Sexo Rejuvenescedor!

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Transcrevo abaixo, na íntegra, uma excelente reportagem que encontrei numa Revista Veja há um tempo atrás e que eu guardei para este momento…  

Pesquisa inédita revela que a prática sexual frequente mantém a juventude

                            Sexo não é só prazer. Quando bem feito, é um santo remédio. Protege o coração. Alivia o stress. E até emagrece – um orgasmo consome 160 calorias em dezenove segundos, o equivalente a dois bombons. Na semana passada, o neuropsicólogo americano Dawid Weeks, do Hospital Real de Edimburgo, na Escócia, expandiu ainda mais esse rol de benefícios. Sexo pode ser também sinônimo de aparência jovial. Mas não qualquer sexo. O sexo rejuvenescedor é o sexo frequente e feliz. “Durante o sexo, o cérebro libera substâncias que retardam o envelhecimento”, disse Weeks a VEJA.

                         Em 1988, ele publicou um anúncio na revista científica NEW SCIENTIST: “você parece e sente-se mais jovem do que realmente é?” apresentaram-se 3.500 americanos e europeus, de 18 a 102 anos. Cada um discorreu sobre seu estilo de vida e a aparência física dos parentes mais próximos. Depois, outro grupo de voluntários tentava adivinhar a idade dos entrevistados. Surpresa. Homens que praticavam sexo ao menos três vezes por semana aparentavam doze anos a menos do que sua idade cronológica. No caso das mulheres, o desconto foi de dez. A esses indivíduos que pareciam ter parado no tempo Weeks chamou de superjovens.

                        A pesquisa foi além. Constatou que a genética manda pouco no aspecto jovial. Os “superjovens” mantinham-se como que conservados em formol, graças, muito mais a uma alimentação saudável, à prática sexual prazerosa e a sessões regulares de ginástica. Apesar de a prática sexual não ser o único fator a contribuir para o rejuvenescimento, o trabalho do doutor Weeks deu uma nova dimensão a ela. Até então, acreditava-se que os benefícios do sexo eqüivaliam aos dos exercícios físicos. Mais importante, porém do que o esforço envolvido no ato sexual são as emoções entre o casal. Para que o sexo rejuvenesça, é necessário o envolvimento afetivo. As aventuras de uma noite podem gerar mais prejuízos do que vantagens. Será que ela gostou? Será que ele telefonará amanhã? Isso sem contar o stress das escapadas extraconjugais. Nessas situações acaba-se ficando mais tenso, o que causa envelhecimento precoce, explica Weeks. Dá-lhe rugas. O médico é tão taxativo ao condenar o sexo eventual que chega ao ponto de recomendar sua substituição, na falta de um grande amor pela prática da masturbação.

                        Pelo fato de ser um americano o autor do trabalho, filho das tradições puritanas de seu país, surgiram óbvias desconfianças em relação ao elogio do sexo monogâmico. Mas há dados científicos que comprovam os benefícios do ato sexual feito com amor. Durante a prática do sexo, o organismo libera uma série de substâncias.  A endorfina, hormônio responsável pela sensação de bem-estar, é sintetizada tanto em atividades físicas quanto ao se experimentar emoções intensas. O sexo com o parceiro amado condensa essas duas condições. Vale, portanto, mais do que o sexo pelo sexo, que do ponto de vista da liberação de substâncias estimulantes no cérebro tem suas limitações. A psiquiatra Carmita Abdo, do Hospital das Clínicas de São Paulo, atesta: “fazer regularmente sexo com envolvimento afetivo é importante para manter os níveis de endorfina elevados”. O coração também agradece. “quem vive uma relação afetiva estável apresenta 30% menos risco de sofrer problemas cardíacos”, afirma o cardiologista paulista Bernardino Tranchesi. A longo prazo, sexo com afeição equilibra os batimentos do coração. Outro hormônio despejado na corrente sangüínea durante o ato sexual é a do crescimento. “Entre outras funções, essas substâncias redistribui a gordura do corpo” diz o endocrinologista Geraldo Medeiros. Com o passar dos anos, os homens tendem a acumular tecido adiposo no abdômen. As mulheres nos quadris, o hormônio do crescimento ajuda a colocar as coisas no lugar de onde nunca deveriam ter saído. E a silhueta ganha contornos parecidos com os da juventude.

                        Na teoria, tudo parece simples, fácil e agradável. Quem não quer sexo bom e frequente com o ser amado? Manter uma vida sexual ativa com a mesma pessoa por anos a fio e, contudo, um desafio para a maioria. Passada a paixão inicial, os encontros na cama tornam-se mais mornos e raros. Ás vezes pode ser mais estressante convencer o parceiro a fazer sexo três vezes por semana do que não fazer. A julgar pelo ritmo sexual da humanidade e levando-se em conta o estudo do doutor Weeks, todos parecem fadados ás rugas precoces, a média mundial é de duas relações por semana. Tido com um povo ardente, o brasileiro não corresponde ao estereótipo. Uma pesquisa da Sociedade B. de Estudos em Sexualidade Humana informa que o paulistano comprometido, por exemplo, tem menos de duas relações sexuais por semana. Como o aumento da crise econômica está sempre associado á baixa da libido, será preciso algum esforço extra para manter as rugas afastadas.  

Revista Veja 17/03/99 págs. –118-119

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