Batalha espiritual no nível cultural – texto I

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Há algumas semanas eu estou ministrando estudos bíblicos, na igreja onde patoreio, sobre o texto de Marcos 5.1-20 e correlatos, que contam a história da libertação do endemoninhado de Gadara.

Enquanto eu descubro coisas novas sobre esta história, lembrei-me que há cerca de 15 anos eu ouvi o,  então “Reverendo”, Caio Fábio, ministrar uma palestra sobre este tema. Como me marcou profundamente e ainda trago na memória o que ele disse, vou tentar compartilhar com meus leitores o que ouvi, dando, aqui e acolá, minha pitada sobre o assunto.

A Bíblia registra que Jesus, ao chegar em Gadara, uma das 10 cidades que integravam Decápolis, os demônios ficaram agitados no corpo do homem possesso e reclamaram a Jesus o fato de Ele ter vindo atormentá-los “antes do tempo”.

Na verdade os demônios não queriam deixar para trás, séculos de cultura e de possessão. Eles haviam se dado tão bem naquela região que se sentiam confortáveis, mesmo estando em quantidade de quase seis mil, exprimidos em um só corpo.

A história do gadareno, como conta-nos os três primeiros evangelistas, não é a história de um homem, mas a história de um povo, de uma cultura.

Decápolis, fundada por Alexandre o Grande, era uma confederação formada por dez cidades que ficavam ao leste do Mar da Galiléia e que, apesar de estar em território israelita era composta por povos não-judeus. Mesmo pequenas, se tornaram conhecidas e importantes, pelo fato de que ficavam à margem da estrada que entre o Egito e a Síria, passando pela Judéia.

Como ficavam no meio do caminho, terminaram tornando-se vulneráveis  a todos os pretensos donos-do-mundo. Todos os novos conquistadores, ao passarem por ali, terminavam por dominar àqueles povos e a subjugá-los. Alexandre, da macedônia, conquistou e derrotou o Império Persa. Ele edificou e deu nome às 10 cidades(decápolis). Depois de Alexandre, O Grande, veio o confronto pelo domínio entre os generais Seleuco e Ptolomeu Cerauno. Cada um, para deixar sua marca, ao passar por Decápolis, destruía tudo o que existia e reconstruía. Ali eles impunham suas exigências, seus costumes, seus idiomas e seus tributos.

Em seguida houve uma grande guerra entre a Síria e o Egito. Decápolis estava no meio do caminho desses dois domínios.

Poucas décadas depois, surge o Império Romano, devastador e opressor. Destroem o poder do Egito e estendem seu domínio por toda a Judéia, indo além da Síria e, conquistando toda a Ásia Menor.

Em seguida, a revolta dos Macabeus… Um grupo de judeus que, cansados do domínio, ora da parte do Império Selêucida, ora da parte do Império Romano, destroem tudo que estes haviam construído nas principais cidades do território de Israel e reconstroem o templo e outros edifícios importantes.

Quem tinha que aceitar o novo domínio se não quisesse ser exterminado? – Decápolis.

Mas, os Macabeus não foram longe, Roma tomou de assalto ao mundo daquela época e impôs o seu domínio novamente. Novo idioma, novo templo, nova forma de se prestar culto, impostos, taxas, presença das “legiões romanas”, possessão, estupros, reconstrução.

Inclusive uma das dez cidades chamava-se Geresa, ou Gerasa que no hebraico – ger’s, significa expulsar, tirar de dentro, expelir.

De tanto serem invadidos e dominados, criou-se uma cultura de possessão política, econômica e social. Não obstante, eles sempre sobreviviam  a todas as invasões. Sabem por quê? Porque sempre se rendiam e aceitavam a possessão.

E o diabo, aproveitando-se da história e da cultura que admite a idéia da possessão, usa este estado de coisa, esse acervo cultural, para fazer ali o seu ninho e oprimir o espírito daqueles homens.

Com isso nós aprendemos que os eventos sociais, políticos e econômicos podem ser usados e manipulados por forças espirituais para esmagar a sociedade. As culturas, quando doentes, ajudam o diabo a penetrar nas mentes humanas de suas respectivas sociedades...

Convido os amados leitores a continuarem a leitura deste estudo bíblico, no texto II, onde falaremos sobre a razão porque aquele homem ficou possesso por muito tempo e ninguém foi atrás de um milagre para ele. Me acompanhem…

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano.

 

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