A Importância da Disciplina e da Exclusão na Igreja

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O instituto da disciplina, ou suspensão da comunhão na igreja, é um dos seus mais valiosos patrimônios.

Por instituto entendemos uma medida consolidada pelo uso e pela tradição durante longos séculos.

A sociedade pós-moderna, implicitamente, condena qualquer medida tida como punitiva ou corretiva, relativiza tudo e abdica de valores, regras, tradições, conceitos e modelos predefinidos.

Influenciada por essa tendência, nas igrejas evangélicas, mesmo nas tradicionais, a aplicação da disciplina e da exclusão de um membro, tem sido bastante questionada e muitas vezes ridicularizada.

Tentemos entender o que é e pra que serve a disciplina ou suspensão da comunhão de um membro da igreja e, posteriormente, a exclusão.

 

A RESPEITO DA DISCIPLINA

Desde o Antigo Testamento, a disciplina ou a correção foi uma medida adotada e aplicada pelo próprio Deus e ordenada por meio da Lei de Moisés.

Num caso prático, lembramo-nos de Miriam, a profetisa e irmã de Moisés, a quem o Senhor ordenou que ficasse fora do arraial por sete dias, como punição pela sua atitude vergonhosa.

Ø  Números 12:13 – Clamou, pois, Moisés ao SENHOR, dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures.

Ø  Números 12:14 – E disse o SENHOR a Moisés: Se seu pai cuspira em seu rosto, não seria envergonhada sete dias? Esteja fechada sete dias fora do arraial, e depois a recolham.

Em outro caso, bem mais doloroso do que ficar afastado do arraial durante sete dias, temos o castigo que Deus ordenou sobre Davi, como punição pelos seus pecados, tanto no caso da mulher de Urias, quanto no caso da numeração dos filhos de Israel, que muito desagradou ao Senhor.

Ø  1 Crônicas 21:9 – Falou, pois, o SENHOR a Gade, o vidente de Davi, dizendo:

Ø  1 Crônicas 21:10 – Vai, e fala a Davi, dizendo: Assim diz o SENHOR: Três coisas te proponho; escolhe uma delas, para que eu ta faça.

Ø  1 Crônicas 21:11 – E Gade veio a Davi, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Escolhe para ti,

Ø  1 Crônicas 21:12 – Três anos de fome, ou que três meses sejas consumido diante dos teus adversários, e a espada de teus inimigos te alcance, ou que três dias a espada do SENHOR, isto é, a peste na terra, e o anjo do SENHOR destrua todos os termos de Israel; vê, pois, agora, que resposta hei de levar a quem me enviou.

No Novo Testamento, o entendimento dos apóstolos era que a disciplina do Senhor era necessária para correção.

Ø  Hebreus 12:5 – E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do SENHOR, E não desmaies quando por ele fores repreendido;

Ø  Hebreus 12:6 – Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.

Ø  Hebreus 12:7 – Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?

Ø  Hebreus 12:8 – Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos.

Portanto, entendemos que a disciplina ou suspensão da comunhão de um membro da igreja por um determinado período é necessária para que a pessoa sinta contrição, tristeza segundo Deus e que isso a leve a um sincero arrependimento.

Aos Coríntios, Paulo disse na sua segunda epístola, que ficou sabendo que a igreja tinha sido tomada de uma grande tristeza por causa da ordem que ele havia dado na primeira carta, de aplicar uma suspensão, ou até mais que isso, uma exclusão do rol de membros da igreja, ao jovem que andava praticando pecado considerado abominável.

Paulo então diz que não se arrependeu de ter dado tal ordem porque sabia que aquela medida era necessária e a única forma de levar o individuo e a própria igreja a uma reflexão séria a respeito da gravidade do pecado.

Ø  2 Coríntios 7:8 – Porquanto, ainda que vos contristei com a minha carta, não me arrependo, embora já me tivesse arrependido por ver que aquela carta vos contristou, ainda que por pouco tempo.

Ø  2 Coríntios 7:9 – Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma.

Ø  2 Coríntios 7:10 – Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.

Vimos então, o caráter didático espiritual da disciplina, promover um sentimento de contrição que produz o arrependimento.

Ø  Hebreus 12:11 – E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.

Ø  Isaías 26:16 – Ó SENHOR, na angústia te buscaram; vindo sobre eles a tua correção, derramaram a sua oração secreta.

Além do caráter didático e espiritual, a aplicação da disciplina tem implicações psicológicas.

Quando a pessoa peca e não sofre uma correção, uma punição, sua consciência começa a ser bombardeada.

A consciência exige uma punição, sem a qual a pessoa não terá paz interior.

A psicologia chama de recalque, a barreira criada pela consciência, que nos impede de cometer desatinos, que controla nossos instintos. A consciência, chamada de “superego”, na psicologia, a terceira parte da estrutura da personalidade, segundo Freud, impõe um autocontrole para que a pessoa não se destrua.

O indivíduo que comete erros e não sofre qualquer reprimenda ou punição vai tendo essa barreira de autocontrole bombardeada até ao ponto de a pessoa perder o bom senso e se destruir na prática de algum erro absurdo.

Portanto, a disciplina tem efeito prático na estrutura psicológica da pessoa que erra, fortalecendo essa barreira de recalque, essa consciência de que precisa viver com limites.

Como Jesus é o maior psicólogo que já existiu e conhece nossa estrutura psicológica, Ele, desde o princípio, estabeleceu disciplinas, como medidas para fortalecer nossa consciência e nos dar equilíbrio entre nossos instintos e o bom senso.

Salomão, em seus muitos e sábios provérbios, fez a seguinte advertência:

Ø  Provérbios 22:15 – A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela.

Para encerrar esse assunto, é bom lembrar que quando um pastor se utiliza do instituto da disciplina a seu bel prazer, ele pode cometer injustiças que não levarão o membro ao arrependimento, mas à revolta e ao afastamento da casa de Deus.

 

A RESPEITO DA EXCLUSÃO

Em Mateus 18:18 Jesus orientou  aos discípulos no que diz respeito à prática da reconciliação e da exclusão. Ele disse que “tudo o que eles ligassem na terra seria ligado nos céus e tudo o que eles desligassem na terra seria desligado nos céus”.

Jesus disse isso num contexto em que dava aos seus discípulos autoridade para perdoar e para negar o perdão quando entendessem necessário.

Ø  Mateus 18:15 – Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão;

Ø  Mateus 18:16 – Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada.

Ø  Mateus 18:17 – E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.

Ø  Mateus 18:18 – Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.

Para confirmar essa autoridade que lhes estava sendo outorgada, quando ressuscitou, Jesus apareceu entre eles, num dado momento e

Ø  João 20:22 – E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

Ø  João 20:23 – Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.

Com isso Jesus instituiu a utilização da medida de aplicação da excomunhão ou exclusão aos membros da igreja que incorressem na prática de algum erro doutrinário ou de pecados, e que não demostrassem arrependimento.

Paulo confirma essa doutrina na igreja quando escreve em suas epístolas que aqueles que causavam problemas por disseminação de heresia e aqueles que estivessem cometendo pecados vergonhosos fossem excluídos, cortados.

Ø  Gálatas 5:12 – Eu quereria que fossem cortados aqueles que vos andam inquietando.

Ø  Gálatas 5:9 – Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?

 

Ø  1 Coríntios 5:1 – GERALMENTE se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem abuse da mulher de seu pai.

Ø  1 Coríntios 5:2 – Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.

Ø  1 Coríntios 5:3 – Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou,

Ø  1 Coríntios 5:4 – Em nome de nosso SENHOR Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo

Ø  1 Coríntios 5:5 – Seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do SENHOR Jesus.

 

Novamente Paulo diz:

 

Ø  1 Coríntios 5:6 – Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?

Se alguém acha que Paulo exagerou nesta ordem dada à igreja em Corinto leia o que o apóstolo João, o apóstolo do amor, disse a esse respeito:

Ø  2 João 1:10 – Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis.

Ø  2 João 1:11 – Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.

Num caso prático, bem lembrado neste momento, ainda no Antigo Testamento, Deus ordenou o apedrejamento de Acã e sua família. Deus usava a expressão: “Que tal alma seja extirpada do meio do seu povo”.

Ø  Números 15:31 – Pois desprezou a palavra do SENHOR, e anulou o seu mandamento; totalmente será extirpada aquela pessoa, a sua iniquidade será sobre ela.

Bem, por estes textos bíblicos citados, suficientes para basear uma doutrina e a aplicação de uma medida por parte da igreja, concluímos que:

1º – A exclusão de um membro da igreja foi ordenada por Jesus;

2º – Foi ratificada por Paulo e por João;

3º – Nos dizeres do próprio Cristo, excluir alguém é considera-lo “como gentio e pecador”, ou seja, como alguém que nega, com suas práticas, ser participante da fé e da doutrina de Cristo;

4º – Nos dizeres de Paulo, excluir alguém da igreja é retirar dele a proteção espiritual que é reservada aos membros da igreja, em comunhão. Ele usa a expressão: “seja entregue a Satanás para destruição da carne”;

Jesus disse a Pedro que Satanás havia pedido a Ele que o entregasse, “para cirandar com ele como se ciranda o trigo na eira”. Jesus, porém, não o entregou. Com o ato da exclusão, a pessoa fica ENTREGUE, ou seja, perde essa proteção espiritual.

5º – A exclusão de um membro que encontra-se em pecado e não demonstra arrependimento salva a igreja de uma contaminação – “Um pouco de fermento leveda toda a massa”;

6º – A exclusão deve ser aplicada apenas e tão somente ao membro que demonstra falta de arrependimento e contrição diante de uma flagrante prática pecaminosa. Ela nunca deve ser aplicada àquele que confessa sua culpa e busca pelo perdão. A estes a igreja deve oferecer o perdão e a disciplina. Para isto o Senhor confiou aos seus ministros o ministério da reconciliação.

Ø  2 coríntios 5:18 – E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;

7º – Na prática, um membro excluído da igreja, para ser aceito novamente, precisa passar pelo ritual da reconciliação pública e por um período de observação para que seja atestado o seu arrependimento. O seu pedido de reconciliação pode ser aceito pela igreja ou não.

Em Cristo, Sandoval Juliano – 03 de novembro de 2016.

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