A Parábola das Bodas – Parte 3

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O AMOR DE DEUS É PURO?

O rei planejou uma festa para sete dias… Muito alimento, bebida e iguarias foram preparadas para esta celebração. Afinal, era seu único e querido filho que ia se casar. O rei queria a festa da história, com ilustres convidados, casa cheia e muita alegria.
 
A minha pergunta, não sei se pertinente, é: O rei havia imaginado os pobres nesta festa? Estava em seus planos incluí-los? Caso os ilustres convidados tivessem comparecido à festa, ainda assim os pobres do vilarejo teriam tido alguma chance?
 
Diante deste questionamento surge a dúvida: O rei foi bom para com os pobres porque o rei era bom mesmo ou porque não queria ter o desgosto de ver a casa vazia no casamento de seu filho?
 
Bem, não estamos falando de ninguém mais… Estamos falando de Deus. O amor de Deus jamais foi questionado por seus filhos. Há porém, quem procura na própria Bíblia e nos fatos desagradáveis que a história registra, argumentos para questionar esta bondade divina.
 
Esta parábola não nos abre margem para esta reflexão? E, por que os pobres foram arrumados para a festa? Não foi para que não parecessem pobres? – Ao vestirem vestes nupciais e se arrumarem eles seriam tidos por ricos. Ou seja, o rei não queria a ralé naquele banquete.
 
A história de Israel, sua escolha divina na pessoa de Abraão, sua rejeição ao Plano divino, e a conseqüente inclusão dos gentios neste Plano não revela isto?
 
Os gentios estavam ou não no Plano divino? A partir de quando eles foram incluídos neste Plano?
 
Quando estudamos o Plano de Salvação, partindo de seu planejamento, vimos que antes da fundação do mundo, em sua presciência, Deus nos elegeu em Cristo, para a salvação. Esta eleição se deu baseado no conhecimento antecipado que Deus teve das pessoas que aceitariam em vida o seu plano e das conseqüências que esta escolha traria sobre estas pessoas.
 
Sabedor que Deus era da astúcia de Satanás e do quanto ele lutaria para impedir a concretização desta gloriosa salvação, Deus então, elaborou uma espécie de “certificado de garantia” aos que cressem em seu filho e o aceitassem de todo coração.
 
Esse “certificado de garantia” é o que a Bíblia chama de predestinação- Rm 8:29 ; 1Pe 1:2 ;
 
Presciência é um aspecto da onisciência que diz respeito à capacidade que Deus tem de conhecer fatos e possibilidades futuras.
 
Tendo conhecido, como em um filme do futuro, aqueles que creriam, Ele os predestinou. Ou seja, Ele deu a garantia de que todos os que cressem , por terem crido, seriam salvos e os termos desta garantia foram revelados por Jesus quando disse:
 
“E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará de minha mão” – Jo 10:28 .
 
“Todo o que o Pai me der virá a mim e aquele que vier a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. – Jo 6:37 .
 
“Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho, e crê nEle tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia.” – Jo 6:39 .
 
Bem, é isto que a Bíblia revela sobre o Plano de Salvação. Podemos, por esta revelação, afirmar que nós, a Igreja do século XXI já estávamos nos planos de Deus?
 
Ele nos viu, antes da fundação do mundo? Nós estávamos lá no dia em que a Trindade divina assistiu o filme do futuro e nos “elegeu nEle”?
 
Acredito que todos os leitores neste momento estão respondendo que sim. Que desde o início do Plano nós já estávamos incluídos.
 
Sendo assim, como entender que nós só estamos no Plano em função da rejeição de Israel? E, se eles não tivessem rejeitado o Plano, nós, mesmo assim seríamos salvos? O convite para as bodas se estenderia aos gentios, caso os convidados ilustres tivessem comparecido à festa?
 
O amor de Deus está acima de todo o conceito de amor que o homem tenha formulado. Vai além do nosso entendimento. Quem instruiu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?
 
Ao escolher Abraão, Deus estava constituindo alguém na terra que fosse, nada mais, nada menos que guardião dos oráculos divinos. Não para os guardar para si. Não para que este se tornasse um grupo fechado e isolado dentre os demais povos da terra – Gn 12:3 .
 
Abraão e seus descendentes foram chamados para serem os missionários de Deus. Tudo o que o Senhor queria era alguém que pudesse tornar conhecido dos homens o seu Plano de Salvação.
 
Acontece que o inimigo percebeu isto e utilizou-se de sutis artifícios para cegar o entendimento dos israelitas.
 
“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação. Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus”. – Rm 10.1-3.
 
A própria Lei dada por Deus se tornou o canal através do qual o diabo fez surgir entre os judeus a cultura separatista e preconceituosa. Criaram preceitos e tradições a partir de pontos da Lei e fecharam-se para o mundo – Rm 10:19 .
 
Os gentios, que deveriam serem o alvo de suas bênçãos, se tornaram imundos, para os judeus. Aqueles, dentre o “povo de Deus” que cumprimentassem a um gentio e com eles fizessem comércio eram considerados profanos, pecadores.
 
Não era isto que Deus queria. Definitivamente, isto era a contra-mão do projeto do divino.
 
Caso os judeus houvessem entendido o Plano e tivessem evangelizado o mundo, com certeza, nós teríamos sido alcançados através deles.
 
Teria sido melhor e mais fácil. O inimigo, no entanto, não quer deixar o plano de Deus fluir em nossas vidas. Ele sabe que finalmente o Senhor alcançará em nós o seu objetivo. No entanto, tudo o que ele puder fazer para atrasar e para transtornar ele fará.
 
Como o compromisso de Deus não é com o homem, mas com sua Palavra, Ele tira um e põe outro para que a obra seja realizada. Foi assim ao longo da história bíblica. Deus tirou a Moisés e pôs Josué em seu lugar. Aparentemente ninguém era mais digno e tinha mais direito que Moisés; recolheu Elias e ungiu a Eliseu para dar prosseguimento ao ministério profético. Por fim, cortou o tronco da boa oliveira e enxertou zambujeiro bravo em seu lugar.
 
“Os convidados não eram dignos” – Oxalá que houvessem sido. Melhor seria se tivessem se arrependido a tempo. Eles e nós estaríamos desfrutando dos privilégios conquistados por Cristo na cruz – Rm 11:12 .
 
Teria havido a cruz? – Sim. A redenção operada pela morte de Cristo não era exclusiva a uma nação. Ela se estende a todos os homens. Jesus não morreu pelos judeus, Jesus morreu pela humanidade. De qualquer forma haveria o Calvário.
 
Nós é que não temos idéia da dimensão da guerra espiritual em torno desta questão. A salvação é o único meio através do qual O Pai pode realizar seu grande e eterno sonho em relação ao homem. O sonho do relacionamento pleno. Aqueles que não são ou não foram alcançados pela salvação jamais desfrutarão deste relacionamento.
 
Daí a intensa batalha do inimigo. Isto lhe causa uma imensurável inveja. Ele não se conforma com a idéia de que o homem está no centro da atenção de Deus. Ele não consegue compreender porque Deus quer tanto o homem para si. Não parece sensato este anseio divino. Não é compreensível que Deus se submeta a tudo o que já se submeteu. Teria sido mais “justo” aniquilar a humanidade e voltar sua atenção para os anjos, ou, simplesmente fazer outro ser mais reto e mais submisso.
 
Não há falsa bondade na atitude do rei em convidar os pobres para as bodas de seu filho. Ele o faria. Ele apenas o fez do modo como não havia planejado.
 
Daí a dificuldade de Pedro compreender a inclusão dos gentios no Plano de Salvação.
 
“… Mas Pedro disse: de modo nenhum, Senhor, porque nunca comi coisa comum e imunda”. – Atos 10.14.
 
“… Não faças tu comum ao que Deus purificou”. – Atos 10.15.
 
Qual a prova de que se os judeus tivessem dado crédito nós seríamos alcançados mesmo assim? – Não eram, porventura, os apóstolos todos judeus? Não foi através de um grupo de doze judeus que o evangelho se espalhou? Imaginem se mais judeus, muito mais deles houvessem se convertido?
 
        E, por que o rei fez questão de fornecer e exigir trajes finos dos pobres convidados? Não é este o propósito da pregação do Evangelho?
 
“Fez-se pobre para que fôssemos rico”
 
“A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho”. – Ef. 3.6.
 
Não havia preconceito na atitude do rei da parábola. Um sonho daquele rei se realizava naquele dia. O sonho de tornar os pobres daquele vilarejo em pessoas ricas e dar a elas o gostinho da prosperidade a partir daquela festa.
 
Não era uma falsa bondade. Era a prova de seu amor. Ele não estava lhes emprestando aquelas roupas, estava dando. Era deles a partir daquele dia. “Cristo veio com este novo acordo para que todos os que são convidados possam vir e possuir para sempre todas as maravilhas que Deus lhes prometeu”. – Hb 9.15. É por isto que o rei encolerizou-se ao ver ali um homem que não deu importância à sua ordem. Aquele homem se comprazia em ser admirador do castelo. Ele se importava apenas com o prazer do momento. Ele desejava o castelo sem se importar com o dono dele.
 
Não devemos desejar o céu pela riqueza que ele contém. Não devemos desejar o Reino de Deus só porque ele é mais belo, empolgante ou mais interessante.
 
Aqueles pobres do vilarejo que atenderam ao convite do rei o fizeram pela alegria de poderem assistir ao casamento do filho do rei. Era o filho que lhes importava. Ainda que o casamento não se desse dentro daquele luxuoso castelo, ainda assim eles iriam. Queriam se vê-lo. O príncipe sempre foi o fascínio dos pobres. Por eles ele é admirado. Alguns são capazes de se meterem na frente de uma flecha ou de uma espada para morrerem no lugar do príncipe.
 
Enquanto a atenção do homem-da-árvore estava voltada para o castelo, os demais se alegraram por poderem ver o príncipe.
 
É esta a verdade do Evangelho. Se o que lhe atrai ao Reino de Deus não é o Filho, você está perdido. Seja qual for o nível de comprometimento que tenhas com o Reino, estás perdido; seja qual for o cargo que ocupas no ministério da igreja, estás perdido; seja qual for o poder que deténs, estás perdido; seja qual for a luta que tens passado ao longo de anos pelo amor ao Reino, estás perdido.
 
“Pedro, tu me amas?” – em função deste amor que tens por mim, apascenta as minhas ovelhas.
 
“Pedro, tu me amas?” – Se é verdade que me amas, apascenta os meus cordeiros.
 
Pela terceira vez – “Pedro, tu me amas?” – Pedro entristeceu. – “Senhor, tu sabes de todas as coisas”, é o mesmo que dizer: Tu sabes que antes não era assim. Eu amava a idéia de ser ministro do reino que eu imaginava que tu conduzirias. Antes era assim: “Eu deixei tudo, o que vou ganhar com isto?” Antes, eu achava que estava fazendo um grande investimento em deixar minha empresa pesqueira para te seguir. “Senhor, tu sabes de todas as coisas” – Agora, “Tu sabes que eu te amo!”
 
– Apascenta minhas ovelhas, Pedro.
 
É por isto que em sua Epístola Pedro escreve aos presbíteros que pastoreavam o rebanho do Senhor que tivessem cuidado, que não o fizessem por força, nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus…
 
Contam a história de um certo casal idoso que era muuuuuito rico. A casa deles era a maior mansão do país. A casa mais cobiçada. A casa dos contos de fada.
 
Eles tinham um filho. Apenas um, a quem devotavam muita atenção. E o mesmo faleceu ainda em sua juventude.
 
De desgosto, os velhos definharam e aproximaram-se da morte. Nada mais lhes importou nesta vida.    Por fim, morreram. Pouco tempo depois se anunciou que haveria um leilão onde os bens daquele casal seriam praceados. Os móveis, as obras de arte, as jóias, o gado, os carros e por fim a própria casa.
 
Vieram interessados de todo o reino. O salão da mansão se encheu de arrematantes. Iniciou-se o leilão e o leiloeiro surpreendeu a todos ao avisar que o primeiro objeto a ser leiloado seria um pôster do filho do casal.
 
Ninguém se interessou. Desejaram, inclusive que deixassem este objeto de fora do leilão, porque  o que lhes interessava eram as obras de arte e demais preciosidades que lhes causavam fascínio.
 
Lá atrás, naquela multidão, uma senhora idosa, pobre, não muito bem aparentada se apresentou e disse que tinha interesse pelo pôster. Ao ser interrogada sobre o motivo porque se interessava por aquela fotografia ela disse que havia sido a babá daquele rapaz e i amava como se fosse seu próprio filho. Ela também contou a todos que ao saber do leilão vendeu tudo o que tinha, que não era muita coisa, e juntou um dinheirinho para arrematar aquele quadro. Então ela apresentou toda a sua economia e declarou estar disposta a pagar tudo por aquela foto.
 
O leiloeiro imediatamente pediu a todos que se levantassem e em bom som anunciou que estava encerrando o leilão naquele instante. Quando todos se espantaram e se alvoraçaram ele explicou que constava do testamento do casal que a pessoa que demonstrasse amor pelo seu filho e como prova deste amor arrematasse sua fotografia seria proprietária de tudo o que eles possuíam, uma vez que tudo o que tiveram em vida haveria de ser de seu filho se o mesmo não houvesse falecido.
 
Mesmo sendo questionado e vaiado, o leiloeiro bateu o martelo e declarou que aquela senhora era a nova proprietária da maior mansão daquele país e de tudo o que fazia parte do patrimônio.
 
“Quem ama o Filho tem a vida eterna” – 1Jo 5:12 .
 
Ou desejamos Cristo, e somente a Ele, ou estamos perdidos. Com títulos, com elegância, com nossos feitos e com nossa história, estamos perdidos.
 
“Mas, Senhor, em teu nome nós não profetizamos? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?”
“E eu lhes direi abertamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”. – Mt 7. 22,23.
 
Você se lembra que eu questionei no início que se aquele rei era Deus, por que Ele não se importou com a história de vida do homem-da-árvore?
 
Está aí. A Ele não interessava os feitos nem a paixão daquele homem pelo castelo. A Deus importa que você o aceite pela fé. É pela fé que seremos justificados. Não há méritos em nós. Não há mérito algum. Do contrário a graça não seria graça. Nada que tenhamos feito pelo Reino de Deus nos torna dignos da vida eterna. Se os fizemos de coração receberemos galardão por isto. Mas não são nossas realizações que nos fará chegar lá.
 
Todos nós, estamos nus diante de Deus. Todos pecamos e destituídos estamos da glória de Deus. Ou reconhecemos isto ou estamos perdidos!
 
As igrejas que fundamos, as almas que ganhamos, os dízimos que entregamos, as mensagens ungidas que pregamos, os enfermos que visitamos, os louvores que entoamos, os cultos que freqüentamos, os livros que escrevemos, as aulas que ministramos, as línguas que falamos, os dons que administramos. Nada, absolutamente nada nos torna dignos. Ou vestimos as roupas que Ele nos oferece ou estamos perdidos!- Ef 2:8 . Ef 2:9 .
 
Porque se fizerdes tudo o que eu vos mando, considerai-vos dignos, mais que dignos, porteiros do céu, e ainda tendes convites para dardes a quem quiserdes, e ai de quem discordar de vós!
 
Só não pude dizer em que referência bíblica se encontra este último versículo que citei. E sabe por que não pude dizer? – Não é porque tenho memória fraca, não. É porque este versículo se encerra da maneira como muitos de nós não gostaríamos que se encerrasse – “vos considereis servos inúteis!
 
Esta é a verdade do Evangelho. A verdade que não estamos pregando nos nossos púlpitos. Só estamos oferecendo vitória, vitória e vitória. E nos esquecemos de alertar aos nossos membros, ao povo de Deus, que nós, qualquer um de nós, podemos ser o homem que foi amarrado és e mãos e lançado no fosso.
 
Qual foi a última vez que participamos de um evento na igreja onde o tema escolhido foi o seguinte:
 
“MUITOS SÃO CHAMADOS, MAS POUCOS ESCOLHIDOS!?”
 
Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 11.09.2010.

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