A Planta Que o Pai Não Plantou – Parte II

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> Mateus 15:13 – Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada. 

No texto I falei sobre pessoas que se infiltram na obra de Deus e que podem ser rotuladas como “plantas que o Pai não plantou”.

Neste texto quero falar sobre o contexto no qual o versículo acima está inserido e falar sobre uma outra “planta que o Pai não plantou”.

Em Mateus 15, Jesus foi abordado pelos  escribas e fariseus de Jerusalém, os quais vieram questionar a falta de cumprimento das tradições, dos usos e costumes dos judeus, pelos discípulos do Senhor:

> Mateus 15:2 – Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.

Os líderes religiosos daquela época, como em todas as épocas da história da igreja, elaboraram doutrinas, baseados em suas convicções e experiências e deram a elas o mesmo peso que as leis e princípios divinos têm.

Com isso, eles estavam fazendo o que Jesus disse em Mateus 23, “pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando“.

Temos vivido, em nossos dias e em nossas igrejas, o mesmo que os judeus do tempo de Jesus. Doutrinas e mais doutrinas, regras e mais regras. Cada uma das denominações tradicionais tem seu modo de delimitar o comportamento de seus membros, sempre com o pretexto de que estão preparando um povo para ir morar no céu.

Eu  mesmo sou fruto de uma geração que aplicava a disciplina e gastava mais tempo pregando e ensinando sobre usos e costumes do que sobre outros temas. Em função, disto, sou, por natureza, doutrinador, conservador.

Tenho, contudo, observado que a doutrina, quando não ensinada e aplicada de forma adequada, mais atrapalha do que ajuda. É lógico que me refiro às doutrinas criadas pelas denominações.

O conceito de Paulo sobre essas doutrinas denominacionais, é ignorado pela maioria dos pastores que insistem em dar aos usos e costumes um peso tal, como se, a inobservância desses usos e costumes pudesse, inclusive, implicar em perda de salvação.

> Colossenses 2:20-23  – Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.

No texto que estamos analisando, de Mateus 15, Jesus disse que toda planta que o Pai celestial não plantou será arrancada. Ou seja, aquilo que foi criado pelo homem, por mais bem intensionado que tenha sido, não passa de “doutrinas e preceitos de homens” – Mt 15:9 , e, consequentemente, não permanecerá.

Sejam questões relacionadas às vestimentas, ao uso de jóias, ao cabelo, à barba; sejam questões relacionadas à liturgia de culto, se pode ou não pode bater palmas, fazer coreografia, cantar esse ou aquele estilo de música; tudo isto perecerá. Tudo isto são plantas que o Pai celestial não plantou; Tudo isto são adorações baseadas em doutrinas que são preceitos de homens; Tudo isto não tem valor algum no que diz respeito a relacionamento com Deus e salvação.

Na verdade, todas estas coisas só servem para que os pastores que gostam de “dominar a seu bel-prazer com pretexto de humildade…” – Cl 2:18 , possam exercer uma autoridade arrogante e pretenciosa. Os usos e costumes se tornam ferramentas de domínio na mão de homens poderosos, que tratam a igreja como um império, como se fosse uma empresa, um feudo. O apóstolo Pedro, também, fez menção a este tipo de pastor:

> 1 Pedro 5:2  – Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; 

> 1 Pedro 5:3 – Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.

Portanto, quando os discípulos vieram a Jesus, depois que Ele repreendeu os escribas e fariseus dizendo-lhes que aquelas tradições eram doutrinas e preceitos de homens, os discípulos revelaram ter ficado preocupados com a maneira meio dura como Jesus os respondeu. Foi como se os discípulos quisessem dizer a Jesus que se fosse o caso, eles passarariam a observar os usos e costumes para não escandalizar. Mas, Jesus lhes tranquilizou afirmando que “toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada“. Ou seja, não vos prendais a ordenanças que não serão perpetuadas, uma vez que não foram dadas por Deus; Não retrocedam, nos vos permitam serem dominados, sob pretexto de humildade… Avancem no conhecimento e busquem a liberdade que se encontra no Evangelho.

Paulo tinha uma certa “gastura” dos irmãos, que presos a questões de menos importância, viviam espiando o grupo dele, para lhes restringir da liberdade que tinham em Cristo.

> Gálatas 2:4 – E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão;

Saibam, meus amados irmãos, que toda doutrina elaborado pelo homem, mais cedo ou mais tarde cairá em desuso, perecerá. Portanto, você que é pastor, e que, por acaso, tiver gastado um pouco do seu preciso tempo para ler este texto, não se apegue aos usos e costumes, sob pretexto de humildade, para por em servidão àqueles a quem Cristo libertou para um viver rico, cheio de “novidade de vida”.

Em Cristo, Sandoval Juliano – O Presbítero, 07.09.2012.

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