Vamos Filosofar…

Compartilhe

Um dos argumentos a favor da existência de Deus afirma que podemos perceber a existência dEle no fato de que a moralidade nos é outorgada, em nossa natureza, por alguém que só poderia ser puro e santo em absoluto.

Podemos pensar em Deus como o Criador da moralidade, assim como Ele é o Criador dos pássaros. A lei moral geralmente é encarada como sendo um  mero produto da escolha divina. A Teoria da ordenança divina declara: “Algo é bom apenas porque Deus ordena que seja assim; e é mau porque Ele o proibe”. Entretanto, se toda a questão se resumisse a isso, criaria um problema sério. Se Deus ordenasse que matássemos pessoas inocentes, isto se tornaria algo bom, uma vez que bom significaria tudo aquilo que Deus ordena. A Teoria da ordenança divina reduz a moralidade meramente ao uso da autoridade.

Na obra Eutifro, de Platão, vemos que Sócrates, mestre daquele, recusou a Teoria da ordenança divina de maneira bastante conclusiva. O personagem Sócrates pergunta ao personagem Eutifro:Algo é piedoso porque Deus deseja; ou Deus deseja algo, porque é piedoso?” – Ele refutou a primeira opção, e chegou à conclusão de que a segunda opção era a única alternativa possível.

Entretanto, a idéia de que Deus deseja ou ordena determinada coisa porque ela é boa também é inaceitável, porque isso faria com que Ele se conformasse a uma lei que estaria acima dEle próprio; uma lei que regeria Deus e a humanidade igualmente. O Deus da Bíblia não está separado da bondade moral por estar abaixo ou acima dela, não obedece a uma lei superior que o controle, nem cria a lei como artefato que pode mudar e que poderia ter sido diferente, como um planeta. Deus é Aquele do qual não se pode imaginar nada maior.

Qual seria, então, a resposta racionalmente aceitável sobre a relação entre Deus e a moralidade?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *