A Parábola do Filho Pródigo – Parte I

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A Parábola do Filho Pródigo está registrada em Lucas 15:11-32

  Lc 15:11 E disse: Um certo homem tinha dois filhos;
  Lc 15:12 E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
  Lc 15:13 E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.

Pródigo é a pessoa que se revela por um gasto imoderado capaz de comprometer seu patrimônio. É considerada uma doença mental. O pródigo pode ser interditado judicialmente. Quando este for interditado será nomeado um assistente para que administre o patrimônio.

Quantas vezes associamos a palavra pródigo com o desviado que volta, que retorna à igreja, à casa do pai, sem sabermos o real sentido da palavra. Todavia, se o significado  exato não é este, convencionou-se, por esta parábola, que filho pródigo é o desviado que se reconcilia, que volta para a igreja. Portanto, no meio evangélico, Filho Pródigo é o  crente que desviou-se da igreja, andou errante por este mundo de pecado, mas, arrependeu-se e, à tempo, voltou para a casa do Pai.

A parábola do Filho Pródigo é, talvez, a maior e a mais conhecida de todas as parábolas. Dentro desta parábola dá para abordarmos assuntos diversos e estrairmos vários ensinamentos.

No texto 2, nós vimos que o tema abordado foi: As 3 dádivas que o filho pródigo recebeu do seu pai, a saber: vestes novas, o anel e as sandálias.

Já temos ouvido mensagens ou pregações, sobre o irmão do filho pródigo, sobre o perigo de nos afastarmos da igreja, sobre o perdão que o Pai oferece, sobre o arrependimento, sobre o retorno do filho e outros…

Neste texto, queremos abordar sobre os fatores que influenciaram o filho a sair de casa.

Não temos dúvida que o fator número um foi a falta de maturidade. O texto não precisa a idade que tinha o filho menor, mas, muito provavelmente, era um jovem, recém saído da adolescência, sem experiência de vida.

Se fôssemos enumerar os fatores, diríamos que o fator número dois, e pra mim, o mais importante, foi a monotonia de sua vida nas dependências de seu lar. Talvez aquela fazenda, aquela casa, aquele lar, por mais aconchegantes que fossem, tivessem atividades rotineiras, tudo muito certinho e muito previsível. O filho começou a fantasiar uma vida mais agitada, mais barulhenta, mais ativa e com mais emoção.

Sabe aquele clima de insatisfação que bate em nossos filhos e até nos membros da nossa igreja? A gente olha em volta e pensa: O que mais esse menino quer? O que mais esses irmãos esperam que eu faça?

Não seria interessante refletir um pouco se a igreja que damos aos nossos membros não é uma igreja rotineira, monótona? O aconchego de nosso lar é suficiente para tornar alguém feliz? Por que esposas de maridos prósperos e bacanas traem? As mulheres não gostariam de ter algo além de casa, comida e conforto? Nossos filhos não gostariam de conhecer outros lugares e ter outras sensações?

Ou seja, precisamos analisar se as igrejas não são, também, responsáveis por haver tantos crentes desviados neste mundo! Taxar o filho pródigo de rebelde, desobediente, amante da luxúria etc, é muito fácil. Foi assim que o irmão mais velho dele o viu. É assim que o temos julgado ao longo desses dois milênios.

Todavia, não era esse o olhar do pai… O pai sabia, la no fundo, que seu filho tinha um pouco de razão, ele(o filho) só não tinha noção do quanto o mundo era cruel, do quanto as amizades eram falsas.

No entanto, não é por saber disto que vamos aprisionar as ovelhas em nosso aprisco como se tudo o que Deus tem para elas se resumisse a cultos, estudos bíblicos, oração. Na outra semana, cultos, estudos bíblicos, oração. No próximo mês, a mesma coisa, nos próximos trinta anos, também.

Eu conheci uma jovem desviada que ao perguntar se ela não pensava no céu, na vida eterna, ela me disse:

– Quando eu penso na monotonia que será no céu, eu não sinto mais desejo nenhum de ser crente.

Eu disse:

– Como assim?

E ela me disse:

– Se for só para ficar cantando: Santo, santo, santo por um milhão de anos, eu vou ficar louca. Isso, sim será um inferno!

Bem… Eu pensei: Será que não é essa a imagem que passamos sobre o céu ao tornarmos as nossas atividades na igreja bastante rotineiras?

– Caramba! Mas, o pai nesta parábola não representa Deus?

– Sim. Só que quem faz as vezes do céu e de Deus na terra é a igreja e o pastor. Portanto, é de responsabilidade do pastor tornar a igreja um lugar parecido com o céu

E ponto final

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano – 28.10.2010

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