Remendo Novo e Vinho Novo

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                                                     “Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha; doutra sorte o mesmo remendo novo rompe o velho, e a rotura fica maior”.

        “E ninguém deita vinho novo em odres velhos; doutra sorte, o vinho novo rompe os odres e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; o vinho novo deve ser deitado em odres novos”. Marcos 2.21,22

 

A inteligência de Jesus Cristo é algo surpreendente. Sua capacidade de, em poucas palavras dizer muita coisa e dizer verdades que não serviam apenas para a geração de seus dias, mas para todas as gerações futuras, é admirável.

A religiosidade, a Lei e as tradições em Israel já tinham se transformado em pano esfarrapado, ou, no dizer do Mestre, em odre velho. Ambas as figuras eram muito conhecidas pelo povo de Israel. Não era comum as pessoas terem em casa guarda-roupas e peças de vestuário em abundância, como em nossos dias. Daí, ser normal encontrar alguém com uma roupa que levava um remendo. E, o que sabemos sobre o vinho? – O livro: “A Palestina no Tempo de Jesus” diz que o vinho era o “cafezinho” em todas as casas do povo israelita. Era bebida indispensável no templo, especialmente nas libações e na festa da páscoa. Portanto, era do conhecimento de todos as regras de conservação do vinho.

QUANTO AO REMENDO NOVO EM PANO VELHO

Um pano velho remendado com um pedaço de tecido novo corre o risco de sofrer dois desastres. Primeiro, o de sua estrutura ser rompida quando o pedaço novo de tecido se encolher. O Segundo é o desastre da estética, uma vez que o pedaço novo faria a roupa parecer ainda mais desbotada e velha.

Jesus não veio trazer um remendo ao velho sistema religioso dos judeus. Jesus não veio projetar uma nova luz sobre as tradições religiosas e sobre o paganismo. Jesus veio trazer tecido totalmente novo, sem emendas nem costura. Jesus quer que o velho seja removido. Todos os conceitos que tínhamos, antes de Jesus, precisam ser aniquilados aos pés da cruz. Eu não posso pegar, por exemplo, a superstição do paganismo e projetar uma luz bíblica adequando-a para condizer com a nova realidade. O Evangelho não é uma colcha de retalhos onde cada retalho representa o que há de melhor em cada religião existente. O Evangelho não é uma reinvenção do judaísmo ou do islamismo. O cristianismo, nos moldes da Igreja Católica é uma mistura de cada religião preexistente. O Evangelho não é assim. O Evangelho é original, sem costura e não admite remendos. Eu não preciso ter uma “Nossa Senhora”, por exemplo, só porque a maioria das religiões têm uma deusa mãe.

QUANTO AO VINHO NOVO EM ODRE NOVO

Na Enciclopédia Larrousse do Vinho, sobre a conservação deste produto, diz-se que o vinho deve permanecer por certo tempo em barris e depois deve ser transferido para garrafas para que complete o estado de maturação. É dito também que um barril quando reutilizado não garantirá qualidade ao vinho como na primeira utilização. O responsável pela adega deve comprar suas barricas novas antes das vindimas, definindo a proporção de sua colheita que alojará em barris de carvalho novos. Pode-se até acrescentar mais vinho a um barril para que o mesmo não fique vazio e não comprometa a qualidade do vinho ali existente. O barril é chamado pelos especialistas de “o barril de um vinho”. Quando o vinho é colocado no barril novo, a madeira do barril incha-se por um período e não permite a entrada de ar, pois, do contrário, o produto ficaria comprometido já que o oxigênio danifica o vinho.

Na época de Jesus usava-se odres. Barril é coisa mais recente. Naquela época não havia o conceito de se guardar vinhos por uma década, por exemplo. O vinho não passava de um ano. O barril foi inventado depois que começou-se a descobrir que alguns vinhos ficavam cada vez mais saborosos com o passar do tempo. Os odres são uma espécie de vasilha, em forma de sacos, confeccionados com couro de animais. Um odre ressecado não suporta a expansão do vinho.

Essa informação confirma as palavras de Jesus. O Mestre estava afirmando que certas coisas não se ajustam. O Evangelho é uma BOA NOVA. Ou seja, é uma mensagem sempre nova e não se ajusta a conservadorismos, a tradições familiares e religiosas.

Se o odre é um recipiente, Jesus está referindo-se a nossa alma, nossa mente, nosso ser. O crente não pode acomodar-se, não pode envelhecer. Nao podemos ficar presos a alguma informação adquirida no início de nossa fé e não aceitarmos as novidades que o conhecimento traz. A ignorância é o maior inimigo do propósito do verdadeiro cristianismo.

Se o remendo novo em pano velho fala de um novo caminho apresentado por Jesus, o qual é o próprio Jesus, o vinho novo em odre novo fala da renovação que o crente deve experimentar periodicamente depois de ter entrado nesse caminho. O crente não pode envelhecer. Em Cristo temos que andar sempre em novidade de vida, temos que ser sempre novos para receber o “novo” de Cristo a cada dia.

                          “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo“. – 2 Coríntios 5.17.

Em Cristo, Ev. Sandoval Juliano, 20.11.2009.

 

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