Por que os porcos?

Compartilhe

                                                                                           

Ø Mateus 8:31 – “Se nos expulsa, permite-nos que entremos naquela manada de porcos”

Nós sabemos que espírito se relaciona com espírito. Por essa razão nunca encontramos um passarinho ou um gato ou qualquer animal irracional cheio do Espírito santo, profetizando ou se reunindo com os de sua espécie para cultuarem. Somente o ser humano é um animal religioso, pois apenas ele possui, além da alma, espírito.

Sabemos que para alguma missão específica um animal que não possui espírito pode ser um canal através do qual Deus ou o diabo podem se manifestar ao homem, como no caso da jumenta de Balaão. Mas, via de regra, os animais não são canais de comunicação pela razão acima exposta.

Por que razão os espíritos malignos que possuíam o gadareno, pediram para serem transferidos para os porcos se eles não possuíam a parte com a qual eles podiam se relacionar?

Os demônios em Gadara poderiam simplesmente ter, batido em retirada e voltado à sua habitação nas regiões celestiais, nos ares. Eles não têm que, obrigatoriamente estar em um corpo físico para continuarem existindo ou atuando sobre uma região.

Além disso, Jesus não chegou sentenciando eles ao poço do abismo, como eles sugeriram.

Portanto, causa-nos estranheza que Jesus tenha atendido ao pedido daqueles demônios, de entrarem em animais irracionais, que aparentemente nada tinham a ver com o estado em que aquele homem encontrava-se.

Deixando de lado o intrigante prejuízo que os donos dos porcos tiveram, percebemos que os porcos foram escolhidos porque contém características muito parecidas com as do ser humano, não em seu DNA ou aparência física, mas em sua natureza. E, neste aspecto, o ser humano é tão parecido com o porco que Tomás de Aquino disse que a melhor descrição que ele encontrou para o homem foi a “de um anjo montado em um porco”.

São, nos quesitos sordidez e mediocridade, que nos assemelhamos a essas vis criaturas. Quando refletimos sobre a tendência que temos para errarmos, mais do que para acertarmos; para a destruição, mais do que para a criação; para o mal, mais do que para o bem; para a mediocridade confortável, mais do que para a audácia e o fervor que nos torna otimistas e vencedores.

Quando pensamos na capacidade que temos de nos sentirmos felizes diante da desgraça alheia; de rirmos quando o outro cai na calçada; de nos encolhermos de “inveja” quando vemos alguém prosperando, como se ele estivesse obtendo vantagem sobre nós, concluímos que em nós, “muitas vezes o porco sufoca o anjo”.

Por que existe uma parte de nós que dá ouvidos às fofocas e aos boatos como se eles fossem fatos comprovados? Quem é esse em nós que aguarda a gafe alheia para se divertir? Por qual razão muitos de nós não nos entristecemos quando um honrado cai?  Por que alguns debocham dos fiéis como se fossem otários? Por que mentem e inventam para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem?

Será que nunca deixamos escapar um comentário do tipo: “Ah, sim, eu conheço a mulher dele. Ela realmente é uma mulher carinhosa, mas eu sei o risco que ele está correndo…”. Ou: “Ela conseguiu um bom emprego de uma hora prá outra… Sei não, deve estar saindo com o chefe ou o assessor dele”.

Em geral, quem não prospera não suporta o sucesso dos outros e, por isso, não consegue ficar sem abanar com o rabo e lançar lama, levantando suspeitas e desconfianças e trazendo à memória um passado adormecido onde aquela pessoa tenha, de alguma forma, cometido alguma falha.

Enquanto enfiamos o focinho na lama da nossa mediocridade e não nos pagamos o preço para galgarmos patamares mais elevados, outros sobem, melhoram de vida, aprendem cada vez mais, se tornam mais chiques, mais elegantes. Daí, nós os encontramos e logo deixamos escapar: “Veja como ele está metido!”, ou: “Isso só pode ser Botox… ela deve ter feito alguma lipo… olha só o que o dinheiro faz…”

Não é sem razão que os espíritos malignos escolheram os porcos. Eles estavam tão bem acomodados dentro daquele “porco-humano” que não queriam habitar em outro lugar, pessoa ou coisa.

O espírito do ser humano tem o formato de uma casa. Em algumas vezes na Bíblia ele é chamado de “habitação”. Nessa casa, ou habita o Espírito de santidade ou o espírito de porco. Na maioria das vezes o porco dentro de nós sufoca o anjo. Apesar de nosso espírito ter sido vivificado mediante o toque do Espírito Santo e termos nos tornado uma nova criatura, em Cristo Jesus, a sordidez e a mediocridade cochilam em nós. Vez por outra nós mesmos os acordamos.

“Embora sejamos tantas vezes bons,
magníficos, altruístas, generosos, capazes
do belo, até do extraordinário, algo espreita
em nós, pronto para o salto, a mordida, o gosto
de sangue na boca e o brilho demente no olhar”
– (Lya Luft)

Em Cristo, Sandoval Juliano – 09.06.2009.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *