Por Que o Bordão de Eliseu Não Funcionou?

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  2Rs 4:27 Chegando ela, pois, ao homem de Deus, ao monte, pegou nos seus pés; mas chegou Geazi para retirá-la; disse porém o homem de Deus: Deixa-a, porque a sua alma está triste de amargura, e o SENHOR me encobriu, e não me manifestou.
  2Rs 4:28 E disse ela: Pedi eu a meu SENHOR algum filho? Não disse eu: Não me enganes?
  2Rs 4:29 E ele disse a Geazi: Cinge os teus lombos, toma o meu bordão na tua mão, e vai; se encontrares alguém não o saúdes, e se alguém te saudar, não lhe respondas; e põe o meu bordão sobre o rosto do menino.
  2Rs 4:30 Porém disse a mãe do menino: Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te hei de deixar. Então ele se levantou, e a seguiu.
  2Rs 4:31 E Geazi passou adiante deles, e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não havia nele voz nem sentido; e voltou a encontrar-se com ele, e lhe trouxe aviso, dizendo: O menino não despertou.
  2Rs 4:32 E, chegando Eliseu àquela casa, eis que o menino jazia morto sobre a sua cama.
  2Rs 4:33 Então entrou ele, e fechou a porta sobre eles ambos, e orou ao SENHOR.
  2Rs 4:34 E subiu à cama e deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua boca sobre a boca dele, e os seus olhos sobre os olhos dele, e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu.
  2Rs 4:35 Depois desceu, e andou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele, então o menino espirrou sete vezes, e abriu os olhos.
  2Rs 4:36 Então chamou a Geazi, e disse: Chama esta sunamita. E chamou-a, e veio a ele. E disse ele: Toma o teu filho.
  2Rs 4:37 E entrou ela, e se prostrou a seus pés, e se inclinou à terra; e tomou o seu filho e saiu.

Estamos vivendo em uma época na qual é comum assistirmos pela TV ou em diversas igrejas neopentecostais, um pastor, utilizar-se de um objeto, para o qual ele transfere a unção que ele diz possuir, e com isso determinar que através daquele objeto alguém seja curado ou algum outro milagre aconteça.

No Antigo Testamento essa prática já era conhecida e utilizada até mesmo por profetas de Deus. Eliseu era o profeta de honra de Israel. Um homem sobre quem pairava uma porção dobrada da unção que havia sido liberada por Deus sobre o profeta Elias.

De vez em quando Eliseu ousava fazer algum milagre, digamos – “fora dos padrões”, se é que a realização de milagres obedece a algum padrão. Teve uma vez que ele lançou um pedaço de madeira sobre o rio e o machado que estava desaparecido flutuou. Outra vez ele derramou sal sobre um manancial, cujas águas eram estéreis e, as águas do rio ficaram sãs.

E, por último, o filho da Sunamita faleceu e Eliseu foi procurado pela mãe angustiada. Eliseu determinou que seu servo Geazi corresse até à casa da sunamita e colocasse sobre o menino o seu bordão/cajado, na esperança de que a unção transferida para aquele objeto trouxesse à vida o menino falecido.

Quem conhece a história sabe que Geazi fez como o profeta ordenara, colocou o bordão sobre o menino, mas, o menino não ressuscitou. Ou seja, a estratégia de Eliseu não funcionou.

Como não? Por que não? O que saiu errado? Por que a unção não foi transferida para o bordão de Eliseu?

Queremos abordar, biblicamente, algumas razões porque o bordão de Eliseu não funcionou:

I. ESTRATÉGIA ERRADA DO PROFETA

          1. O bordão representa nossos talentos, habilidades para se fazer a obra de Deus. Quem tem experiência na obra de Deus sabe que a habilidade não é o fator preponderante para que a obra de Deus se realize. A graça de Deus atua exatamente onde e no momento em que nossas habilidades não estão em destaque;

          2. Eliseu demonstrou auto-confiança. Porque o Senhor tinha realizado milagres das outras vezes, ele estava convicto que sempre que quisesse e da maneira que bem quisesse o milagre aconteceria. A vã glória é um passo para a derrota. Quem se considera o profeta desta geração, o pregador através de quem as almas se convertem, o pastor que faz o rebanho aumentar, o cantor que atrai a unção sobre a igreja, está fadado a ser deixado pelo Espírito Santo e descobrir que sozinho não faz nada, nada acontece;

          3. Uma coisa é você fazer algo, digamos “fora dos padrões”, por direção do Espírito Santo, outra coisa é você inventar um modo de agir e achar que o Espírito Santo vai homologá-lo. Quantas inovações temos visto em nossos dias, quantos comportamentos, ministrações e jargões fora dos padrões estabelecidos pela Palavra de Deus! O que temos visto, na verdade, são metodologias vazias da unção e sem nenhum fruto para o Reino de Deus!

II. MENSAGEIRO SEM UNÇÃO

          1. Geazi era o portador do bordão, o bordão até que podia ser ungido, mas Geazi, não. Na biografia de Eliseu, Geazi aparece como um homem sem visão espiritual, mentiroso, ganancioso, usurento e carnal. Não basta ser “obreiro”, ter recebido a “consagração” e ter um título; não basta congregar com um grande homem de Deus; não basta ter sido enviado para representar o pastor presidente… É preciso ter unção de Deus na vida!

          2. Obreiro carnal, em geral não dá frutos. Quando consegue algum fruto, o fruto é carnal, por consequência. A carne só gera carnalidade. Temos visto um monte de crentes que não se converteram, apenas se tornaram crentes. Por que isto? Porque são frutos de pregações produzidas na carne, de cruzadas realizadas por obreiros carnais, de congressos sem a verdadeira presença e mover do Espírito Santo. O resultado é que esses crentes, frutos de um trabalho ou de uma pregação feita na carne, se tornam crentes carnais que só servem para dar trabalho para seus pastores;

         3. Geazi é como o Aimaaz, um mensageiro sem mensagem.

III. PARA O MILAGRE ACONTECER FOI PRECISO ELISEU SE DEITAR SOBRE O MENINO

          1. Eliseu acompanhou a sunamita atè à sua casa, entrou no quarto, sozinho. O menino morto, estava deitado sobre a sua cama. Ele orou ao Senhor, deitou-se sobre o menino, o menino aqueceu. Eliseu levantou-se, andou dentro do quarto em oração, voltou e deitou-se novamente sobre o menino, suas mãos sobre as mãos dele, seus pés sobre os pés dele, sua boca, seu nariz e seus olhos sobre os do menino… E o menino espirrou sete vezes…

          2. Primeiro, foi preciso o profeta se envolver, ir até à casa, ver a criança sem vida. Não se faz a obra de Deus de dentro de um gabinete, apenas dando ordens, mandando representantes e assinando cheques. É preciso envolvimento do homem de Deus;

         2. Em segundo lugar, Eliseu entendeu que não é com o “bastão” que Deus tem compromisso. Deus tem compromisso com o homem a quem ele chamou. Especialmente com o homem que tem uma vida consagrada ao Senhor.

IV. O CORPO DO MENINO AQUECEU, MAS AINDA ESTAVA MORTO

          1. O menino representa nosso ministério, a igreja que pastoreamos, o grupo que lideramos, a chamada. Às vezes a igreja se aquece, mas ainda está morta. O grupo comoça a dar sinal de vida, mas continua morto. Às vezes os obreiros parecem aquecidos, mas, na essência ainda permancem sem vida.

         2. O profeta se inquietou… Começou a andar dentro do quarto, clamando ao Senhor… Não é o bastão que traz vida a uma igreja, é a oração. Não são os movimentos e show’s gospel’s que vão reavivar teu ministério, é a oração. Não adianta inventar campanhas disso ou daquilo. Se você  não entrar para dentro do seu quarto e não orar, o menino pode até aquecer, mas, vai continuar morto!

         3. O profeta não pode se dar por vencido, tem que voltar a deitar-se sobre o menino. Tem que colocar o coração no rebanho. Pastor tem que ter cheiro de ovelha, tem que abraçá-la, tem que se estender sobre ela. A igreja precisa sentir o coração do pastor pulsando, tem que escutar a voz do pastor orando, tem que ver as lágrimas rolando em sua face. Um pastor verdadeiramente comprometido com a igreja, não apenas aquece, mas faz o menino espirrar…

 

Esta mensagem foi pregada pela irmã Geusa P. Sousa, minha esposa, no culto de domingo, dia 06.11.2011, em nossa congregação na QNQ 02 – Ceilândia-DF.

Em Cristo, Sandoval Juliano, O Presbítero – 14.11.2011.

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