trindade. Ele não se tornou Filho de Deus porque os pais da igreja o beatificaram, como fazem àqueles a quem eles passam a chamar de santos.

Satanás está trazendo à tona esta idéia pregada pelo gnosticismo dos primeiros séculos, através da descoberta de livros que provavelmente tenham sido escritos por esta gente e que, segundo dizem, contêm esta idéia. Outro dia em vi na capa de uma famosa revista brasileira a seguinte frase: “O Dia em que Jesus Tornou-se Deus”.

De que maneira poderíamos entender que Jesus é realmente o Filho de Deus, a segunda pessoa da Trindade e que sua presença na terra foi a presença do próprio Deus entre os homens? Eu sugiro que tentemos entender isto a partir da elucidação das seguintes questões: Por que são necessárias todas as três pessoas da Trindade? Por que Deus é trino e não uno? Qual é o papel de Jesus, ou de cada uma das três pessoas? Para a Trindade, qual a importância da encarnação de Jesus?

TENTANDO ENTENDER

Sabemos, pela revelação bíblica que Deus Pai é a fonte universal de todas as coisas; que Ele é invisível e inatingível. Sendo assim, se Deus fosse apenas o Pai Ele seria inacessível. Antes da vinda de Jesus à Terra era impossível ao homem a comunhão plena com o Pai. Ele era exclusivamente Deus e sua natureza era exclusivamente divina. Não havia nada no Pai para transpor o abismo entre Deus e o homem.

Por meio da encarnação do Filho, o Pai transpôs este abismo, uma que o Filho tem a mesma essência do Pai e uma vez que o Filho não deixou de ser Deus para ser homem. Jesus foi o homem-Deus. Em Colossenses 1.19 e 2.9 diz que nEle, Jesus, habitou toda a plenitude da divindade. Jesus revelou isto quando disse a Filipe que quem O via, via ao Pai, pois Ele e o Pai eram um só. De forma que quando “O Filho de Deus se fez homem e habitou entre nós”, Deus estava adicionando à sua natureza divina a natureza humana. E era isto que tornaria possível o relacionamento pleno entre a humanidade e a divindade.

Deus poderia ter se materializado na forma corpórea de um homem para transpor este abismo? – Não. Se assim fosse, Ele não teria adicionado os elementos da natureza humana à divina. Ele não teria vivido a experiência de ser homem. Para que a união das naturezas pudesse acontecer era necessário Jesus passar por tudo o que passou. A Sua história tornou possível a combinação dos elementos da humanidade com os da divindade. Uma vez introduzida a divindade na humanidade, Deus, na pessoa de seu Filho, adicionou à divindade todos os elementos da natureza humana.

Quais são os elementos da natureza humana que foram adicionados à divindade por meio da história de Cristo?

1º. A experiência do nascimento. Cristo não foi uma materialização de um espírito na forma de um homem, Ele nasceu, ou seja, entrou no mundo pela porta através da qual todo o homem entra;

2º. O Seu viver humano. Não foram apenas algumas horas que Ele foi um ser humano e sua presença entre os homens não se dava por manifestação esporádica. Ele viveu, passando por todas as fases que o ser humano passa e não deixando de estar na terra em nenhum momento de sua existência;

3º. Sua experiência de morte. Ele não apenas viveu como também morreu, com uma diferença: A morte não o tragou, a morte não o dominou, a morte não o matou. Foi Ele quem decidiu morrer para que passando pela experiência da morte sem ser dominado por ela, Ele pudesse vencê-la;

4º. O quarto elemento é a sua ressurreição. Ressurgiu sem deixar de ser homem, sem abandonar a natureza humana. Cristo ainda é homem! Antes Ele era apenas o Filho de Deus, ho Ele é também o Filho do homem. É por isso que Ele é capaz de entender-nos perfeitamente.

CONCLUINDO

Relembremos, então, os passos já observados: Primeiro Deus Pai transfere toda a sua plenitude para o Filho, Ele coloca a Si mesmo no Filho. Depois, o Filho adiciona à natureza divina todos os elementos da natureza humana indispensáveis para um relacionamento pleno entre Deus e o homem. Ao ascender e ser entronizado, o Filho levou consigo todos estes elementos.

Agora, entra a pessoa do Espírito Santo. O Pai e o Filho, contendo todos os elementos da natureza humana, introduzem-se no Espírito, ou seja, transferem-se para o Espírito. Podemos perceber que o Espírito Santo, no Antigo Testamento, tinha somente um elemento – a divindade. Ele não tinha os elementos da natureza humana, por isso suas manifestações eram esporádicas e não permanentes. “Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, por que ele é carne” – Gn 6. Da maneira como estava, a presença do Espírito Santo entre os homens iria causar mortes, juízo, castigo.

Após a ascensão, O Pai e o Filho derramam-se para dentro do Espírito, e este, contendo, agora, todos os elementos da natureza humana, é enviado para atuar entre os homens, sem aquele temor de Gênesis 6. – Deu para entender?

Eu julgo necessário que tenhamos em mente este entendimento do por que foi necessário Deus tornar-se homem. Qual a importância da vinda de Cristo ao mundo para a divindade. Qual a importância de o “verbo” ter “se tornado carne” e “ter habitado entre nós”. E, de que maneira somos beneficiados com tudo isto.

Entendendo isto ficaremos mais apaixonados por Jesus e ainda mais convictos que Ele foi Deus entre os homens e por meio do Espírito Ele é Deus dentro do homem!

Em Cristo, Sandoval Juliano – 03 de julho de 2009.

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