A Parábola do Bom Samaritano – Parte II

Compartilhe

 

“Jesus respondeu e disse: Descia um certo homem, de Jerusalém para Jericó…” –  Jesus estava narrando um fato ou estava criando uma ficção? Se era um fato verdadeiro pode ser chamado, mesmo assim, de parábola?  – Sim. Porque parábola é qualquer história acontecida ou não que serve para ilustrar e revelar uma verdade.

De Jericó a Jerusalém são 37 km.  Em linha reta seriam cerca de 25 Km, todavia, o caminho poeirento, serpenteia através de abruptos precipícios montanhosos, a mil e duzentos metros de altura, quase desprovidos de vegetação. Contrastes tão grandes como o que oferece este curto trajecto mal seria possível encontrá-los noutra parte. Da vegetação paradisíaca e do insuportável calor tropical nas margens do Jordão, passa-se, sem transição, para o frio dos cimos nus das montanhas. (¹)

O trajeto era conhecido dos discípulos e daquele fariseu que conversava com Jesus. Por ser um lugar montanhoso, sinuoso e deserto, era comum casos de assalto, estupro e até de assassinato naquele trajeto. Era, portanto, um caminho que a maioria não gostava de percorrer. Geralmente, ou as pessoas íam em grupos, em caravanas ou apenas alguns desavisados ou muito corajosos decidiam passar por ali.

O homem descia de Jerusalém para Jericó –  Jerusalém representa o lugar da comunhão com Deus, a igreja, os lugares celestiais onde o crente deve estar assentado, com Cristo Jesus – Ef 2:6 . Descer é sempre negativo no sentido espiritual. “Para o entendido, o caminho da vida leva para cima, para que se desvie do inferno em baixo” – Pv 15:24 . Jericó representa o lugar da maldição – Js 6:26 ; 1Rs 16:34 . O caminho para Jericó representa as escapadas que o crente dá, em sua jornada espiritual.  Trata-se de um afastar consciente…

O caminho de Jerusalém a Jericó é o caminho do perigo, do risco. É o caminho percorrido pelo crente que brinca com o pecado; que acredita que o mal não lhe atingirá; que se acha imune ao pecado pela experiência cristã que possui; que desdenha daqueles que caíram e diz em seu coração que isso só acontece com “crente fraco”…  A advertência bíblica para esses casos é que quem está em pé, cuide para que não caia – 1Co 10:12 . Paulo aconselha à Igreja em Tessalônica  que fuja da aparência do mal – 1Ts 5:22 . Há certos caminhos que a Palavra de Deus nos aconselha que devemos trilhá-los. Há outros que ela aconselha a fugirmos – 2Tm 2:22 . Fugir, em alguns aspectos, pode representar covardia, em outros, sabedoria. Um exército, muitas vezes, precisa colocar-se em fuga, para poder recompor suas forças e elaborar uma nova estratégia. Optar por seguir o caminho de Jerusalém a Jericó é demonstrar muita auto-confiança. O que for sábio pedirá ao Senhor, sempre, que lhe conduza pelos caminhos retos – Sl 139:24 .

“… E caiu nas mãos dos salteadores…” – Ah! com essa ele não contava! Mas, devia saber. Nos caminhos sinuosos há ladrões e salteadores. Ninguém se engane, aquele que entra pelos caminhos obscuros devem estar cientes do risco que irão correr. “Ninguém, ao ser tentado, diga: Por Deus estou sendo tentato…” – Tg 1:13 .  Deus nunca nos deixa entrar por um caminho que não deveríamos passar por ele, sem nos avisar antes. O Senhor, na pessoa do seu bendito Espírito Santo, sempre nos avisa. Nós, é que muita das vezes, não queremos dar ouvidos. Quantas vezes atraímos a tentação para nós como se fôssemos fortes o sufiente para não sermos vencidos por ela. Os salteadores desta parábola representam todo tipo de tentação pela qual podemos passsar. Para uns são as mulheres; para outros são as bebidas e as festas; para outros o dinheiro ganho de forma ilícita; para outros o poder… Inúmeros ladrões e salteadores estão à nossa espreita –  Gn 4:7 ; Tg 1:14 . Quem é sincero e temente diante de Deus e conhece os seus limites, evita o pecado, evita descer de Jerusalém para Jericó.

“… os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto”Tem um hino que diz: “O pecado não dói, não dói…” Vá nessa para você ver! O pecado machuca, espanca, despoja-nos da alegria da salvação, da boa imagem que antes tínhamos, da confiança que nos depositavam, do fervor no espírito… O pecado arranca de nós todas as expectativas em relação à obra de Deus… Há um enorme número de bençãos que nos são subtraídas quando somos assaltados pelo pecado – Pv 6:32 . O pecado destróia a nossa alma e nos deixa ao chão, meio morto. Alguns terminam morrendo de verdade – 1Jo 5:16 .

“E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo” – Em Jericó residiam alguns sacerdotes que depois de terem cumprido seu plantão no templo,  para lá retornavam. Sacerdotes que tiram folga na obra de Deus passa pelos “mesmos caminhos” que os membros desobedientes passam. Tudo o que eles pregam no púlpito que não se pode fazer, terminam fazendo quando estão de “folga”. Acontece que por estarem de folga, não acham que devem prestar seus cuidados espirituais… Ou, porque parar para cuidar daquele coitado poderia lhe comprometer uma vez que ninguém esperava que um sacerdote trilhasse “aquele caminho”. Talvez fosse, simplesmente porque o homem lhe pareceu estar morto e tocar em um morto tornava-o contaminado, impuro. Seja qual for a razão, o sacerdote passou de largo. Que adianta o exercício do ministério se não somos capazes de cuidar daquele que se feriu ao longo da jornada? Por que cuidamos de alguém que veio do mundo de pecado e não cuidamos de um obreiro que cai? Por que quando um obreiro se torna inapto para o ministério é abandonado e esquecido pelo ministério?

“E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo” – Enquanto o sacerdote representa os pastores, aqueles que ministram no altar, o levita representa todos os que servem na igreja. Obreiros, líderes de departamentos, porteiros ou qualquer um que exerça um cargo no templo. O que aquele levita estava fazendo ali? – Veja que o “caminho” da tentação é frequentado por todos. Muitas vezes nos comportamos como verdadeiros hipócritas em nossas reuniões de obreiros ou em nossos cultos de membros e até ficamos escandalizados quando tomamos conhecimento da “queda” de algum companheiro… Mas, na verdade, não tem esse que, de vez em quando, não desce de Jerusalém para Jericó! O que não podemos admitir é o fato de o levita, também, ter passado de largo. Por que não parou? E se aquele homem fosse um levita, também? Poderia, inclusive, ser um sacerdote. Como poderiam saber se ele estava despojado de sua roupa, de sua túnica!? – Se eles soubessem quem era o homem caído, talvez teriam agido diferente?

“Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão” – Não nos escandalizaríamos se soubéssemos que um “samaritano” estava naquele “caminho”, também. Ele era pecador,  herético, cismático e para um pecador deste nipe, seguir o caminho da tentação e do perigo não tem nada demais… Caramba! Já expressei meu preconceito! Quem se admira quando ouve falar que uma prostituta pecou? que um político se corrompeu?  – O samaritano, parece-nos que estava no caminho que já lhe era familiar. Mas, não foi isso que Jesus destacou. Pelo contrário, o que foi enfatizado nesta parábola profética é o fato de ele, justamente ele, ter sido o único que parou… Não apenas parou, mas moveu-se de íntima compaixão! – Compaixão!? Isto não é característico de quem é servo de Deus? – Não se irritem comigo, esta parábola foi proferida por Jesus…

Quem era o Samaritano? A quem ele representa em nossos dias? – Permitam-me dar uma pausa aqui. Em outro texto,  no texto 3, tentaremos responder quem era o Samaritano. 

Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano – 28.08.2010.

 

(¹)  Informação obtida nos sites: www.ccdr.pt/content/view/732/76/  e

http://www.jesusvoltara.com.br/dicionariobiblico/jerico.htm
e do livro: a Palestina no Tempo de Jesus
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *