Por que da tribo de Dã ninguém foi escolhido entre os 144 mil?

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Curiosamente, no texto de Apocalipse 7, na relação das doze tribos de Israel, dentre as quais 12.000 homens foram selados para uma missão especial, na visão escatológica, narrada por João, não aparece o nome da tribo de Dã, bem como da tribo de Efraim, tendo essas duas tribos sido substituídas, respectivamente, por Levi e José.

Sobre Efraim, dedicaremos um texto exclusivo. O que nos interessa aqui, em especial, é a ausência da tribo de Dã, o quinto filho de Jacó, gerado por Bila, concubina de Raquel. – Gn 30:6 .

Hebreus 11.9 diz que Isaque e Jacó tornaram-se herdeiros da promessa que Deus fizera a Abraão. Consequentemente, os filhos de Jacó, também. 

Por serem descendentes direto de Abraão, considerando que Abraão tornou-se amigo de Deus – Tg 2:23 . e considerando que o Plano que Deus tinha na vida de Abraão e de seus descendentes era-Lhe muito precioso, todos os filhos de Jacó, tornaram-se igualmente precisosos para Deus. Tanto que na Jerusalém celestial eles recebem destaques, têm os seus nomes gravados nas doze portas do muro de jaspe – Ap 21:12 .- Assim, por herança, são filhos da promessa.

No entanto, Deus é uma pessoa. Como pessoa, Ele tem sentimentos, Ele julga. Todo aquele que despreza aquilo que é precioso aos olhos do Senhor, desagrada-Lhe. Assim aconteceu com Esaú. Conhecedor que era do Plano de Deus, Esaú fez pouco caso da bênção da primogenitura – Gn 25:32; Gn 25:34 ; propositalmente, contrariou o mandamento de não se casar com mulheres de famílias idólatras – Gn 28:8 ; Gn 28:9 . Com esses gestos, Esaú desprezou o projeto de Deus e isto o tornou indigno de ser “herdeiro da promessa”.

Porventura, a exlcusão do nome de Dã do rol das tribos, em Apocalipse 7 não é, também, uma consequência de algum gesto, por parte desta tribo que possa ser interpretado como desprezo ao Plano ou a alguma parte do Plano de Deus para com o Seu povo?

Inicialmente, apesar de Dã ter tido apenas um filho – Gn 46:23 , sua tribo cresceu assustadoramente e prosperou entre as demais tribos, vindo a ser uma das tribos de destaque. Veja o que temos de informação bíblica sobre a tribo de Dã:

01) Na contagem dos homens que podiam sair à guerra, feita por Moisés, em Números, capítulo 1, a tribo de Dã já aparece como a segunda mais numerosa – Nm 1:39 ;

02) Dentre os dois homens escolhidos por Deus para a construção do tabernáculo, estava Aoliabe, da tribo de Dã – Ex 35:34 ;

03) Em Números 25 fala de como se dava a partida do povo de Israel na peregrinação pelo deserto e diz que as doze tribos eram divididas em 4 grupos de três e cada esquadrão levava uma bandeira. No quarto esquadrão, que cuidava da retaguarda, a tribo de Dã era quem levava a bandeira – Nm 10:25 ; 

04) Foi da tribo de Dã que o Senhor levantou Sansão, para julgar e defender em combates a nação de Israel – Jz 13:2 ;

Vimos aí que ao longo da formação da nação de Israel e do estabelecimento deles como povo e especialmente como povo de Deus, Dã teve participação efetiva e em momento algum se imaginou a sua exclusão de uma possível lista profética relacionada pelo próprio Deus.

Acontece que a tribo de Dã, depois de estabelecida a nação nas terras de Canaã, começou a demonstrar certo “desprezo”, com gestos, que, para alguns podem parecer pequenos, mas que desagradaram ao Senhor. Em três momentos, pelo menos, ficaram registrados comportamentos que revelavam o quanto a tribo de Dã não estava nem aí para o Plano de Deus para com a família de Abraão. Vejamos:

01) O primeiro gesto de “pouco caso” foi na época da juíza Débora, que convocou o povo para a batalha contra Sísera e seu poderosíssimo exército. De todas as tribos veio um batalhão para engrossar as fileiras de Israel, menos da tribo de Dã – Jz 5:17 ; Com isto, dã perdeu uma grande oportunidade de demonstrar sua união e de estar ao lado do seu povo em tempos difíceis. Nesta peleja, disse Débora, “Desde os céus pelejaram as estrelas contra Sísera” – Jz 5:20, ou seja, era uma peleja que interessava a Deus. Mas Dã faltou, ocupando-se de cuidar de seus navios;

02) Em Juízes 18 está registrada a saga da tribo de Dã, quando procurava se estabelecer de forma definitiva, uma vez que as terras que lhes haviam sido dadas em possessão ficaram comprimidas entre as terras das tribos de Judá e as terras dos filisteus. Conforme está registrado em Josué 19, “Saiu, porém, pequeno termo aos filhos de Dã”. Não conformados com o pequeno espaço que lhes fora dado, a tribo de Dã, invadiu a cidade de Laís, ou Lesém. Em Juízes 18 se diz que o povo desta cidade era simples e pacífico e mesmo não oferecendo nenhuma resistência as Danitas, foram totalmente mortos ao fio da espada. Esta cidade ficava a cerca de 160 Km de distância das terras de Dã e, portanto, fora dos teritórios de Israel. O povo desta terra era de origem fenícia ou de arameus. Um povo contra o qual não havia ordem expressa de Deus paa que fossem aniquilados. A tribo de Dã, no entanto, não se preocupou com ordem ou com vontade divina. Eles, simplesmente, partiram para cima daquela gente e os matou a todos, ao fio da espada. Portanto, Dã, agora, estabelece seu domicílio fora dos termos estabelecidos por Deus a Israel; fora dos limites traçados pela soberana vontade divina;

03) Além de saírem dos termos estabelecidos pelo Senhor, a tribo de Dã, ainda foi a primeira a estabelecer o culto pagão em suas terras e, de forma oficial, constituíram um deus, em demonstração clara que, agora que estavam distantes da jurisdição Teocrática de seus patrícios, eles não queriam mais qualquer vínculo espiritual com eles. Como isto se deu, está claramente narrado no capítulo 18 do livro de Juízes. Com este gesto, Dã revelou seu profundo sentimento de desprezo ao projeto de Deus para com a família de Abraão, através da qual o Senhor abençoaria todas as famílias da terra.

Meus irmãos, temos aprendido, ao longo das páginas das Escrituras que todo aquele que despreza aquilo que Deus considera importante, desagrada ao Senhor. Como Esaú, a tribo de Dã demonstrou que não precisava de Deus para prosperar nem para ser o que desejava ser.

Mas, os registro de Deus não falham. De acordo com a maneira como tratamos Sua obra, Ele haverá de nos tratar nos momentos em que algum projeto especial tiver de se desenrolar.

No caso de Apocalipse 7, Aquele era um momento especial para Deus e para este momentos especial o Senhor separará um grupo especial para receber uma proteção especial. Esse grupo será chamado de “primícias para Deus e para o Cordeiro” – Ap 14:4 . Será neste momento difícil para a humanidade e em especial para os judeus que o Senhor cumprirá cabalmente o que está escrito em Malaquias 3:16 – 18:

Então aqueles que temeram ao SENHOR falaram freqüentemente um ao outro; e o SENHOR atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o SENHOR, e para os que se lembraram do seu nome. 

E eles serão meus, diz o SENHOR dos Exércitos; naquele dia serão para mim jóias; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve. 

Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve.

Só que, apesar de ser descendente de Abraão, Dã não receberá esta proteção especial, uma vez que não trilhou os caminhos necessários para fazer jus ao título de “herdeiro das promessas”. 

Que isto nos sirva de exemplo e que possamos refletir nossa condição espiritual, nossos gestos e comportamentos diante daquilo que Deus considera especial, mesmo que pareça algo obsoleto, simples demais. O memorial do Senhor, este sim, nunca fica obsoleto e não existe por acaso!

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano – 18.02.2011

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