O Presbítero na Igreja de Deus

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O texto que apresento a seguir foi escrito pelo pastor Eurico Bergstén em outubro de 1959 para o jornal Mensageiro da Paz. Veja como Há 50 anos atrás os pais da Igreja Assembléia de Deus ensinavam sobre o assunto:

          Assim como o Tabernáculo do Velho Testamento teria de ser feito conforme a planta que, no monte, o Senhor dera a Moisés – Ex 25:9 , também a Igreja de Deus, deve em tudo ser edificada conforme a Palavra de Deus. Paulo adverte a Timóteo “concerva o modelo…” – 2Tm 1:13 . Neste estudo, na Palavra, veremos algo do que diz Deus a respeito do presbítero na sua Igreja.

1. O presbítero como forma de governo já existia nas sinagodas dos judeus.

          Encontramos na Palavra de Deus que Israel, dede seus primórdios, era dirigido por um conselho de anciãos, característica da constituição judaica – Nm 11:16 ; Nm 11:17 . Estes, juntamente com o sumo sacerdote e os demais sacerdotes, geriam espiritualmente o povo, até os tempos do Novo Testamento – Mt 26:57 ; At 4:5 ; At 5:21 . Os anciãos representavam o povo nos sacrifícios – Lv 4:15 ; representavam a cidade perante o profeta – 1Sm 16:4 ; eram “cabeça” do povo – Is 9:15 . Era natural que a Igreja cristã, que originalmente procedia do judaísmo, pela direção do Espírito, se entrosasse nas formas de governo já existentes, e que se harmonizava com o seu espírito e caráter.

2. O presbítero dirigia a Igreja neo-testamentária.

          1) Não encontramos no Novo Testamento outra forma de governo. Na igreja em Jerusalém achamos na direção “os apóstolos e os anciãos” – At 20:17 ;

          2) Em lugar nenhum do Novo Testamento achamos os diáconos fazendo parte do ministério da Igreja. Em todos os lugares os encontramos servindo em funções materiais na Igreja, a fim de que os dirigentes espirituais pudessem dedicar maior tempo à oração e à Palavra – At 6:1-5. O diáconato não é contado entre os ministérios espirituais – Ef 4:11 ;

          3) O Novo Testamento não relata forma alguma de “diretoria” como direção da Igreja. É lógico e correto que ima igreja constituída de pessoa jurídica tenha uma diretoria, que a represente perante a Lei e às autoridades. A direção espiritual, porém, é do Presbitério. E é apenas prudente escolher para membros da diretoria, enquanto isso for possível, componentes do presbitério.

3. A palavra “presbítero” relacionada à Igreja aparece sempre na forma plural.

          Veja estas referências à respeito: At 11:30 ; At 20:28 ; At 21:18 ; Fp 1:1 e Tt 1:5  – Às vezes é usada a palavra “anciãos”, outras vezes “presbíteros” ou “bispos” – três expressões para uma só coisa. Veja ainda At 20:17 ; At 20:28 ; Tt 1:5 ; Tt 1:7 ;

          Oportunamente veremos isso. Fique porém claro, que isto demonstra não haver o governo da Igreja nas mãos de apenas um indivíduo.

          Iniciado o trabalho pentecostal no Brasil, a questão do presbítero se atualizou. Tanto os primeiros missionários, como os primeiros crentes, vinham de um meio batista, e por isso, organizavam as igrejas como se usavam em seu meio de origem. Tendo, porém, examinado as Escrituras, por algum tempo, perceberam que a palavra “ancião” em relação à igreja sempre apareceu na Bíblia na forma plural. Resolveram, poranto, consagrar para a Igreja diversos presbíteros, e esta prática perdura por todo o país. Logo, o presbitério não é uma “importação” do estrangeiro, ou de outras denominações, mas uma consequência da direção do Espírito Santo aos primeiros missionários, nos primórdios do trabalho. E isto é a função do Espírito: guiar para toda a verdade – Jo 16:13 .

4. A Palavra de Deus indica duas categorias de presbíteros

          1) Em primeiro lugar temos os presbíteros que trabalham na Palavra e na doutrina – 1Tm 5:17 . Estes possuem algum dos ministérios de que lemos em Ef 4:11 , isto é, apóstolo, profeta, evangelista, pastores ou doutores. São anciãos em função de sua tarefa de apascentar, dirigir, alimentar e servir a Igreja do Senhor, mas têm, além do seu presbiterado, um ministério espiritual, pelo qual servem ao Reino de Deus. Lemos que tanto Pedro como João se chamavam “presbíteros” – 1Pe 5:1 ; 2Jo 1:1 e 3Jo 1:1 . São presbíteros chamados a pregar o Evangelho, vivendo poranto do Evangelho – 1Co 9:14 ;

          2) Encontramos na Palavra de Deus, presbíteros que não se ocupam com a Palavra – 1Tm 5:17 . Por vocação divina, têm sido consagrado para servir como anciãos na Igreja de Deus, mas não têm ministério de apóstolo, nem de profeta, evangelista, pastor ou doutor. Servem à igreja, mas vivem de sua ocupação material. De uma ou outra categoria de presbíteros, porém(vivendo ou não do Evangelho), a Palavra de Deus exige o mesmo, tanto em qualidades espiritual e moral – 1Tm 3:1-7 , como de sua participação na direção espiritual da Igreja;

          3) Dentre os presbíteros anteriormente citados, Deus escolhe o que deve dirigir. Isto vemos em 1Tm 5:17 , quando lemos que são dignos de duplicada honra os que “trabalham na Palavra”. Todos os presbíteros têm a mesma responsabilidade, como tais, mas, aqueles aos quais Deus destinou um ministério espiritual – Ef 4:11 , determinam uma influência maior, através da vocação mais ampla. Notamos que sempre os apóstolos eram citados antes dos anciãos – At 15:2 ; At 21:18 . Vemos que era Tiago que presidia sobre a igreja em Jerusalém, e em 1Tm 1:3 , vemos que timóteo detinha idêntica função em Éfeso. Em Gl 2:9 , Pedro, Tiago e  João são considerados como “colunas”, e em Ap 2:1 , apesar da pluralidade de presbíteros em Éfeso – At 20:17 , Jesus se dirige ao “anjo da igreja”, isto é, ao presbítero líder, quando lhe enviou a sua carta.

          Nisto há grande sabedoria divina. Para dirigir a Igreja, Deus escolheu presbíteros que vivem do Evangelho, bem como aqueles que servem à igreja, sem que esta se responsabilize economicamente por eles. Seria mais do que pesado para a igreja ter que sustentar a todos os presbíteros. A sabedoria de Deus é sempre perfeita.

5. Como conseguir cooperação perfeitamente harmoniosa em um presbitério?

          1) Cada presbítero dever ser de espírito humilde, e saber cooperar – 1Pe 5:5 . É sinal de ótimo desenvolvimento espiritual saber sujeitar-se aos outros e considerar os outros supeiores a si próprio – Fp 2:1 – 8 . Então cada um respeita ao outro na vocação que este tem recebido de Deus. Este é o fundamento invariável da força espiritual do presbítero. E, não é demais comparar-se uma boa cooperação no presbitério a um matrimônio feliz.

          2) (o texto é muito grande, por isso eu resolvi suprimir esta parte…)

6. Como eram constituídos os presbíteros?

          1) Com oração e jejum, e pela imposição de mãos – At 13:3 . Os presbíteros, já consagrados, indicavam e escolhiam novos anciãos – Tt 1:5 ; At 14:23 , através da oração e do jejum, e nada faziam senão confirmar o que o Espírito Santo já houvesse antes feito. Por isso Paulo podia dizer aos anciãos de Éfeso que o Espírito Santo os constituíra bispos – At 20:28 . Quantas decepções nas consagrações de presbíteros teriam sido evitadas, se antes buscássemos a vontade do Espírito Santo, através da oração e do jejum;

          2) O presbítero é local, destinado somenta à igreja local. “Havendo-lhes eleito… anciãos em cada igreja” – At 14:23 ; e “de cidade em cidade estabelecesses presbíteros” – Tt 1:5 . Nenhum presbítero que vive da Palavra ou não, é ancião de outra igreja, senão daquela da qual for responsável. Quem além do seu presbiterado tiver um ministério, como por exemplo, de evangelista ou doutor, leva consigo, em qualquer parte, o seu ministério, mas não é ancião senão da igreja na qual serve.

Conclusão: Oportunamente veremos as qualificações e funções dos anciãos. fique, porém, claro, desde já, que a Igreja de Deus, agraciada com um presbitério bom e unido, tem infinitas razões de dar graças a Deus, e o tal presbitério é digno de amor e consideração por parte de todos os membros da Igreja.

          Que Deus abençoe a todos os presbíteros que servem às milhares de igreja, através de todo o território nacional. amém.

Curiosidade: 

O missionário Eurico Bergstén nasceu em Helsinky, Finlândia, a 13 de agosto de 1913, casando-se com Esther Margareta Bergstén.
No dia 2 de setembro de 1948, em obediência à vontade do Senhor, veio ao Brasil. Passou sete meses no Rio de Janeiro e sete meses em Belo Horizonte, quando mudou-se para Salvador, BA, a 29 de novembro de 1949, ocasião em que a igreja atravessava ali uma fase difícil, e ele pôde, assim, contribuir para normalização das atividades.
Jamais pensou fixar-se em lugar algum: sempre quis ser apenas um missionário, levando a mensagem de Deus a tantos quanto necessitarem, para conforto e alento da alma. Sem dúvida, o missionário Eurico Bergstén é uma das mais autênticas expressões de vocação missionária que temos no Brasil. Espírito reto, coração puro, mente determinada, porém aberta, é um obreiro itinerante, um navio que nunca parou num cais, sempre navegou; nem sempre em águas mansas, pois enfrentou tempestades e trovoadas tremendas, frio e calor, sede e fome, ingratidões, mas nunca desanimou do seu trabalho missionário.

Deixou a Bahia em 1956, com destino a Recife, onde permaneceu até 1960 quando se transferiu para São Paulo, por solicitação do pastor Cícero Canuto de Lima. Em 1967, foi para o Rio de Janeiro.

Eurico Bergstén morreu no dia 6 de março de 1999, aos 85 anos de idade e 65 de ministério, 50 dos quais servindo ao Senhor no Brasil. Costumava intitular-se um pequeno servo de Deus e tinha como lema não ser desobediente à visão celestial, ganhando assim muitas almas para o Reino de Deus no Brasil e na Finlândia.

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