A Parábola da Candeia

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A Parábola da Candeia – Marcos 4:21-25  –  Lucas 8:16-18. É a 16ª parábola das trinta e uma proferidas por Jesus, na ordem em que elas se encontram na Bíblia.

“E disse-lhes: Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? não vem antes para se colocar no velador? 

Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto”.

Candeia era uma espécie de lamparina, que tinha a finalidade única: ILUMINAR.

Representa a vida cristã, ou, representa a vida de cada cristão em particular. Primeiro porque precisamos sempre carregar o combustível para que haja fogo, luz. Segundo porque devemos resplandecer a luz do Evangelho de Cristo neste mundo de trevas. Terceiro porque não devemos ter uma luz escondida – Mt 5:16 .

A segunda parte da parábola é a que tem a maior importância, segundo palavras do próprio Mestre.  É a parte que diz que aquilo que fizermos em oculto haverá de vir à luz. O Evangelho tem essa característica, toda maldade é por ele revelada, exposta.

Há detalhes da revelação do Plano do Evangelho que muitos não gostariam que estivesse ali, na Bíblia. Mesmo estando lá, procuram ignorar no vão intento de que eles não sejam totalmente verdade. Este detalhe, revelado nesta parábola é uma verdade que muitos gostariam que não tivesse sido proferida por Jesus.

– Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto. O plano de Deus é que seus servos sejam transparentes em suas atitudes e em suas intenções. A Bíblia nunca deixou de revelar as fraquezas, os tropeços, os erros e os pecados do povo de Deus, especialmente daqueles que são considerados heróis da fé.

O Senhor é um Deus que tolera, que perdoa, que renova, que oferece a possibilidade de reconciliação, mas não tem ao culpado por inocente, em nenhum momento.

A nova teologia que temos visto  em nossos dias, aflora a idéia de um Deus que não leva em conta nada que tenhamos feito de errado, mas que simplesmente nos ama e pronto. Temos visto, especialmente na América do Norte, mas já com raízes aqui no Brasil, a teologia que diz que Deus não apenas ama incondicionalmente, mas que nos ama furiosamente, como afirma o escritor americano Brennan Manning em seu livro: O anseio furioso de Deus.

Dizer que Deus não nos ama apenas incondicionalmente, segundo Brennan, amplia a imagem que temos de Deus, revelada na parábola do Filho Pródigo, daquele pai que nos espera voltar. Ao dizer que Deus nos ama “furiosamente” implica em ter de Deus uma imagem que vai além. Trata-se de um Deus que sai ao nosso encontro e que não descansa enquanto não nos encontra, esteja onde e como estivermos, e nos traz de volta para Ele, sem se importar onde tenhamos ido e o que tenhamos feito.

Isto é verdade, em termos, e está revelado na parábola das cem ovelhas. Ao pecador, caído na lama, Ele não lhe imputa o pecado, Ele coloca no ombro e traz de volta para o aprisco.

No entanto, o que não ensinam é que aquele que já foi recuperado, como a ovelha perdida ou como o filho Pródigo; aquele que já provou da graça e por ela foi iluminado, recebe uma responsabilidade. O amor continua o mesmo, no entanto, não se pode abusar da graça e nem achar que ela é cega.

Jesus nos revela nesta parábola que Deus espera de cada um de nós, especialmente daqueles que trabalham em seu Reino, que sejamos como uma candeia no velador para que todos possam ver irradiar através de nosso testemunho e de nosso comportamento a santidade de Deus e a beleza de sua doutrina – Tt 2:10 .

Fomos constituídos por Deus para sermos luzeiros, para irradiarmos Sua luz, Seu amor, Sua graça. Mas, não apenas isso, devemos irradiar, também, Sua santidade e Sua pureza.

Ter um bom testemunho perante a Igreja de Cristo e perante a sociedade é uma recomendação amplamente encontrada na Palavra de Deus, a Bíblia  – At 10:22 ; At 22:12 ; 1Tm 3:7 ; 1Tm 4:12 ; Tt 2:7 .

Cristo se importa tanto com isso que nos advertiu que se vivéssemos em duplicidade, aquilo em nós que for reprovável e que estiver sendo feito às escondidas virá à luz. Em outro texto Ele disse que o que for feito nos recônditos do teu quarto ou gabinete se noticiará sobre os telhados – Lc 12:3 .

A parábola da candeia é curta e simples, mas contém uma revelação preciosíssima. Consideremos que Jesus não tinha por hábito desperdiçar palavras, certamente Ele queria que levássemos muito em conta a importância de nunca nos tornarmos tropeço/escândalo para o Evangelho. Descuidar no comportamento, para quem vive a difundir o Evangelho, pode servir ao inimigo como carta na manga para desfazer tudo o que a pessoa construiu ao longo de anos e até mesmo de décadas.

Feliz é aquele que pode dizer, como Paulo: “Combati o bom combate…” , em outro sentido é como se Paulo quisesse dizer: fui até o fim sem dar ao inimigo motivos para zombar do Evangelho por causa de algum deslize em meu comportamento.

Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 11.08.2010

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