IMAGO DEI

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                No Gênesis, a expressão “imagem de Deus” pretendia apresentar uma visão diferente aos conceitos adotados por muitas religiões que davam à divindade formas animais ou semi-animais. O propósito da Bíblia é relacionar Deus ao homem e o homem a Deus.

                Uma fiel análise do texto que diz que “criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou” – Gn 1.27, seguido da informação de que “Então Deus formou o homem do pó da terra” – Gn 2.7, nos leva a observar que estas expressões salientam, num primeiro momento, a analogia física entre Deus e o homem. A Bíblia não declara que a parte imaterial, composta pela alma e pelo espírito, foi criada por Deus. A parte material é que foi criada, porém a parte imaterial/espiritual foi outorgada ao homem através do sopro, tornando-se esse, alma vivente. A parte imaterial originou-se no homem mediante um “ato de transmissão” e não por um “ato de criação”. Portanto se o texto diz “à imagem de Deus o criou”, e a parte criada foi a material e não a espiritual, podemos dizer que somos como uma réplica/imagem de Deus. É como se Deus houvesse projetado sua própria sombra no barro e modelado o homem a partir dos traços obtidos.

                Porém, a imagem e a semelhança de Deus, em nós, concretizaram-se, exatamente no momento da transmissão de sua parte divina à parte criada. Somos a imagem e a semelhança no conteúdo e na forma.

                Por outro lado, a maneira como a Bíblia descreve a criação do homem, mostra a superioridade deste em relação aos demais seres criados. “Façamos” está em tácito contraste com “produza a terra”. Em comparação com os animais, o homem é destacado por sua importância para o Criador e pelo seu ofício.

                Mas, não é apenas no aspecto físico e no sentido da superioridade do homem em relação aos demais seres criados que encontramos a imagem de Deus. Essa imagem é expressa no homem, principalmente em sua natureza. Podemos dizer que neste aspecto, o homem é o único ser com uma natureza que é adaptada e apropriada para ser o veículo da semelhança de Deus. A criação do homem da forma como aconteceu adicionada ao sopro divino, através do qual parte da essência divina foi transmitida ao homem, tornou-o um ser que pode expressar ou transcrever o Criador eterno e incorpóreo, em termos de uma existência temporal, corpórea e própria de uma criatura.

                Deus reproduz na terra uma criatura que tem um potencial para ser independente e, por essa independência é o único dos seres criados que é capaz de se opor a Deus e ao mesmo tempo pode escolher estar com Deus. Isto é bom e ao mesmo tempo perigoso.

Possuir a imagem e a semelhança de Deus é exatamente ser alguém que possa ter a capacidade de escolher um relacionamento com seu Criador, ou não. Se servirmos a Deus, O serviremos, não porque fomos programados para isto, mas porque escolhemos isto, uma vez que podemos decidir o contrário.

                Decidir ser independente do nosso Criador, também faz parte dessa natureza imaginada por Deus. Em relação a nossa natureza, Deus não fez um programa e o instalou em nós. Assim como Ele mesmo não é fruto de um programa preestabelecido. O problema é que à medida que o homem vai vivendo essa independência, vai se distanciando da imagem e da semelhança com seu Criador. É aí onde mora o perigo. Uma vez distante do projeto original, o homem associa sua imagem a imagem do inimigo de Deus, e passa a ser, por natureza, “filhos da desobediência” – Ef 2.2. Nessa condição, o homem, ou passa a destruir o que Deus fez ou passa a se comportar como se fosse Deus, o que em ambos os casos é ruim.

                Fazer-nos semelhantes a Si mesmo, foi um grande desafio para Deus. Havia um risco nesta decisão. Todavia, o Senhor preferiu correr o risco a ter uma quantidade infinita de criaturas obedecendo-lhe cegamente.

                Com a queda, o homem deixou de adorar a Deus como Ele desejava que acontecesse. Daí Jesus afirmar que “O Pai procura aos que o adoram em espírito e em verdade” – João 4.23. O Espírito Santo, através do processo de regeneração, restaura essa característica no homem, “moldando-o à imagem de Cristo” – Rm 8.29. Somente aquele que possui a imagem e a semelhança de Deus, O adora, porque vê em Deus seu ideal. À medida que o homem perde essa imagem, deixa de ver Deus como seu paradigma.

                É nesse ponto que manifesta no homem o desejo de contrariar a vontade de Deus. Ao decidir afastar-se de Deus, mediante a aceitação do pecado, a imagem de Deus no homem começa a perder sua nitidez. Deus sai do foco. Por conseqüência, o adversário projeta sua imagem no homem, levando-o a rejeitar tudo o que está relacionado a Deus. É por essa razão que o homem no pecado acha normal a prática do homossexualismo, por exemplo. O homossexual pouco importa se Deus está se agradando do que ele está fazendo.

OBS: O homossexualismo foi apenas um exemplo em um número infinito de práticas pecaminosas onde a imagem de Deus não é expressa.

                Portanto, ser feito “à imagem e à semelhança de Deus” é, acima de tudo, ser alguém da mesma espécie de Deus. Alguém que pode ter com Ele um pleno relacionamento. Num relacionamento pleno, as pessoas, por viverem próximas umas às outras, se tornam parecidas. Ninguém conseguirá um relacionamento pleno com uma pessoa totalmente diferente de si. Portanto, a imagem de Deus será expressa em nós enquanto estivermos conformes a sua vontade.

                Que privilégio para nós sermos da mesma espécie de Deus. Segundo o Salmo 115.3-8, até nossos atributos físicos levam algo da imagem de Deus. Como um filho que se parece com o pai, nós somos os únicos que podemos expressar a imagem de Deus em nosso comportamento, decisões, modo de ser, modo de relacionar com outras pessoas, moralidade, capacidade de amar, poder de decisão, inclusive o poder de decidir amar ao nosso Criador, acima de todas as coisas!

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano.

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