Batalha espiritual no nível cultural – texto II

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Continuação… Se você não leu o texto I eu gostaria que o fizesse antes de prosseguir esta leitura. Obrigado!

Baseados no que dissemos no texto I, de volta para a história do gadareno, percebemos que há uma estranha relação entre a cidade de Gadara e o seu “possesso”. Percebemos que o gadareno era um “possesso de estimação”.

O texto sugere que havia muito tempo em que ele encontrava-se naquele estado, chegando, inclusive a fazer moradas nos sepulcros, que naquele caso eram construídos nos paredões rochosos que ficavam de frente para o Mar da Galiléia.

Você observou que o gadareno, apesar do tempo não morreu de fome? – Sempre aparecia um pratinho, uma marmitinha, uma oferenda, um lanche… A sociedade mantinha o possesso, a besta humana. Eles já estavam acostumados com ele.

No Rio de Janeiro, por exemplo, quando a polícia mata um traficante, os moradores da favela em questão se revoltam. A sociedade carioca(e não apenas ela) alimenta seus gadarenos/traficantes.

Outrossim, a sociedade gadarena fazia cadeias para serem quebradas. O texto informa que em várias ocasiões eles presenciaram o possesso quebrar cadeias e grilhões. Nós sabemos que a possessão demoníaca tem um limite e o limite da possessão demoníaca é o limite físico da resistência do osso da pessoa que está possessa,  limite último do corpo. Um endemoninhado pode derrubar quatro ou cinco homens, mas não vai conseguir derrubar dez. Alguma corrente será forte o suficiente para não ser quebrada.

Percebemos, tanto no caso dos cariocas, como naquele povo, os gadarenos, uma mórbida situação de contentamento em ver o possesso quebrar as correntes. A cidade revelou ter uma relação doentia com o gadareno, uma vez que eles não conseguiam quebrar as correntes políticas, econômicas e sociais que lhes impunham…

Com isso nós aprendemos que as sociedades humanas precisam de seus possessos para dar a impressão de que são todos sãos. Na psicologia isso chama-se “Transferência”. Na Backer Encyclopedia of Psychology, 1985, página 1173, a Transferência é definida como “um mecanismo de defesa onde alguém do presente é experimentado como se fosse aguém do passado. As atitudes e emoções, positivas ou negativas, que pertenciam a uma relação anterior são transferidas a uma pessoa no presente”. Ter um maluco por perto é um mal necessário às sociedades humanas.

Até mesmo nas famílias há sempre aquele a quem chamam de “ovelha negra”, e, geralmente, ninguém da família preocupa-se na redenção daquele membro. Caso contrário, não haverá de quem falar mal! Não haverá para quem transferir nossas “culpas”. Ou seja, psicosocialmente falando, os “PC’s Farias”, os “Marcos Valérios”, os “Osamas Binladen”, os “Raul Seixas”, os “Mamonas Assassinas”, as “mulheres frutas”, são necessários! Os gadarenos são os “bodes expiatórios” da sociedade; são uma válvula de escape.

Até na igreja tem que haver um maluco para termos o que comentar, discutir e julgar…

No texto III falaremos sobre como descobrir que potestade está atuando sobre determinada sociedade. Espero que você continue comigo…

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano.

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