A Parábola das Bodas – Parte 1

Compartilhe
 
                                  
QUANDO UM HOMEM FOI REJEITADO POR DEUS!!!
 
Introdução:


A revelação
 
Em julho de 2006, depois de um exaustivo evangelismo pessoal numa tarde de domingo, tranquei-me em meu quarto para buscar ao Senhor. Eu estava pastoreando uma congregação localizada na Qd. 07 da Ceilândia Norte – DF.
 
Sentado em uma cama, pernas cruzadas e com a Bíblia fechada em minhas mãos, eu orei ao Senhor. Faltava-me, apenas ,uma hora e quinze minutos para começar o culto. Eu haveria de dirigi-lo e teria que pregar.
 
Como somos despenseiros de Deus, pedi ao Senhor que me desse uma mensagem para entregar à Igreja. É bem verdade que eu pensava apenas naquela igreja local, naquele pequeno rebanho que o Senhor confiou em meus cuidados.
 
Nem sempre o Senhor quer que falemos apenas a um pequeno grupo. Há mensagens que só se aplicam à igreja onde trabalhamos. Há outras, no entanto, que tem caráter universal; que o Senhor quer que todos a ouçam e a recebam.
 
Abri a Bíblia e deparei-me com  o texto de Mateus 22. 1 – 14, que diz o seguinte:

1 – Então Jesus tornou a falar-lhes por parábolas, dizendo:
2 – O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho.
3 – Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir.
4 – Depois enviou outros servos, ordenando: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado; os meus bois e cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas.
5 – Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;
6 – e os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.
7 – Mas o rei encolerizou-se; e enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a cidade deles.
8 – Então disse aos seus servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.
9 – Ide, pois, pelas encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, convidai-os para as bodas.
10 – E saíram aqueles servos pelos caminhos, e ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e encheu-se de convivas a sala nupcial.
11 – Mas, quando o rei entrou para ver os convivas, viu ali um homem que não trajava veste nupcial;
12 – e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui, sem teres veste nupcial? Ele, porém, emudeceu.
13 – Ordenou então o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.
14 – Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

 

Eu não tinha o costume de pregar baseado nas parábolas. Eu ainda não havia atentado para elas. Mesmo que a leitura dessa parábola fosse comum para mim, eu não havia debruçado-me sobre ela. Aliás, eu nunca ouvi nenhum pregador pregar sobre esta parábola.
 
Vivemos em nossos dias uma abstinência de mensagens. É comum ouvirmos pregações técnicas que visam mexer com a emoção das pessoas e tornar o pregador famoso e querido pelo povo. Mas, nem sempre essas pregações contêm mensagens de Deus para o povo e nem sempre leva-nos para dentro da Bíblia.
 
Então, li novamente a parábola das bodas… A não ser a idéia de que um dia haveremos de sermos chamados à ceia das bodas do Cordeiro e de que eu pretendo estar entre estes poucos escolhidos, até então, nada mais havia chamado a minha atenção.
 
Neste dia, porém, meus olhos pararam no homem que, por não estar com traje a rigor, foi retirado do salão de festas.
 
Eu percebi um certo tom de arbitrariedade na atitude do rei. E, como que por um toque do Espírito comecei a sentir grande interesse em saber quem era aquele homem e qual a sua história.
 
– Quem era este homem, Senhor? – perguntei em meu coração.
 
Tão logo fiz ao Senhor esta oração, fui transportado em espírito a um vilarejo dos tempos de Cristo. Não era apenas uma visão, eu estava lá.
 
Tudo era muito rude e as pessoas eram muito pobres. Eu andava entre elas, sentia o cheiro da poeira nas ruas, sentia a brisa fria que vinha de algum bosque próximo.
 
O vilarejo estava cercado por montanhas bem elevadas e muito belas. A paisagem urbanística era um contraste da paisagem natural daquele lugar.
 
Era notável, ainda, um castelo construído no sopé de uma daquelas montanhas, num patamar um pouco mais alto que as choupanas do vilarejo. O castelo era fabuloso, apesar do estilo bem antigo.
 
Havia um muro de pedras, bem alto, que o cercava e pela posição em que foi construído, como se estivesse subindo montanha acima, era possível avistar, mesmo de longe, a movimentação no interior daquela muralha.
 
Eu andava pelas ruas do vilarejo sem que ninguém me percebesse. O tempo para mim parecia estar parado.
 
A minha atenção voltou-se para um homem, de pouca idade, que estava no alto de uma árvore muito alta. Ele olhava intensamente para dentro dos muros do castelo, como se quisesse ver alguma coisa em especial. Estava sujo e maltrapilho e nada desviava o seu olhar. De todas as partes da cidade eu o avistava. Ele passava horas naquele lugar.
 
Eu quis saber quem era aquele homem. Fui tomado por enorme curiosidade sobre a razão que o levava a olhar tanto para o interior daquela mansão, daquele castelo.
 
De repente, alguém surgiu do nada, como se lesse meus pensamentos e passou-me a descrever a biografia daquele senhor que permanecia em cima da árvore.
 
– Quando ele ainda era adolescente, um homem muito rico comprou o terreno onde está aquele castelo e iniciou a construção daquele monumento – disse-me o personagem que aproximou-se de mim.
 
– Todos os moradores daquela vila foram empregados naquela construção, inclusive os adolescentes – Continuou… Ele  tornou-se um empregado e o mais orgulhoso por estar trabalhando naquela obra gigantesca. Fora destinado para a construção do jardim que ficava nos fundos do castelo, no qual havia uma fonte de águas cristalinas.
 
– Todos prosperaram naquele povoado… Depois de quase dois anos de construção, surgiu uma guerra. Esse homem já era um rapaz formado e foi convocado. Ao retornar, tempos depois, deparou-se com um triste quadro. Enquanto estivera fora, um outro exército, de um reino próximo, havia invadido aquela região, destruiu o vilarejo e tomou de assalto o prédio em construção.
 
– O jovem ficou sem pai, sem mãe e sem irmãos. No entanto, mesmo tendo perdido a tudo e a todos, propôs em seu coração não se mudar dali. Queria reconstruir seu local de nascimento. Tentou várias vezes ser recontratado para aquela obra, sem êxito. Um grande muro estava sendo erguido e ninguém mais conseguia sequer  aproximar-se. Havia forte guarnição em volta da construção.
 
– Tudo o que ele sabia era que um rei havia se apoderado do imóvel e trouxera trabalhadores profissionais de bem longe. Em pouco tempo a obra ficara pronta. Outras pessoas se instalaram nas proximidades do castelo, formando novamente um povoado. Havia um limite de proximidade permitido pelo rei. Uma estrada real, cercada por pequenas e floridas árvores saía de um enorme portão e seguia à esquerda de quem sai.
 
– Os anos se passaram, a pobreza se instalou do lado de fora e, aquele homem, tomado por uma nostalgia, não conseguia ver nada além de si que não fosse o interior daquele castelo. Ele sonhava em poder entrar por aquele portão. Em poder visitar o jardim que ajudara a construir e beber da água que jorrava naquela fonte. Ele se sentia parte daquela riqueza.
 
O personagem que me acompanhava, continuava sua narração com uma clareza tão grande que me fazia ver cada detalhe do que dizia. Ele continuou:
 
– Aquele desejo o consome. Todos os dias ele sobe naquela árvore e ficaa destruindo-se de inveja daqueles que transitam no interior daquela muralha.
 
Sem eu saber como, a história encerrou-se e a pessoa que me contava, sumiu. Eu fiquei comovido e pude perceber a intensidade do desejo que aquele homem tinha, de poder ao menos uma vez na vida, entrar naquele paraíso.
 
De repente, eu estava ao lado dele, em cima da árvore. Eu passei a fazer parte do drama pessoal daquele homem. Aproximei-me e passei a conversar com ele, imaginando propor uma solução para ajudá-lo a entrar pelos portões daquele castelo. Eu sentia que podia fazer alguma coisa.
 
Enquanto conversávamos, um movimento extra se instalou no interior da muralha. Carros entravam conduzindo gado, aves e ovelhas. Outros continham enorme carregamento de bebidas. Percebemos que haveria uma festa no castelo. Logo ficamos sabendo que seriam as bodas do filho do rei. Seriam sete dias de festa e viriam os mais ilustres convidados.
 
Vislumbramos a possibilidade de podermos entrar no castelo por ocasião da festa, mas fomos logo desiludidos ao vermos cavalaria armada chegando e se posicionando em guarda nas proximidades do castelo.
 
O homem, no entanto, não tinha dúvida, em seu íntimo ele sabia que era nessa oportunidade que ele saciaria seu desejo de transpor aqueles portões.
 
Os dias se passaram, sem que eu percebesse a mudança de tempo. Parece que éramos atemporais, e vimos chegar o dia do início da festa. A estrada real estava belíssima. A movimentação no interior do muro era enorme. Do alto daquela árvore assistíamos a tudo.
 
Eu estava ansioso, desejoso de que alguma chance fosse dada àquele homem. O desejo dele passou a ser o meu desejo.
 
O dia chegou, os soldados olhavam ansiosos para a estrada à espera dos convivas… Os convidados não chegaram… A hora de iniciar a festa estava esgotada. Houve um entra e sai, uma espécie de nervosismo e inquietação.
 
Vários soldados saíram em seus elegantes cavalos e tomaram a estrada. E depois do terceiro dia em que a festa deveria estar acontecendo os soldados retornaram. Nem todos os soldados que saíram, voltaram. 
Não sabíamos o que houve lá dentro. Havia apreensão.
 
Momentos após, os portões se abrem novamente e os soldados saem, mas, desta vez não pegaram a estrada. Desviaram-se e passaram por entre as árvores dirigindo-se ao vilarejo. Houve espanto geral.
 
Nós ficamos, em cima daquela árvore, como quem quer se esconder. Até que ouvimos um dos soldados aos berros anunciando que o rei convidava a todos os moradores do vilarejo para assistirem ao casamento de seu filho, e que ninguém estava dispensado de comparecer.
 
Eu quase morri de alegria. O homem me abraçou intensamente e disse: Eu sabia, eu sabia… É a minha chance, eu vou rever o jardim. Eu sabia, eu sabia.
 
Ele desceu imediatamente e juntou-se aos demais moradores daquele pobre lugar que entraram em uma fila e se dirigiram ao interior do castelo. Eu não me lembro de ter entrado na fila, mas lembro-me de estar lá dentro.
 
Foi dado ordem a todos que entrassem num determinado salão onde receberiam vestes nupciais e onde seriam devidamente aparentados para assistirem às núpcias. Ficou bem claro que ninguém poderia assistir ao casamento do príncipe sem estar devidamente arrumado.
 
Era visível a ansiedade daquele moço em rever o jardim do castelo. Enquanto os servos do rei entravam trazendo as roupas e sapatos para o povo se arrumar, num descuido do guarda, o homem da árvore saiu escondido e correu ao jardim dos fundos. Ele chorou de alegria, deitou-se na grama verde-esmeralda, agradeceu aos céus e foi à fonte. Lavou suas mãos e rosto, bebeu daquela água, como se fosse um menino que via uma paisagem pela primeira vez.
 
Ele conhecia os caminhos do castelo. Pelo menos os do labirinto que havia no jardim em volta da casa. Aproveitou-se que ninguém o importunou e desceu ao pomar, passou pelo bosque, comeu uma fruta, sentiu-se o homem mais feliz do mundo.
 
Nem percebeu que o tempo havia passado. Assustou-se quando ouviu a ordem para que todos entrassem para o salão de festa, pois o rei já estava chegando. Seu coração disparou. O meu coração disparou mais ainda. Havia uma sintonia entre mim e ele.
 
O homem penetrou no meio da multidão composta por seus vizinhos, que aliás, estavam quase irreconhecíveis. Todos muito bem aparentados e elegantemente trajados. Ele misturou-se a eles e adentrou o salão de festa.
 
Eu não sei dizer se eu também estava com vestes nupciais, ou em que parte do salão eu me encontrava, ou se eu era visível a todos os outros.
 
Foi anunciada a presença de sua majestade. E com muita pompa, ao mesmo tempo todos se ergueram e posicionaram-se conforme haviam sido instruídos.
 
O rei adentrou o salão e andou pelo corredor central olhando para todos os lados como quem passa a tropa em revista. Era um olhar perspicaz. Ele olhava de cima a baixo, e ao mesmo tempo deixava apreensivos, aliviados e sorridentes os que já haviam sido observados.
 
No meio da multidão, achando que estava invisível, o homem da árvore foi avistado. Com semblante fechado e em tom irascível, o rei lhe dirige a palavra e lhe pergunta como foi que ele conseguiu entrar em um salão tão nobre para participar das bodas do filho do rei, e como ele conseguia ficar com aqueles trajes entre pessoas tão finas que ali se encontravam.
 
Ele emudeceu…
 
Eu bem que tentei intervir e dar uma explicação. Eu ia pedir um tempo para que ele pudesse se arrumar, mas foi inútil, ninguém me via nem me ouvia.
 
O rei deu ordem para que entrassem soldados e retirassem aquele homem, uma vez que não era digno de estar ali. O homem implorou dizendo que não havia ali ninguém que tivesse desejado tanto aquela oportunidade, ninguém que amava tanto aquele castelo como se fosse sua própria casa, como ele.
 
Ele, porém, não foi ouvido. Pelo contrário, o rei ordenou que amarrassem suas mãos e pés e que fosse lançado no fosso.
 
Eu estremeci. Até parecia que era comigo. O desespero se apoderou de mim de tal maneira que parecia que meu coração ia explodir.
 
O rapaz suplicava, tentava falar mais uma vez com o rei, mas nada impediu que fosse amarrado, arrastado e lançado nas profundezas de um precipício.
 
Ao som do grito do desvalido eu despertei-me na cama onde estava sentado. Meu corpo tremia, estava banhado de suor e meu coração sentia a mesma angústia que experimentara na visão. Eram dezenove horas, eu tinha que me arrumar para ir ao culto que começaria às dezenove e quinze.
 
Cai de joelhos, estarrecido com a revelação e pedi a Deus que me ajudasse a entender esta visão.
 
Ao chegar na igreja, era visível o meu estado. Eu tremia e suava. Era o peso da palavra do Senhor.
 
Desde este dia minha visão do Evangelho mudou. As parábolas passaram a ter um significado importante para mim. Comecei a perceber que elas estão harmoniosamente ligadas umas às outras. E nelas, está contida a mensagem do Evangelho.
 
E aqui estou eu, com o homem da visão em minha mente. Quem é este homem? Quem de nós poderá ser este homem?
 
Por que a simples ausência de um traje a rigor levou aquele homem à condenação?
 
Por que Jesus disse que o Reino dos céus é semelhante a esta parábola?  Em que sentido o Rei dos céus se assemelha a este rei?
 
Continuação na parte 2…
 
Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 09.07.2010.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *