Batismo Com o Espírito Santo ou Histeria?

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“E Recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas…” Com essas palavras Jesus informa aos discípulos que a igreja viveria uma experiência totalmente desconhecida para o povo de Israel, a experiência da presença do Espírito Santo e de suas manifestações poderosas. Entre essas manifestações conhecemos as curas, milagres, profecias, revelações, os dons espirituais e o famoso batismo com o Espírito Santo. Em consequência do batismo com o Espírito, a igreja falaria em outras línguas. Coisa totalmente nova para a comunidade de Israel da época de Cristo.

O livro de Atos dos Apóstolos, que mais parece-nos Atos do Espírito Santo, descreve algumas experiências vividas pelos primeiros cristãos, que experimentaram essas manifestações poderosas do Espírito.

Ao longo dos séculos, esse mover do Espírito, apelidado por nós de movimento pentecostal, foi ficando esquecido. A prosperidade que a igreja começou a usufruir, a frieza espiritual, o desvio da sã doutrina e outras práticas foram afastando a igreja destas experiências maravilhosas.

Há pouco mais de cem anos, esse mover do Espírito foi resgatado, quando a igreja começou a buscar a Deus com mais fervor, novamente. Desse mover, ocorrido nos Estados Unidos, resultou uma era missionária, e dentre as nações alcançadas por eles, o Brasil foi a mais abençoada. Ao longo desses cem anos temos experimentado o movimento pentecostal.

Nas últimas duas décadas, a igreja evangélica brasileira (não sei se é só a brasileira, mas, como estou falando de nós, com conhecimento de causa, quero me deter em citar apenas nós), tem se deparado com a triste realidade do declínio espiritual. Este declínio espiritual tem sido notado pela falta de um movimento pentecostal genuíno. Os movimentos pentecostais não deixaram de acontecer, mas os movimentos genuínos estão quase extintos em nossos dias.

Temos visto um crescente mercantilismo, tanto na música como na pregação, uma concorrência pelos melhores congressos e uma total falta de compromisso com a Obra de Deus. Em virtude disto, ao invés de se buscar a manifestação do poder de Deus, usa-se técnicas de manipulação, verdadeiras imitações.

Em todas as manifestações do Espírito Santo tem havido imitações, mas especialmente no batismo com o Espírito Santo e no falar em línguas estranhas.

Entre as obras da carne listadas por Paulo, em Efésios 4, aparece uma chamada gritaria. Refere-se ao comportamento desordenado, geralmente acompanhado de gritos e falta de coordenação motora, produzido por quem está  eufórico, assustado ou neurótico. A palavra correspondente, na psicologia é histeria. Segundo a psicanálise freudiana, histeria é uma neurose complexa caracterizada pela instabilidade emocional. Entre as duas histerias mais conhecidas pela psicanálise(a conversiva e a dissociativa), é mais comum vermos manifestações de histerias dissociativa, que é aquela onde a pessoa fica histérica em função de algum pânico ou de alguma emoção muito forte. Em geral, um fator externo.

Existe o histerismo coletivo, que é aquele experimentado por um grupo reunido em um mesmo lugar ou que comunga dos mesmos ideáis. Pode acontecer dentro da igreja, num momento de êxtase em um culto, quando as emoções são despertadas por fortes sons musicais ou por uma pregação muito comovente ou chocante. Neste caso, nós, os evangélicos, temos a tendência de achar que a pessoa está cheia do Espírito Santo. Em minha experiência ministerial tenho visto que nem sempre o euforismo presenciado é a manifestação da glória ou do poder de Deus. Temos visto congressos de avivamento onde acontece uma histeria coletiva. De repente, um enorme número de pessoas disparam a gritar, pular e correr. Muitos confundem isto com manifestação de poder de Deus. Na grande maioria das vezes não é.

Em geral, depois de uma onda de histerismo em um culto pentecostal, as pessoas caem em pranto ou em sonolência, como se tivesse sido arrebatada.

Estou com isso, afirmando que ao invés de batismos com o Espírito Santo, em muitos dos nossos congressos, vigílias e confraternizações, o que temos visto são imitações do verdadeiro batismo. O batismo com o Espírito Santo é um mover do Espírito que leva as pessoas a uma vida de mais compromisso com a Igreja, com o evangelismo e uma vida mais consagrada. O que temos presenciado? Jovens que pulam, correm, gritam, falam em línguas, “caem no poder”, rodopiam como nas danças típicas do candomblé, verdadeiras bizarrices. Quando se toca a campainha ou se diz amém, levantam rapidamente, secamente sem nem sinal de lágrimas, na maioria dos casos. E… continuam uma vida de carnalidade como se nada tivesse acontecido.

A outra imitação muito frequente em nossos dias é em relação às línguas estranhas. Tenho presenciado, não só nos congressos, mas, especialmente nos cultos normais da igreja, verdadeiros festivais de línguas estranhas. Pessoas totalmente vazias, secas, e, de repente disparam a falar em línguas, cada uma mais alto que a outra. Você olha para a pessoa e vê que ela está fria, falando em línguas apenas porque sabe falar.

E o pior, obreiros e pastores têm sido exemplo desta irresponsabilidade. Falam em línguas no púlpito, quase que mecanicamente, servindo de mal exemplo para o rebanho.

O falar em línguas, para qualquer crente sério e sincero, é o momento do transbordar do gozo; é o momento da comunhão, o clímax. Acontece quando a pessoa está cheia do Espírito Santo e tocada pela presença de Deus. Hoje se fala em línguas até em shows, por telefone, em eventos públicos ou mesmo que o culto esteja frio.

Isto é um desvirtuamento do movimento pentecostal genuíno. Isto é pecado contra o Espírito Santo. E o pior, quem está levando o povo a pecar são os obreiros, os pregadores e até muitos pastores.

Esta nova geração de crentes, especialmente de jovens, não conhece o poder de Deus. A próxima, se continuarmos assim, vai ouvir apenas histórias, bem distantes.

Uma geração é responsável pelo que deixa para a próxima geração. E a nossa geração é a geração dos superficiais, do fast food, das emoções baratas, da imitação, do plágio. Se continuarmos pecando contra o Espírito Santo em nossa geração, o Senhor se afastará e nos tornaremos como a Igreja de Laodicéia, uma igreja que vivia só de aparências, cujos crentes não eram frios nem quentes, uma igreja rica de bens materiais e de talentos humanos, mas pobre da manifestação do poder de Deus.

Eu estou preocupado com a nossa geração!

 

Em Cristo, Sandoval Juliano – O Presbítero – 30.09.2011.

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