Um Retrato da Alma Humana na História de Zaqueu

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Texto Bíblico: Lucas 19:1-10

Eu gostaria de lhes apresentar a figura de Zaqueu, que em poucas frases, foi pelo Evangelista Lucas desenhado em seu trabalho e profissão, em sua vontade de encontrar-se com Cristo e o respectivo encontro, e da mudança radical que resultou essa história. O texto de Lucas é breve, mas denso. Atrás de cada palavra descobrimos todo um contexto, tanto psicológico, quanto circunstancial. A leitura das entrelinhas, que é o que vamos fazer aqui, nos fornece uma preciosa pista, pela qual conhecemos a alma de Jesus, a alma de Zaqueu, a alma do povo e os mil relacionamentos destas almas, que acabam por nos dar um retrato da alma humana.

I. A ALMA DE JESUS

          1. As idas e vindas de Jesus pelas cidades e vilas da Judéia, Galiléia e outras regiões, foram caracterizadas pela busca de uma pessoa, de uma alma.

          2. Como exemplos temos: A mulher samaritana no Poço de Jacó; a mulher cananéia nas terras de Tiro e Sidom; o cego em Jericó; o único leproso, dentre os dez; a mulher do fluxo de sangue; e tantos outros, que em meio às multidões, foram tratados de forma individual. Ah, até o gadareno…

          3. “Porque o Filho do Homem veio BUSCAR e SALVAR o que se havia perdido” – Lc 19:10 ;

          4. Cada passo de Jesus era programado. Sua alma era amor personificado. Ele farejava o rejeitado, o discriminado, aquele que viva estigmatizado/rotulado. Essa era a alma de Jesus. Não eram as multidões que O interessavam, eram as almas…

          5. Se Jesus sabia que em determinado caminho havia alguém, com uma alma mutilada, em frangalhos, era por esse alguém que Ele empreendia uma viagem, como aconteceu naquele dia.

II. A ALMA DE ZAQUEU 

          1. Como eu gostaria de ser um experiente psicólogo e um exímio narrador para poder descrever como devia estar a alma de Zaqueu!

          2. Bem pode ser que Zaqueu não tivesse sentido qualquer incômodo até que tivesse ouvido falar de Jesus. Mas, uma vez que a notícia e as mensagens de Cristo chegaram-lhe aos ouvidos, nada falava tão alto a ele quanto a sua consciência. Mesmo quando manipulava suas contas ou calculava seus lucros, seus avanços econômicos, seus sucessos financeiros, sentia como que uma sombra pairando sobre toda aquela contabilidade. Ele, que tanto procurava o gozo das realidades terrenas, sentia-se perturbado.

          3. Quantos questionamentos passaram a vir à mente; quantas lembranças de injustiças praticadas; quantas palavras de injúria que haviam proferido contra ele; quantas portas que se fecharam ao simples aproximar de seus passos; quantos sábados nos quais ele desejou passar na sinagoga, mas não podia por ter se tornado um publicano. O publicano era  alguém que pela característica do seu ofício era automaticamente rejeitado e marginalizado. Sua presença parecia ser contagiosa, à semelhança dos leprosos. Ninguém queria ser pego almoçando ou banqueteando-se na casa de um publicano.

          4. Sabes por que Cristo quis entrar na casa e não apenas na alma de Zaqueu? – Porque ao entrar em sua casa, levando a salvação, salvava todo um contexto de realidades, dentro das quais e com as quais Zaqueu se dimensionava.

          5. Esse é o retrato, em tamanho 3×4, já que não há espaço aqui para ampliá-lo, do homem que aquele dia subiu ao sicômoro para ver quem era Jesus. Se existia alguém que, naquele dia, pretendia ver a Jesus, apenas por curiosidade, esse alguém não era Zaqueu.

III. A ALMA DO POVO

– Da alma daquele povo que presenciou Jesus entrando na casa de Zaqueu poderemos adquirir um retrato, de acordo com as respostas que dermos às seguintes perguntas:

          1. Em algum momento aquele povo se alegrou por Jesus ter se encontrado com Zaqueu?

          2. Alguém naquela multidão conseguia enxergar em Zaqueu uma alma necessitada de Deus?

         3.. Porventura o sentimento mais marcante na alma daquele povo não foi o de indignação, inconformismo e inveja?

          4. Quantos deles não deve ter dito entre si que adorariam ter recebido Jesus em sua casa? – Todavia, teriam dito eles – Olha na casa de quem Jesus resolveu pousar esta noite! 

          5. Provavelmente, alguns cogitaram a possibilidade de Zaqueu sair transformado daquele encontro e assim, pelo menos, não seriam mais explorados por aquele miserável…

          6. Será que alguns outros não sussurraram a possibilidade de Jesus estar atrás de levantar verba para sua campanha evangelística?

          7. Quem de nós, hoje, consegue imaginar alguns, daquele povo, dizendo: “Que maravilha, veja a bondade de Jesus, dando a um perdido uma oportunidade de salvação!”?

          8. Ah! Meu Deus! – A alma do povo…

III. A NOSSA ALMA DIANTE DE UM ESPELHO

          1. Com a alma de quem nós nos identificamos? – Com a alma de Jesus, com a de Zaqueu ou com a do povo?

          2. Acho que na breve história de Zaqueu temos um exemplo claro de como Deus procura e acha, de como Jesus age na alma do homem, numa manifestação evidente de que se interessa por nós.

          3. Na figura de Zaqueu, há um convite à esperança, para todos aqueles que experimentam a estranha sensação de abandono, daqueles que encontram-se presos na armadilha que criaram ao construirem uma história baseada na mentira, no ganho desonesto, na prática da injustiça, e que, por assim terem feito, estão hoje pobres, como Zaqueu, não por falta de dinheiro, mas de amigos, de relacionamentos e de aceitação.

          4. A alma de Zaqueu e sua trajetória pode perfeitamente representar o nosso caminhar.

          5. Na multidão que seguia a Jesus vemos o retrato do que parece estar correto, dos que parecem estarem fazendo o correto, mas que na verdade não são capazes de despertar a alma de Cristo.

          6. Que você possa ter o privilégio de receber Jesus em sua casa e em sua vida para colorir o seu retrato.

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano.

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