Minha Análise da Crítica à Música “Como Zaqueu”

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Você leu a análise que o Pastor Ciro Sanches fez sobre a música “Como Zaqueu”? Concorda com ele? Se você ler o texto que publiquei, diretamente no blog do Pastor Ciro, e ver os mais de 50 comentários postados lá, você verá que 98% concorda com a crítica que ele fez.

Eu também fui questionado sobre esta música. Sou do tipo que não aceita certas letras, certas mensagens, certos estilos…

Inclusive eu já critiquei em minhas pregações aquela música “Até tocar o céu”, especialmente naquela parte em que diz que faço parte de uma “geração que ora como Daniel, geração que busca a Deus até tocar o céu“.

No entanto, quando eu critico esta expressão sensacionalista e nada verdadeira, eu não peço a ninguém que deixe de cantar a música. Mas, que passe a fazer valer em sua vida diária o que está sendo dito na linda letra cantada. Não seria bom se todos nós pudéssemos cantar de coração essa bela composição, principalmente se quem estiver solando for a Josy, cantora da nossa igreja na Ceilândia Sul. (Essa música fica mais linda quando ela canta)?

Por isso, eu acho que a crítica que o pastor Ciro fez não é boa. Ela é pretenciosa. Nela, o pastor condena o que todos nós apreciamos e, quando apreciamos uma música, é porque ela fala algo que nós realmente gostaríamos de falar. Em geral, quando uma música está totalmente errada, ela nem “pega” no meio evangélico.

Quem disse, por exemplo, que Zaqueu não deve ser aplaudido pelo que fez porque a Bíblia diz que ele subiu na árvore, “apenas” para ver quem era Jesus, ou seja, por mera curiosidade, certamente está tendo por Zaqueu o mesmo sentimento que toda aquela multidão deve ter tido naquele dia. Na alma daquele povo não havia qualquer sentimento de júbilo por Jesus ter escolhido a Zaqueu para pousar em sua casa. Imagine quantas críticas não foram elaboradas sobre ele… Eu consigo imaginar alguém dizendo que Zaqueu era “esperto”; que fez uma “jogada de mestre” e levou o  homem mais famoso de sua época para pousar em sua casa; que aquilo lhe daria prestígio ou que estivesse querendo dar uma de “santo”.

Todavia, eu não vejo assim. Eu prefiro utilizar a lente que Jesus utilizou. Se Jesus parou e o chamou, e entrou em sua casa, é porque Jesus sabia do que se passava na alma daquele homem. O desejo de salvação que Zaqueu tinha era tão pulsante que fez Jesus seguir o trajeto que seguiu; que fez Jesus vê-lo, mesmo escondido entre aquela folhagem.

Portanto, quando o Pastor Ciro Sanches diz que Zaqueu estava movido apenas por curiosidade, o pastor Ciro não o analisou como um pastor deveria analisar. Ele não tentou sondar a angústia que aquele homem sentia por ser corrupto, por ser desprezado pela sociedade por causa do cargo que ocupava.

Nas estrelinhas eu consigo ouvir Jesus dizendo: “Ninguém gostaria de sentar contigo à mesa, Zaqueu, porém,  eu quero pousar em tua casa; a sociedade não estende a mão sequer para te cumprimentar, eu quero te abraçar, Zaqueu”.

É verdade que “não foi Zaqueu quem procurou a Jesus. Foi Jesus quem o procurou”. Mas, não nos esqueçamos que Jesus só procura àquele que expressa, de alguma forma, sede de salvação.

– Lembra-se da mulher samaritana?

Outra parte da crítica é a que diz que “nós não devemos subir e sim descer”. Me digam, com sinceridade: Um alto funcionário do Governo Federal subiria em uma árvore no meio da rua para ver o papa ou o Dalai Lama passar? – Certamente não. Seria humilhante para uma pessoa “nobre” um jesto tão infantil!

Subir, como Zaqueu, pode significar, em todos os aspectos, descer… humilhar-se… fazer algo que se não fosse por Jesus, provavelmente não o faríamos de maneira alguma.

Citar o Salmo 42 como um modelo exclusivo de expressão do desejo sincero de buscar ao Senhor é ignorar as inúmeras possibilidades e recursos que nosso idioma e nossa alma tem para expressar algum sentimento.

O pastor Ciro disse: “Será que o pecador e enganador Zaqueu tinha a mesma sede do salmista? Por que um verdadeiro adorador desejaria ser como Zaqueu”?
 

Meu Deus!? E o publicano que não ousou subir nos degraus do templo, mas, lá embaixo batia no peito e dizia: “Tem misericórdia de mim, miserável pecador”. Não era um pecador e enganador” como Zaqueu? – Ou, quem sabe não havia sido o próprio Zaqueu a quem Jesus agora visitava em resposta àquela oração!?

Eu serei muito extenso se analisar cada frase desta composição. Deixa-me encerrar fazendo um breve comentário sobre a expressão: “mexe com minha estrutura” que foi a mais criticada até agora.

Você sabe qual é a sua estrutura? Em que sentido essa palavra estrutura se apresenta neste texto? – Será que foi no mesmo sentido em que foi dito no Salmo citado pelo Pastor Ciro, o Salmo 103 que diz: “Ele conhece nossa estrutura, lembra-se que somos pó”?

A mesma palavra pode ganhar sentidos diferentes, dependendo do contexto. – Ou não?

Você cria um estilo de vida; você estabelece projetos para si mesmo e para sua família; você se prepara para, em determinado tempo de sua vida mudar-se para tal e tal lugar; você sacrifica-se para fazer um curso superior que vai lhe abrir portas de prosperidade e status perante a sociedade; você cria suas filhas passando para elas a idéia de que elas vão se casar com alguém bem sucedido  e que vai dar a elas uma qualidade de vida que, provavelmente, as primas delas não terão(uma hipótese).

Para alcançar tudo isto, você monta uma estrutura… Você passa a agir de tal modo que até quem te conhecia antes diz que você não é mais o mesmo, que você está “metido”.

De repente, você descobre que esta estrutura(estilo de vida/jeito de ser) está lhe distanciando daquilo que o Senhor Jesus havia planejado para você.

Como Zaqueu, que ao escolher ser um publicano, não imagionou o que esta decisão afetaria em seu relacionamento com o mundo.

Ou, quem sabe, a palavra “estrutura” pode referir-se  a algo que está em sua base de criação de convivência. Se, por exemplo, você é de uma família que por natureza é racista, pode ser que você o é também e muitas vezes o seu racismo genético lhe impede de ver o que há de bom em determinadas pessoas… Mais uma hipótese.

Daí, você ora e pede: “Entra na minha casa… Entra na minha vida… Mexe com minha estrutura… sara as feridas que o meu jeito de ser provocou”. É como se você pedisse ao Senhor que lhe fizesse caminhar, a apartir de agora, em sintonia com seus propósitos e objetivos.

“Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel”.  – Jr 18.6.

Sinceramente, Pastor Ciro Sanches, e todos aqueles que postaram um comentário condordando e aplaudindo sua análise, eu não concordo…

Eu quero, como Zaqueu, esquecer meu título ministerial, ou quem sabe, o meu jeito crítico de ser e subir na figueira; não para me projetar, não para me envaidecer(talvez eu vou até me machucar na subida ou na descida), mas para ver se, quem sabe, Jesus resolve pousar em minha casa!!! Não que Ele já não esteja em minha casa, eu tenho certeza que está. Mas, como por uma força de expressão, é como se Ele viesse pessoalmente, fisicamente(como foi à casa de Abraão). Ou como se eu dissesse que eu gostaria que Ele tratasse o meu caso de forma personalisada – como aconteceu a Zaqueu…

Em Cristo, Pb. Sandoval Juliano.

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